Patadas y Gambetas

Pratto e Buffarini perdem espaço na Argentina de Sampaoli
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Tales Torraga

A seleção argentina vai inaugurar o ciclo Jorge Sampaoli nesta sexta (19) com a primeira convocação do novo treinador. E Lucas Pratto e Julio Buffarini não farão parte desta lista, pelo que apurou o blog e publicou também o jornal ''La Nación''.

Pratto e Buffarini – El Tucumano/Reprodução

A lista de Sampaoli não vai ser assinada pelo novo técnico pois ele segue vinculado ao Sevilla. Seu anúncio oficial como treinador da Argentina vai ocorrer apenas na próxima semana, muito provavelmente na segunda-feira, embora a data sempre varie de acordo com os humores da nova AFA.

Tanto Pratto quanto Buffarini devem ceder lugares a jogadores do futebol europeu – no caso de Pratto, a vaga seria ocupada inclusive por Mauro Icardi, da Inter, que conta com a preferência de Sampaoli desde o primeiro instante.

O que pode comprometer a presença de Icardi é sua lesão muscular sofrida nesta semana, o que o faria perder espaço para um jogador em atividade na Argentina.

O futebol local vai ser olhado de perto por Sampaoli para os amistosos contra Brasil (dia 9 de junho, em Melbourne) e Cingapura (dia 13). Nomes como Pinola (Central), Fernández, Alario e Rojas (River), Tagliafico (Independiente), Acosta (Lanús) e Herrera, goleiro do Talleres, são potenciais convocados.

Outra pendência é, acreditem, Ricky Centurión.

O camisa 10 do Boca era nome certo nesta primeira lista, mas sua lesão muscular pode custar esta vaga no momento – se não agora, ele certamente será chamado no futuro, pois Sampaoli é um público apreciador de seu futebol.

Entre os europeus, as ausências certas são Zabaleta – pela mesma razão de Pratto e Buffarini – , Rojo e Funes Mori, lesionados, e Dybala e Higuaín, envolvidos com a final da Liga dos Campeões. Agüero sim estará. Mascherano vai ser deslocado de volante para zagueiro. O camisa 5 será Éver Banega, hoje na Inter de Milão.

Jogadores da segunda linha europeia vão figurar neste início de Sampaoli. Gente próxima ao treinador informa que são esses os casos de Papu Gómez (Atalanta), Paredes (Roma), Mammana (Lyon) e Correa (Sevilla). Outras possibilidades são Lanzini (West Ham), Ansaldi (Inter), Rulli (Real Sociedad) e Garay (Valencia).

Mesmo ''mexicanos'' como o goleiro Marchesín (do América, ex-Lanús) e o volante Guido Rodríguez (Tijuana, ex-River) terão suas oportunidades com Sampaoli.


Indisciplina de Centurión volta a dar o que falar na Argentina
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Tales Torraga

Ricardo Centurión durou apenas 15 minutos na derrota do Boca para o River por 3×1 no domingo. O ''astro, craque, camisa 10 e Neymar argentino'' se recuperou há duas semanas de lesão no joelho, mas agora é um estiramento muscular na coxa direita que vai fazê-lo parar por três semanas, segundo comunicado pelo Boca.

Centurión caído – Diario Popular/Reprodução

E tão negativa quanto a lesão é o ambiente que cerca o jogador nesta semana em Buenos Aires. Nos últimos dias, sua recuperação recorde foi creditada a uma dissimulação do Boca para o que, na verdade, seria um doping positivo seu.

E a saída precoce de Ricky no superclássico também não passou ilesa. Segundo Alejandro Fantino, um dos principais apresentadores de rádio e TV da Argentina, a precoce lesão no jogo mais importante do ano ocorreu pelo relaxo de Centurión em sua vida extra-campo. ''Ele se machucou porque não se cuida. Se machucou porque esteve na farra'', afirmou o radialista.

''Centurión não tem cabeça para ser jogador do Boca. E eu aguento o que está por vir, porque talvez o Boca seja campeão. Mas o assunto todo é: como um clube como o Boca pode depender de um tipo como Centurión?'', disparou.

