Patadas y gambetas

Riquelme abre o jogo sobre a vida pós-Boca: “Virei um velho bobo e chorão”
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Tales Torraga

Juan Román Riquelme deu uma entrevista hilária ontem (24) à FOX Sports em Buenos Aires. O maior ídolo da história do Boca está com 38 anos, mas com um comportamento, como reconhece, de ''velho bobo, ranzinza e chorão''.

(Imaginem como é difícil lidar com um ''velhinho'' portenho nessa situação…)

Ele deu sinais disso logo de cara, quando interrompeu o repórter e o corrigiu, um pouco irritado: ''Juan Román Riquelme? Me chame só de Román''.

Gambeteador em campo, Román agora sai distribuindo patadas por aí.

Sem uma bola para correr atrás já há dois anos, o grande desafio de Riquelme agora é lidar com os fãs que lhe transbordam de carinho por onde quer que vá: ''Estou mais sensível depois que parei de jogar. Fui tomar um mate com uma criança que estava na cadeira de rodas e o amigo que estava comigo começou a chorar. Esse dia eu nem comi. E hoje acontece comigo sempre, estou sempre chorando''.

''O torcedor me dá muito carinho, me deixa bem sensível. O volante do Lanús que tatuou um braço por mim…É uma loucura! Fui somente um jogador de futebol com sorte e com companheiros que facilitaram muito a minha vida.''

Riquelme foi cortante também ao falar do que espera da sua vida a partir de agora, sem saber com o que trabalhar: ''O meu trabalho hoje é o mais difícil do mundo, que é ser um bom pai''. Juan é pai de Florencia (16), Agustín (12) e Lola (8).

Román deve ter sua partida despedida na Bombonera em dezembro – e esta vai ser, seguro, uma das maiores comoções coletivas da história recente da Argentina.


1992, aí vamos nós
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Tales Torraga

Na próxima semana vamos abrir uma série de posts especiais para reviver um grande momento da história do futebol argentino: os 25 anos do vice-campeonato do Newell's na Libertadores de 1992. Ao lado do Vélez 1994 e do River 1996, aquele enorme Nils integra a santíssima trindade das equipes do país na década de 1990.

Adiantamos: são incomparáveis as razões que fazem daquele rival do São Paulo de Telê Santana uma referência que segue dando muito o que falar no futebol mundial.

Tanto no banco, com Marcelo Bielsa, que virou El Loco justamente naquela campanha, como em campo, com Berizzo, Pocchetino e Martino, que mais tarde seriam (e são) treinadores de sucesso, aquele Nils é uma fábrica de boas histórias.

Elas vão ajudar a entender também aquela célebre decisão do Morumbi de 25 anos atrás, com depoimentos marcantes de protagonistas como o zagueiro Gamboa, parado por Zetti no pênalti decisivo, ou o excêntrico goleiro-roqueiro El Gringo Scoponi, que – ele sim! – se negou a cortar o cabelo para disputar a Copa de 1998.

No Brasil, quem revive 1992 com brilhantismo e faz o são-paulino chorar de saudades é o pessoal do Projeto Tóquio, que resgata absolutamente tudo daquela temporada tão marcante. Vale la pena conferir (e aplaudir, pois está mesmo demais).

Há muito o que contar – no Morumbi ou em Rosário. Da parte argenta, a constatação é uma só: Rosario siempre estuvo cerca y tu vida transformó la mía, esto es verdad.


Prisão, bebida e doping de Maradona. O louco técnico que mudou Lucas Pratto
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Tales Torraga

Hoje começando a brilhar no São Paulo, Lucas Pratto bem que poderia ter sua carreira cortada com um claro A.C/D.C: Antes de Coco e Depois de Coco Basile.


Em 2013, Pratto disse à revista ''El Gráfico'' que mudou radicalmente sua forma de jogar com Coco Basile, técnico do Boca no curto período do atacante no clube.

“Conhecer o Coco fez daquele semestre um dos mais positivos da minha carreira'', afirmou Pratto, que passou pelo Boca por poucos meses em 2009. O que foi dele depois dali comprova o cartaz de Basile: Pratto evoluiu mais e mais a ponto de ser fundamental na Universidad Católica e no Vélez antes de chegar ao Brasil.

''Basile mudou minha forma de jogar. Antes eu me baseava na força, para mim a jogada precisava terminar em um cruzamento ou um passe ao companheiro quase sempre. O Coco me deu confiança  e eu comecei a me animar, a jogar mais, a procurar o jogo e buscar a finalização com mais decisão'', concluiu.