''Se você faz um eletroencefalograma nele, não sei o que vai encontrar em sua cabeça. Se você é jogador do Boca, tem de sair do treino, fazer uma conta no Netflix e dormir cedo. E isso é tudo o que ele não faz'', concluiu Fantino, que trabalha com o Boca desde o começo da era Carlos Bianchi.

Centurión vai parar por três semanas e perder pelo menos os dois próximos jogos do Boca. E são compromissos importantes, contra Newell's e Huracán. O Xeneize lidera o Argentino a seis rodadas do fim, mas tem a concorrência direta de San Lorenzo, River, Newell's, Banfield, Estudiantes e Colón. Un campeonatazo.

Está tudo tão parelho que o Boca vai deixar em segundo plano se contrata ou não Centurión em definitivo junto ao São Paulo por US$ 6 milhões. Certeza? Apenas uma: Ricky com certeza vai precisar reforçar seu acompanhamento psicológico nesta enlouquecedora reta final do Argentino mais interessante dos últimos anos.


Má notícia para o Brasil: o River está voando
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Tales Torraga

E deu River Plate no tão aguardado superclássico contra o Boca na Bombonera.

Foi bem mais fácil que o imaginado: um 3×1 um pouco mentiroso – o placar mais justo seria um tranquilo 4×2 ou 5×2 para o Millo na fria noite portenha.

(Que Bombonerazo, che…)

Faltam agora seis rodadas para o fim do Campeonato Argentino. O River está quatro pontos atrás do líder Boca, e com um jogo a menos para cumprir.

Festa do Millo na Bombonera – EFE

O resultado deixou a Argentina vermelha e branca em êxtase – e já, acredite se quiser, cogitando quem vai ser melhor enfrentar na decisão do Mundial de Clubes, se Juventus ou Real Madrid.

Não há a menor dúvida: o atual River está jogando muito, mas melhor que aquele que foi campeão da Libertadores em 2015.

O time de Marcelo Gallardo superou o Boca de Schelotto em plena Bombonera em todas as linhas do campo. Mesmo na defesa, com o lateral-esquerdo Casco fora de combate logo no primeiro minuto em virtude de uma patada de Gago, o treinador millonario encontrou soluções: foi exatamente no lado esquerdo que saíram os dois gols que abriram a contagem – o primeiro, um golaço histórico de Pity Martínez, de voleio, e o outro de Pipa Alario, delantero de seleção, o melhor hoje no país.

(Toda a Argentina olha para Gallardo como o mais brilhante técnico da América do Sul – e disparado. Ele quer encerrar sua obra-prima no River com os únicos títulos que faltam ganhar, ainda que tenha só 41 anos: o Mundial e o Argentino.)

Os volantes combateram e os meias criaram tudo o que era preciso na Bombonera totalmente sob controle. Não houve afobação nem quando o Boca encontrou o seu gol na última bola do primeiro tempo, na cobrança de falta de Gago que contou com a falha do goleiro Batalla, que se redimiu plenamente no segundo tempo.

Negar que este River está provando a cada semana que é forte favorito na Libertadores é brigar com os fatos – e eis a classificação às oitavas-de-final da Copa com duas rodadas de antecedência para acabar com qualquer discussão.

O desempenho do Millo no Monumental em competições internacionais é espetacular. São 17 vitórias em 23 jogos, mais de 80% de efetividade.

O mata-mata é traiçoeiro?

São nesses cruces que o River se fortalece – vide a Libertadores, a Sul-Americana, as duas Recopas e a Copa Argentina que lhe deu a vaga nesta Libertadores 2017.

Jogar como visitante é duro?

Está aí o baile no Boca na Bombonera, exatos dois anos depois do covarde ataque do gás pimenta, mandando o recado aos times brasileiros e uruguaios.

Em Núñez e Belgrano preferem que o adversário seja o Real. Na Recoleta e na Villa Crespo, leve tendência para ser a Juve. Um trâmite, esta Libertadores, segundo os enlouquecidos millonarios que vão festejar este 3×1 a semana, o mês, o ano inteiro.

O River não passeava sobre o Boca na Bombonera desta maneira fazia 15 anos, desde o histórico 3×0 de Ramón Díaz e de, mirá vos, Vaselina Rojas…

Driussi dá as costas para a La Doce – Twitter


Por que as TVs do Brasil não vão mostrar o histórico Boca x River?
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Tales Torraga

POR EDUARDO OHATA e TALES TORRAGA

E chegou o domingo tão esperado pela Argentina que só fala do histórico e decisivo Boca x River das 17h – com 50.000 torcedores na Bombonera e uns 10.000 fora.