Os mais velhos ou interessados pela Argentina sabem bem quem foi Alfio Coco Basile. Ex-treinador da seleção, foi sob seu comando, aliás, que a Argentina conquistou seus últimos títulos, o bi da Copa América em 1991 e 1993.

O que poucos no Brasil sabem é que Basile foi um esforçado zagueiro, campeão da Libertadores e do Interclubes com o Racing em 1967. Esforçado e às vezes violento. Em 1971, ao ser expulso, foi preso (!) por um então decreto do general Juan Carlos Onganía, presidente da república que determinou cadeia aos jogadores que levassem cartão vermelho naqueles tempos sombrios de ditadura.

Hoje com 73 anos, Basile encarna a figura do idoso boêmio e que fala sem parar – quase um arquétipo de Buenos Aires. Em um mero passeio pela capital portenha à noite é possível ver centenas de ''Basiles'' perambulando pelos bairros.

A relação de Coco com a noite e com a bebida é tão intensa que ele sempre está na TV com algum tema relacionado ao assunto. Na semana passada, por exemplo, ele apareceu cantando e fazendo as vezes de degustador de whisky.


O jeito fanfarrão que hoje faz a Argentina rir lhe custou o cargo de técnico da seleção. Em 1994, o país todo considerou que o comportamento ''boleiro'' demais de Basile foi responsável pela desorganização que culminou com o doping de Maradona naquela Copa e a eliminação para a Romênia ainda nas oitavas.

No lugar de Basile entrou o seu contrário, o linha-dura Daniel Passarella, que durou até 1998. El Kaiser caiu junto com a até hoje muito sofrida derrota para a Holanda no último minuto das quartas-de-final do Mundial da França.


Magoada com Tevez, maioria da torcida do Boca não o quer de volta da China
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Tales Torraga

Carlitos Tevez mal foi e já pode voltar da China, cravou ontem (21) o diário ''Olé''. E se a intenção do Apache é retornar ao Boca, ele que prepare a cabeça e o ouvido.

A maior parte da torcida do Boca ficou extremamente ofendida com a maneira escolhida por Tevez para deixar a Argentina. Sem uma despedida e sem uma declaração de carinho, ele praticamente fugiu do país antes de fazer um frio anúncio nas redes sociais dizendo que estava acertado com o Shanghai Shenhua.

O pior de tudo foi constatar que sua foto com a camisa do novo clube – forte sinal de negócio fechado – havia sido tirada enquanto ele ainda falava e alimentava a ilusão da torcida de que seguiria no bairro de La Boca.

Prova do desgaste que espera Tevez em Buenos Aires foi dado ontem nas TVs que percorreram as ruas para saber se os torcedores o queriam, e a resposta foi um sonoro ''não'' – em torno de seis ou sete negativas a cada dez consultas.

Impactado com isso, o ''Olé''  hoje colocou em seu site uma enquete para avaliar a temperatura da relação de Tevez com a torcida, e a parcial da pesquisa comprova o que se ouve na capital argentina – la gente anda re caliente con Carlitos.

O tamanho exato da bronca xeneize com o ídolo ainda está por ser descoberto – e as broncas argentinas são como câimbras; elas chegam, te arrebentam e muitas vezes passam sem grandes vestígios, mas não convém brincar com ninguém por esses lados, muito menos com uma casta irascível como a torcida do Boca.

Atualizada 9h09 de quinta (23): A enquete do ''Olé'' terminou com a rejeição a Tevez apontando 53%, o que gerou uma nota no site do diário, esta aqui.


Opinião: Voltou Bielsa. Voltou a loucura
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Tales Torraga

Marcelo Bielsa finalmente voltou. Depois de 18 meses sem trabalhar, vai dirigir de novo na França, mas o Lille – e não o Olympique de Marselha que revolucionou e sugou até a última gota antes de brigar com os dirigentes e sair em agosto de 2015.


A notícia estourou num domingo de calor sufocante em Buenos Aires, termômetro perfeito para a turbulenta relação da capital argentina com o Loco treinador.

Muitos simpatizantes agregaram seu selo pessoal à novidade e até colocaram a famosa geladeirinha de sua fase Olympique como fotos de rede social. Muitos – a maioria, na verdade – criticaram sem parar: O que ele ganhou? Que revolução ele fez? Quanto dinheiro levo se apostar que ele abandona antes da décima rodada?

Bielsa? O louco que tirou a Argentina da Copa de 2002 na primeira fase e não convocou Román Riquelme no auge?

Não, Marcelo não é profeta em sua terra, apenas na Europa, onde é o mentor de Pep Guardiola e de tantos outros discípulos bielsistas como Diego Simeone, Jorge Sampaoli, Mauricio Pocchetino e longa lista a seguir.

O próximo desafio do Loco é, de acordo com os críticos, a prova final de que ele virou a versão europeia de Caruso Lombardi, o famoso treinador argentino salva descenso mais conhecido pelas bizarrices que pelas proezas em campo.

Bielsa vai assumir o Lille em 1° de julho, mas suas ideias vão ser vistas desde agora. Ele já está praticamente acampado nas instalações do clube que ocupa o 14° lugar e luta para não cair no Francês. Seu assistente dos tempos de Marselha, Frank Passi, já é o treinador – uma óbvia e mera interface do Loco com os comandados.

Gérard López, presidente do clube, deixou claro que foi Bielsa quem escolheu o Lille – ''pois tem capacidade de escolher qualquer equipe do mundo'' – e que o projeto apresentado o interessou a ponto de voltar a trabalhar depois de tanto.

O que seduziu Bielsa, só ele vai poder dizer naquelas intermináveis coletivas de imprensa. Mas se sabe de longe que sua motivação é formar jovens jogadores (e futuros treinadores), não assumir gigantes como o Barça, o Real ou o Bayern.

Muito longe de ser coincidência, o Lille acaba de contratar seis atletas de 23 anos ou menos, incluindo o badalado atacante holandês El Ghazi, de 21, ex-Ajax.

Bielsa é famoso por aperfeiçoar e inspirar o seu entorno. Desde os jovens aos astros da seleção argentina, há unanimidade em reconhecer no Loco um nível intelectual muitíssimo acima da média, mas sua personalidade impositiva e exigente é uma bomba-relógio sempre na contagem regressiva e no peito dos seus patrões.

Genialidade + desavenças/peleas + times que jogam de maneira espetacular e que sem alertas viram o fio e deixam de ser o que eram. Este é o Bielsa que o mundo conhece. Resta saber se agora, aos 61 anos, ele vai apresentar algo novo, não ceder ao personagem e trabalhar no altíssimo nível pelo qual é reverenciado.

Foi assim no Newell's, no Vélez, no México, na Espanha, na seleção argentina, na seleção chilena, no Athletic Bilbao e no Olympique de Marselha.

Foi assim até a corda estourar. Bielsa é tão complexo, amado e detonado na mesma medida que os bielsistas portenhos têm até um hino, este aqui, do La Pelotas, ''personalmente creo que todo esto es una locura'', uma música das mais lindas do rock argentino, e só ela já é suficiente para desejar ótima sorte ao Loco. ''A única loucura de Bielsa é o excesso de virtudes'', repete Jorge Valdano, e quem somos nós para discordar do maior filósofo que o futebol argentino e mundial já produziu.


Técnico argentino invade campo e acerta patada em rival em pleno clássico
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Tales Torraga

Das personalidades mais explosivas da Argentina, onde sobram fios desencapados, o técnico Ricardo La Volpe teve, nesta madrugada, mais uma atitude reprovável.

A 15 minutos do fim do clássico mexicano entre Chivas e América, La Volpe entrou em campo com o jogo paralisado e deu uma sorrateira patadita no lateral adversário Jesús Sánchez, que conduzia a bola. O seu América perdia (e perdeu) por 1×0.

La Volpe foi logo expulso, e sua equipe não encontrou forças para superar o Chivas comandado por outro argentino e outro calentón que parece ter encontrado a paz – estamos falando de Matías Jesús El Pelado Almeyda, bandeira viva do River Plate.

El Bigotón Ricardo La Volpe era o goleiro reserva de Fillol no Mundial 1978, e o ''Futebol Portenho'' recentemente subiu um excelente perfil sobre ele. Está aqui.

Ex-treinador de Boca, Vélez e seleção do México, La Volpe, 65, coleciona confusões. A mais grave, quando saiu do Chiapas, clube da cidade de Tuxtla Gutiérrez, acusado de assédio sexual – foi declarado inocente mais tarde.


Quando Buenos Aires torceu por Guga contra os argentinos
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Tales Torraga

O Aberto de Buenos Aires termina neste domingo no Buenos Aires Lawn Tennis Club, o ''Roland Garros portenho'', como o histórico clube gosta de ser chamado.