Histórico porque ocorre exatos dois anos depois do ataque de gás pimenta dos torcedores do Boca aos jogadores do River – principal marco recente do confronto.

Decisivo porque vai pender o título do Campeonato Argentino para Boca ou River – conquista que os técnicos e ídolos Marcelo Gallardo, do River, e Guillermo Barros Schelotto, do Boca, buscam desesperadamente e ainda não têm em suas estantes.

Boca x River na (hoje mais que nunca) infernal Bombonera – Taringa/Reprodução

Apesar do cardápio mais que farto, e da atual invasão argentina no futebol do Brasil, nenhuma emissora de TV do país vai exibir o quentíssimo duelo.

Os grupos Fox e Turner, ambos presentes no Brasil, dividem os direitos do Argentino na América Latina, porém o campeonato não é exibido aqui.

Os motivos para nenhuma TV por assinatura transmitir o Argentino passam pelos mais diversos fatores. No passado, SporTV, ESPN e Fox exibiram o torneio no país.

O Argentino conta com poucos jogos atraentes, fora os que envolvem justamente Boca e River, na visão de executivo de um dos canais que já exibiu o Argentino no Brasil. Para que a competição voltasse a atrair a atenção, em sua opinião, Messi teria que ser repatriado.

Há também a sobreposição de eventos, no caso de canais que já contam com vários campeonatos. No caso do SporTV, por exemplo, o blog apurou que interessam competições como Champions ou Premier League, cujos horários não encavalam com os jogos do Brasileiro, por exemplo.

LEIA MAIS: Os cinco motivos para acompanhar o Boca x River de hoje

Sim, a TV por assinatura nacional não abre espaço para o Argentino, de grande representação no futebol brasileiro, mas exibe (ou exibiu há pouco) competições de bem menor apelo, como os campeonatos da Rússia, Bélgica e Colômbia.

O que acontece, porém, é que algumas competições mais disputadas no mercado são vendidas em pacotes, formais ou não. Então para conseguir aquele torneio com estrelas que enchem os olhos, por vezes um canal tem que levar um outro que pode até parecer desperdício de dinheiro.

O escândalo apelidado de ''Fifagate'' envolvendo a agência Torneos y Competencias, que negociava os direitos do Argentino, também afastou ainda mais potenciais interessados no campeonato.

LEIA MAIS: Por que o Boca é o maior alvo de racismo na Argentina?

Porém resolvida essa questão, a negociação desta temporada do Argentino seguiu problemática por conta da mudança de formato. Com a adoção de algo próximo ao calendário europeu, foi oferecido a canais brasileiros a venda de apenas uma metade da competição.

Maidana e Pablo Pérez – Boca Juniors/Divulgação

Na Argentina, o jogo que concentra a atenção de 75% da população do país (a soma das torcidas de Boca e River) vai ser transmitido pelo canal aberto Telefe.

A emissora espera quebrar o recorde de audiência da história do confronto, registrado com um 1×1 em outubro de 2014 no Monumental encharcado de chuva e com os jogadores repartindo patadas: impressionantes 45 pontos de audiência.

No Brasil, ninguém vai ver.

O fim da história é bem conhecido: os brasileiros correm risco de continuar boquiabertos com eliminações para os argentinos na Libertadores e Sul-Americana – e está aí o ''nanico'' Defensa y Justicia, derrubando o ''poderoso'' São Paulo em pleno Morumbi, para reforçar que ignorar o futebol vizinho jamais é bom negócio.


Vale título: cinco motivos para acompanhar Boca x River neste domingo
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Tales Torraga

A Argentina já conta os minutos para as 17h de domingo e para o pontapé inicial de Boca Juniors x River Plate, times cujas torcidas somam 75% da população do país. A partida será na Bombonera e pode encaminhar o título nacional ao clube xeneize.

Esta será a 24ª rodada de um total de 30.

O Boca lidera o torneio com 49 pontos, seguido por Newell's (45) e San Lorenzo (43). O River tem 42 e joga sua cartada final se quiser ser campeão.

Briga no último superclássico na Bombonera – River/Divulgação

Este superclássico é tão especial que até o presidente da Argentina Mauricio Macri, torcedor-símbolo e ex-mandatário do Boca, foi almoçar com os xeneizes na quinta.

Fez um único pedido – que transpirassem a camisa.

A Argentina olha para este embate como ''o maior clássico do mundo'', o que só a mania de grandeza pode afirmar – mas é inegável que Boca e River fazem sempre duelos pegados e com as duas equipes no limite. Neste domingo não vai ser diferente. Listamos cinco outros motivos que tornam esta partida imperdível.

1) GÁS PIMENTA FAZ DOIS ANOS. O mesmo estádio e o mesmo dia. Foi em 14 de maio de 2015 que a torcida do Boca tentou queimar os olhos dos jogadores do River com spray de gás pimenta na volta do intervalo – e em plena Libertadores. Este aniversário já dá o que falar. Haverá remissões ao ataque em campo e fora dele. A Argentina é passadista que só – e está aí a melancolia do país como prova.

Torcedores do River até criaram música: ''Iba 0 a 0, gracias Panadero''.

2) SUPERATAQUES. Tevez e D'Alessandro foram embora e Boca e River melhoraram. O xeneize tem uma delantera de respeito: Pavón, Benedetto e Centurión. O River não fica atrás com sua dupla cuestión de peso formada por Gordo Driussi e Pipa Alario. O Boca marcou 48 gols – dez a mais que o River.

Os dois artilheiros do torneio estarão em campo – Driussi e Benedetto, com 14 gols.

3) SUPERTÉCNICOS. Pelo Boca, El Mellizo Guillermo Barros Schelotto; pelo River, El Muñeco Marcelo Gallardo. São os dois melhores treinadores da Argentina. E brigam por um título inédito. Schelotto ainda não ergueu taça alguma pelo Boca como técnico. E Gallardo, o ''Rey de Copas'', está obcecado em juntar o campeonato nacional às já obtidas Libertadores, Sul-Americana e Recopa.

São a elite da nova geração no continente. Gallardo tem 41 anos; Guillermo, 44.

4) TORCIDAS. Os fanáticos pelo River passaram a semana tirando sarro pela classificação às oitavas-de-final da Libertadores, competição que o Boca não está disputando neste ano. No microcentro portenho surgiu uma bandeira com um porco vendo uma TV, em referência ao Xeneize acompanhar a competição apenas à distância. O jogo na Bombonera vai ter torcida única – e um óbvio revide do Boca.

Em 2013, até interromperam o jogo para lembrar da queda do River à Série B.

Ponzio e Gago – Fernando Gago/Twitter

5) GAGO x PONZIO. O duelo mais quente vai ser entre os dois volantes. Gago já se lesionou com gravidade duas vezes contra o River. E Ponzio, o capanga, o enlouquecido leão das patadas, deve fazer seu último jogo na Bombonera. Aos 35, cogita aposentadoria para dezembro – e a torcida já planeja sua merecida estátua.

A rixa vem do patadón terrible de Ponzio em Gago em plena La Boca em 2014.

Times:

Boca Juniors (4-3-3) – Rossi; Peruzzi, Vergini, Insaurralde e Fabra; Pérez, Gago e Betancur; Pavón, Benedetto e Centurión. Técnico: Guillermo Barros Schelotto

River Plate (4-3-1-2) – 
Batalla; Moreira, Maidana, Quarta e Casco; Fernández, Ponzio e Rojas; Martínez; Driussi e Alario. Técnico: Marcelo Gallardo

Árbitro:
Patricio Loustau

Será a rodada dos clássicos, com também Independiente x Racing, Newell's x Central e Huracán x San Lorenzo, entre outros. A programação completa está aqui.


Time que eliminou o São Paulo já foi assaltado em pleno treinamento
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Tales Torraga

Com a queda do São Paulo para o DyJ, só o 14º entre 30 times no Campeonato Argentino, convém relembrar o que foi publicado aqui no UOL Esporte no último 1º de março, manhã em que a equipe chegou para treinar e foi recebida assim.