E uma dessas histórias é também uma das mais bonitas do esporte brasileiro na Argentina, quando Gustavo Kuerten conseguiu a proeza de contar com o apoio da torcida mesmo jogando contra tenistas da casa.

A façanha ocorreu em 2001, ano em que Guga retomou o posto de número um do mundo justamente na frente dos portenhos – que, sem exagero nenhum, enlouqueceram com seu título em cima de José Acasuso, tenista de Misiones, única província argentina a fazer fronteira com a Santa Catarina natal de Kuerten.

GUGA BEIJA TAÇA DO ATP DE BUENOS AIRES EM 2001 – ENRIQUE MARCARIAN /REUTERS

A decisão entre Guga e Acasuso foi um passeio em favor do ''surfista do saibro'': 6/1 e 6/3, em meros 57 minutos. Sem uma partida de equilíbrio, restou aos portenhos degustar a arte de Kuerten em seu auge. Meses depois, ele ganharia Roland Garros pela terceira vez.

''Os argentinos estavam loucos para torcer contra mim. Não poderia fazer movimento exaltado para permitir isso'', comentou Guga à época. ''Tentei também não cometer erros para que Acasuso não crescesse na partida.''

Seu carisma foi especialmente sentido na semana em que venceu também outro argentino – o portenho (!) Guillermo Canãs, nas quartas, por 2 sets a 1.

Como um Vinicius de Moraes de seus tempos, Guga caprichou na arte de conquistar os corações argentinos. Enfatizou a paixão que tanto caracteriza Buenos Aires, dançou até tango, falou sempre um espanhol muy correcto e vibrou:

''Aqui eu ganhei meus primeiros pontos (quando participava de eventos menores) e aqui voltei a ser o número um do mundo. Espero defender meu título''.

Acabou mais aplaudido pelas 5.500 pessoas que lotaram as instalações da calle Olleros que o próprio argentino Acasuso, como destacou a ''Folha de S.Paulo''.

O ''La Nación'' claro, foi mais romântico: ''Buenos Aires curtiu Gustavo Kuerten, que passou a ser o brasileiro mais amado da Argentina. Uma presença cativante, que cumpriu o seu papel: era o favorito e, como tal, levou o troféu a Florianópolis. Um número um diferenciado, amável e simpático, daqueles que servem para seguir acreditando que ainda há superprofissionais que creem no lado puro do esporte''.

Uau.

Ou como dizem os portenhos: guau.

Atualizado 13h13: Uma música que tão bem descreve o triângulo amoroso Guga-Argentina-tênis é esta aqui, hitazo rock-pop de agora dos Caligaris.

Y hoy me voy aunque no quiero
Y que pase lo que tenga que pasar
Y que el tiempo cicatrice las heridas
Que acomode todo en su lugar

Y hoy me voy aunque no quiero
Y aunque duela no lloremos que hace mal
Si vivimos esperando la caída
Ya no podremos volar

¡Te queremos hasta el fin de nuestros dias, Catarina!


Indisciplina de Centurión faz Boca recuar em negociação com o São Paulo
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Tales Torraga

A contratação de Ricardo Centurión foi para a geladeira. O blog apurou em Buenos Aires que a direção do Boca Juniors vai esperar pelo menos duas semanas para decidir se segue na tentativa de negociá-lo em definitivo junto ao São Paulo por US$ 4 milhões (cerca de R$ 12,5 milhões).

A razão da pausa nas tratativas? A semana insana que vive o clube.

Na capital portenha, qualquer comentário sobre o Boca é acompanhado por um ''Boca es un cabaret'' ou ''Boca o quilomboca?'', trocadilho juntando o nome do Boca com ''quilombo'' – ''bagunça ou confusão'', em português.

Como se não bastasse a troca de socos entre seus zagueiros em um treino, nesta quarta-feira foi divulgada uma gravação de Centurión fora de si procurando briga em um hotel em plena concentração do Boca em Mar del Plata.

Centurión estava assim por uma gira na Samsara, famosa balada de Mardel, de acordo com o jornalista Pablo Carrozza. O camisa 10 do Boca estaria alcoolizado, mas não se sabe o que desatou sua ira naquele momento.

O mau comportamento de Centurión é o assunto do dia na Argentina, tanto que foi parar na capa do diário ''Olé'', a referência esportiva do país. Muitos apontam o dedo ao técnico Guilllermo Barros Schelotto, um notório pavio-curto. Calentón como ele é, está longe de conseguir transmitir paz a um elenco à beira da loucura.