DyJ comemora gol no Morumbi – Olé/Reprodução

Clube argentino é invadido por homens armados, e jogadores são assaltados
Da EFE, em Buenos Aires
01/03/2017 – 16h10 

A sede do Defensa y Justicia, da primeira divisão do Campeonato Argentino, foi invadida nesta quarta-feira por quatro homens armados, que chegaram a assaltar diversos jogadores do elenco.

A informação foi confirmada por um dirigente da equipe, sediada na província de Buenos Aires.

''Eram quatro homens armados. Não havia muito o que fazer. Entendemos que eles estavam acompanhando os jogadores na entrada no clube'', afirmou Diego Lemme, diretor do Defensa y Justicia, em entrevista à emissora ''TyC Sports''.

Os bandidos levaram dinheiro, celulares, joias, além da caminhonete do meia Gonzalo Castellani.

Segundo Lemme, os assaltantes fugiram no veículo do jogador. A polícia foi chamada e tomou o depoimento dos integrantes do Defensa y Justicia.

O carro já foi recuperado, de acordo com o dirigente, assim como os pertences de Castellani que estavam no interior da caminhonete.

Ainda de acordo com o relato de Lemme, ninguém ficou ferido durante a ação dos criminosos. O diretor do clube ainda descartou que os envolvidos sejam integrantes de torcida organizada.

***
Aqui, quando apresentamos o DyJ no jogo de ida, o alerta estava mais do que dado: a equipe era difícil de ser batida, pois levara o Boca ao limite na Bombonera, e a classificação no campeonato, então um 22º, era mentirosa.

Defensa y Justicia/Twitter

O São Paulo logo soube – e da pior maneira.

Interessante saber também que o Defensa foi fundado em 1935, e que joga a Primeira Divisão do Argentino apenas desde o segundo semestre de 2014. Seu estádio, o Norberto Tomaghello, comporta só 15.000 pessoas. Muito diferente do Morumbi, que já foi o maior estádio particular do mundo.

Foi só a primeira partida do Defensa no exterior, e impossível ter uma estreia fora do país melhor do que eliminar logo de cara o tricampeão mundial São Paulo!

Oposta é também a maneira de formar os elencos. Enquanto o São Paulo tem jogadores de seleção, como Rodrigo Caio, Christian Cueva e Lucas Pratto, o DyJ compõe boa parte de sua equipe com atletas sem espaço nos clubes grandes da Argentina. Dois grandes exemplos são Bouzat, vindo do Boca, e Kaprof, do River.

Autor do gol do 1×1, Castellani, 29, é um desses. Pertence ao Boca – estava emprestado ao Lanús, mas machucou o joelho e acabou no DyJ.

Seu apelido? CasteD10s. Pobre M1TO.

Torcedor fanático do Newell's, Sebastian Beccacece, técnico do DyJ, saiu com esta: ''Queria ganhar do Sao Paulo desde 1992'', lembrando quando a Lepra perdeu aquela Libertadores no Morumbi nos pênaltis.

Ontem, não precisou cobrar nenhum. Ganhou com a bola rolando mesmo.


Quem é o “Pelé branco” argentino (que só fez quatro gols pela seleção…)
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Tales Torraga

Boca e River se cruzarão às 17h de domingo em novo superclássico na Bombonera. E o inigualável faroeste argentino conta com um protagonista chamado de ''Pelé branco'' até hoje, 30 anos depois de parar de jogar. Estamos falando de Norberto Alonso, El Beto, um dos principais, talvez o maior, ídolo da história do River Plate.

Alonso nasceu em 1953 e foi revelado no River em 1971 pelo técnico Didi – companheiro do Pelé original no Brasil de 1958. E foi o próprio Didi quem primeiro chamou Alonso de ''Pelé branco''. Beto era excepcional no cabeceio, com a esquerda e com a direita – mas havia, claro, enorme diferença para o Pelé legítimo.

O apelido rompeu as fronteiras do Monumental em 1972. Foi quando Alonso fez, contra o Independiente, o gol que Pelé errou contra o Uruguai na Copa de 1970. El Beto deu um drible da vaca no goleiro só com o corpo e empurrou suave para as redes. No dia seguinte, saiu no ''Clarín'', e Alonso virou o ''Pelé branco'' para sempre – e pobre, pobre mesmo, de quem se arriscar a contrariar um portenho mais antigo.

Figurinha de Alonso no Mundial 78 – Reprodução

A grande incoerência do apelido é a evidente diferença de currículo.

Pelé ganhou três Copas e fez 95 gols pela seleção brasileira. Já Alonso foi campeão do Mundial 78 como reserva – e imposto pelos militares, dizem até hoje. Marcou só quatro gols em suas míseras 19 partidas pela seleção argentina.

Uma das razões que o limitou na seleção foi justamente aquilo que o torna ainda maior aos olhos argentinos: o temperamento. Beto foi um calentón como poucos, e seus atritos com o técnico Cesar Luis Menotti o fizeram passar bem longe do selecionado argentino entre 1974 e 1982, quando viveu seu auge.

Em 1983, quando assumiu Carlos Bilardo, Alonso voltou imediatamente à seleção, mas tinha 30 anos e já havia perdido espaço para a geração de Maradona.

A bravura de Alonso era uma delícia para a torcida. Ele revidava o jogo sujo e as agressões do adversário jamais chorando as patadas. Fazia bem diferente: no lance seguinte, já levava a bola para perto do rival para enfrentá-lo e forçar sua expulsão.

E sabia usar os punhos tão bem quanto os pés. Certa vez, em 1984, pelo River, socou a cara de um torcedor do Chacarita que invadiu o claro para lhe sacanear.

Reprodução

Alonso foi Pelé de verdade nas decisões. Era ele a estrela do River que saiu, em 1975, da fila de 18 anos sem título. Foi com dois gols seus que o River venceu o Boca e deu a volta olímpica em plena Bombonera em 1986. ''Poderiam me matar que eu daria a volta olímpica morto mesmo'', comentou anos depois, sobre a chuva de pedras, latas e cadeados que ele e os colegas enfrentaram naquela tarde.

Foi com ele que o River ganhou a Libertadores e o Mundial de 1986, no ato final da brilhante carreira de Beto, que se aposentou aos 33 anos, ''ganhando tudo o que poderia ganhar'', como ele mesmo diz, e ao olhar sua cara de emoção na noite da Libertadores em Núñez não havia mesmo nada mais a acrescentar à sua trajetória.

Alonso campeão em 1986 – La Pagina Millonaria

Tão amado na Argentina vermelha e branca, Alonso inspirou também duas músicas que seguem fazendo grande sucesso ainda hoje.

Uma é ''El anillo del Capitán Beto'', ''O anel do capitão Beto'', dos rocks mais lindos do gênio Luis Alberto El Flaco Spinetta – está aqui, com os gols de Alonso.

Outra canção bastante conhecida é ''Beto'', de Ignacio Copani, esta, cantando que ''depois de Deus, eu acredito é em Alonso''.

A torcida do River fica louca de verdade com este cântico aqui: ''Maradona, Maradona / Maradona se drogó / No como el Beto Alonso / Que se retiró campeón''.

Un génio, El Beto.


Por que o Boca é o maior alvo de racismo na Argentina?
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Tales Torraga

Fora da Argentina, é até difícil de acreditar. Mas os vídeos estão aí. Maior ídolo da história do Boca, Juan Román Riquelme cansou de ser chamado de ''negro feio'' ou ''negro favelado'' em seus tempos de jogador. E Riquelme nem seria considerado negro nos padrões brasileiros – se é que tais padrões deveriam contar para algo.

Com sua torcida abraçando 40% da população da Argentina, o Boca é também – e paradoxalmente – o maior alvo de racismo no futebol local. O último episódio foi dos mais tristes. No sábado, contra o Estudiantes, em La Plata, o lateral colombiano Fabra, 26, foi gravemente insultado pela torcida do Estudiantes a cada vez que pegava na bola, o que fez o Boca emitir um duro comunicado oficial a respeito.

Fabra passou o jogo ouvindo também um adversário lhe falar ''Dale, mono, jugá'', o covarde ''Dá-lhe, macaco, jogue'', o que o fez sair de campo chorando.

Fabra cabisbaixo – La Mitad más Uno/Reprodução

O que é pior, 1: O Estudiantes é tido na Argentina como um clube de exemplos sociais – como o próprio nome, ''Estudantes'', sugere.

E o que é pior, 2: As redes sociais são quase unânimes em apontar uma ''frescura'' de Fabra, que ''aprendeu a ser maricas com Lady Gago'', o volante do Boca.

A Argentina sempre foi aberta a imigrantes, mas na última década sofre com um sintomático fenômeno social: ''Para cá vêm cidadãos bolivianos, paraguaios e peruanos que acabam se matando pelo controle da droga”, afirmou recentemente a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, provocando os protestos desses países.

Daí para os insultos a torcedores e jogadores do popular Boca, um pulo.

Há uma triste tendência em Buenos Aires a colocar nas costas dos imigrantes tudo o que há de errado na capital – e há muita coisa errada, como em toda cidade grande.

Falar disso com os portenhos é, muitas vezes, ouvir derivados do mesmo raciocínio: ''Éramos um país europeu na América e isso despertou toda a inveja da América Latina. Hoje, lamentavelmente, essa Argentina europeia foi invadida pelas nações latinas que trouxeram ignorância, delinquência e mediocridade ao país''.

É demais. Superioridade racial argentina em pleno 2017 (!).

Estar nas arquibancadas em um jogo contra o Boca é desapropriado a sensíveis. ''Não pense mais, vai para a Bolívia que toda sua família está lá'', ''Há que matar todos'' e ''São de Bolívia e Paraguai'' são alguns dos cânticos disparados pelos rivais – e há músicas ainda piores. O ranço é tamanho que há até uma gíria para designar os torcedores do Boca: ''Boliguaios'', a mescla de boliviano e paraguaio.

As punições são tímidas.

O River foi multado e proibido de levar torcida a três jogos visitantes.  Árbitros chegam a parar partidas, e em uma delas o multicampeão Carlos Bianchi, técnico do Boca, ameaçou abandonar o campo – mas ficou no quase, como visto aqui.

Ingenuidade achar que isso ocorre só com o Boca. É igualmente ingênuo achar que a origem italiana da equipe tem a ver. Não. E é esta intolerância crescente que deságua em reações ainda mais violentas – como a ''Noite do Gás Pimenta'' e outros absurdos, e quem lembra do começo do chileno Marcelo Salas sabe bem.

Se até o ''Matador'' e Riquelme, dois craques dos dois maiores clubes, River e Boca, sofreram com isso, imagine os demais. Argentina la tiene complicada, realmente.

* Às 12h03: Fabra negou que tenha sido ofendido pelos jogadores do Estudiantes, como relatado logo depois da partida: ''Não, isso é mentira, foram só os torcedores'', declarou à Rádio Blue. ''Dou graças a Deus e à minha mãe por eu ser negro. Essas ofensas já aconteceram outras vezes aqui na Argentina, mas não dei atenção. No sábado sim, porque escutei bem.''


O que está por trás do suicídio do empresário de Maradona
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Tales Torraga

A notícia golpeou forte o domingo em Buenos Aires. Histórico empresário de Diego Maradona, Jorge Cyterszpiler, 58, foi encontrado morto, caído no terraço do hotel Faena, em Puerto Madero, dos bairros mais visitados pelos turistas na capital.

Arquivo pessoal/Cyterszpiler

A polícia informou que ele atirou-se da janela de um quarto do sétimo andar. E seus parentes confirmaram a seguir que Cyterszpiler passava por um quadro de depressão desde que se separara da esposa, no começo deste ano.

Jorge vinha também sofrendo dificuldades para caminhar, problema que apresentava desde a infância, mas que se agravara nos últimos meses.

Cyterszpiler tinha a companhia de um terapeuta no hotel – em mero momento em que esteve sozinho, tomou a trágica decisão.

O empresário foi um dos personagens mais importantes na trajetória de Maradona. Eram amigos desde 1975, e era Jorge quem levava – ou melhor, pagava para – Diego passear e jantar.  Em 1977, virou seu representante, e foi o pioneiro neste ofício na Argentina. El Ruso e El Diez eram inseparáveis, como narra este perfil.

Jorge em imagem atual – Diario Popular/Reprodução

Acompanhou o craque nas contratações de Argentinos Juniors, Boca, Barcelona e Napoli. Em 1985, um ano depois de Maradona começar a consumir cocaína, o laço foi rompido. Como prova da lealdade aos ''bons tempos'', como ambos costumavam dizer, nem Diego e nem Jorge jamais falaram as causas do afastamento.

Cyterszpiler nos últimos anos ainda agenciou jogadores como Luciano Vietto, Martín Demichelis e Federico Mancuello, hoje no Flamengo.

''Gosto dele, sempre gostei e sempre vou gostar. Não falo mal de Diego. É este meu conceito de amizade. Jamais vai sair da minha boca uma palavra contrária a Maradona'', disse certa vez o seu primeiro empresário.

No mesmo domingo em que Jorge tirava sua própria vida, Diego anunciava que seria o novo técnico do Fujairah, dos Emirados Árabes. Maradona até agora não se pronunciou sobre a morte do amigo, algo que ninguém em Buenos Aires entende.


Para bajular Messi, Argentina convoca até seu ídolo Pablo Aimar
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Tales Torraga

O torcedor brasileiro merece conhecer de perto a real comoção que toma conta da Argentina neste 2017 anterior à Copa do Mundo: a última e a derradeira, o grande ato final da carreira azul e branca de Lionel Messi, que jogaria na Rússia com praticamente 31 anos. Aos 35, ninguém espera sua presença no Catar-2022.

Pois bem: a diretoria da nova AFA está disposta a dar a Lio as chaves não de Buenos Aires ou de Rosário – mas de toda a Argentina. Os cartolas estão desesperados para ele se retirar da seleção finalmente ganhando o Mundial.

(Uma tática covarde para muitos – e pode colocar o blog aí na lista. Trata-se de uma maneira declarada de colocar tudo nos ombros de Messi e lavar as mãos, algo típico de uma Argentina cada vez mais afundada na mediocridade e nos maus costumes e cada vez mais longe da pátria notável de Borges, Sabato e Pérez Esquivel.)

Pablo Aimar e Messi em 2009. Clarín/Reprodução

A designação de Jorge Sampaoli como novo técnico da seleção argentina, daqui a duas semanas, já é uma maneira de agradar Messi, mediante a amizade entre os dois. E há em curso uma nova tática para tocar as fibras sentimentais da Pulga, como Lionel ainda é chamado em Buenos Aires. Seu grande ídolo de infância, Pablo Aimar, notável camisa 10 do River Plate, terá um cargo na comissão técnica sem possuir nenhuma experiência prévia até aqui.

A credencial do Payasito Aimar, hoje 37 anos? Ter sido um enorme jogador e ser uma pessoa das mais cultas, mas não é nada disso que o coloca na seleção. É sim sua relação com Messi, em detrimento de profissionais que seriam certamente mais capacitados para desenvolver qualquer trabalho técnico em uma equipe nacional.

O cargo de Aimar dentro da comitiva de trabalho de Sampaoli ainda está sendo definido. Mera formalidade. Seu papel será mesmo o de injetar ânimo em Messi.

Está claro desde já: é uma loucura concentrar todos os caprichos em Lio sem saber sequer se ele de fato estará na seleção. Sua presença estará sempre pendente por lesão ou suspensão – e vide o que ocorreu no vergonhoso 0x2 Bolívia em La Paz.

Clarín/Reprodução 21.dez.2015

O trecho acima descreve bem a paixão de Messi por Aimar – algo que toda Buenos Aires sabe e espera que o convívio realmente renda primeiro a classificação ao Mundial, para depois sonhar com a conquista conjunta da taça na Rússia.

Messi e Aimar jogaram juntos a Copa do Mundo de 2006, aquela que a Argentina foi eliminada pela Alemanha nas quartas-de-final.

Ambos retomam a dupla agora, 11 anos depois, mas algo não mudou: a Argentina segue destruída pela Alemanha, como em 2010 nas quartas e em 2014 na decisão.

* Às 10h40: Gianni Infantino e Diego Maradona conseguiram derrubar Marcelo Tinelli da AFA – a grande jogada por trás da punição a Messi, como descrevemos aqui logo quando ela foi anunciada, ainda em março. Tinelli caiu em abril, alegando ''problemas de saúde''. Agora em maio, Messi é habilitado a jogar já ante o Uruguai.

''La pelota no dobla'', já dizia o infame Kaiser Passarella…