Quem trouxe interessantes opiniões sobre Centurión foi José Basualdo, ex-jogador de Boca, Vélez e seleção argentina e hoje treinador desempregado: ''Centurión é uma bomba-relógio. Falo com amigos do Racing e me respondem: 'menos mal que ele foi vendido ao São Paulo'. Não foi Guillermo quem trouxe Centurión, foi a diretoria'', contou Basualdo à FOX Sports.

O veterano pegou pesadíssimo com o 10 do Boca: “Centurión não tem nível mental para saber onde está. Precisam dizer que ele está com a camisa do Boca, precisam localizá-lo porque se ele não gostar, o Boca tem de buscar outro jogador com essas características, porque o Boca não perdoa. O entorno te leva a fazer o que ele faz. Se ele treina duas horas e tem 22 para fazer o que quiser, qual a solução? Se ele não se dá conta e não amadurece? Precisa ter um policial com ele todo o tempo.''

Centurión põe o Boca em xeque numa situação tremendamente típica na Argentina. É um jogador que rende em campo, mas atua de forma desencajada fora dele. Há quem já o compare a Ariel Ortega, mas aí há a óbvia constatação de que Ortega sim era uma estrela, ao contrário de Centurión.

O que é Centurión? Quem ele é? Talvez nem o próprio saiba. Uma pena.

O Boca não perdoa. A Argentina também não.Na capa do ''Olé'' desta quinta, uma ironia com Centurión e o comediante Peter, famoso pelo quadro de TV Peter Capusotto y sus videos.

Em tempo: os zagueiros brigões vão receber do Boca apenas 50% do salário deste mês. Ricky até agora não teve sanção por sus videos.

Proteção? Gente próxima ao Mundo Boca encara esta atitude como fim de paciência e de ciclo no clube – e se é para se desgastar com ele, que seja de uma vez só, devolvendo-o ao São Paulo em junho ou antes.

Até lá, Centurión já sabe: vai ser de bom tom passar por um psicólogo uma vez por semana, como já lhe indicou o Boca.


O maior problema de Verón na volta aos campos? Tirar os colegas do celular
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Tales Torraga

Juan Sebastián Verón atendeu a imprensa ontem (13) no CT do Estudiantes em City Bell, lindo espaço onde o clube faz pré-temporada na cidade de La Plata, a 60 km de Buenos Aires. O presidente-jogador não estava necessariamente relaxado.

Entre as inúmeras funções de sua gestão, uma em especial: tratar o estiramento que sofreu na coxa no fim de janeiro. Verón vai voltar a treinar só na próxima semana.

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VERÓN FALA EM CITY BELL/FERNANDO MASSOBRIO

O físico é o maior obstáculo de Verón, 41, em sua volta aos campos? Nem de longe. E ele surpreende na resposta da pergunta sobre o que tem sido mais difícil nesses dois meses de dia-a-dia com os jogadores e com a comissão técnica.

''O que mais me chocou foi estar na mesa e todos com a cara no celular. Ou estar no vestiário, e que todos estejam pendentes das redes sociais. Isso te choca, mas entendi que hoje a vida é assim'', contou Verón, que se valeu do papel de presidente para mudar os hábitos do uso da tecnologia no Estudiantes.

''Sou da ideia de que é preciso manter algumas questões românticas. Agora, por regra, na mesa e no vestiário não tem celular por uma hora. Gosto de dividir o momento, conversar com os jovens, saber como estão, se estão bem, se estão bravos, se eu posso ajudar. Embora esta medida não tenha ajudado muito a mim'', brincou, rindo e revelando que há resistência quanto à nova regra.

Há, claro, uma gigante diferença de gerações. O volante Santiago Ascacibar, hoje o grande nome do Estudiantes, tem 19 anos e nasceu na mesma temporada em que Verón foi vendido do Boca Juniors para a Fiorentina.

''Hoje eles são muito mais fechados em seu mundo, isso é inegável. Eles têm seu mundo dentro do celular e eu gosto de falar cara a cara. No clube, firmamos nossa postura na educação e isso não se negocia, porque sei que os meninos vão levar esses valores para as suas vidas fora do Estudiantes.''

Verón finaliza brincando com a fama de durão que a nova forma de usar o celular lhe ficou: '' A lenda sempre vai me apontar como ogro ou autoritário, mas eu divido a mesa e o vestiário com os meninos, e não vejo esta distância que imaginam desde fora. Falamos das mulheres, das namoradas…do Facebook, do Twitter…'', ri.

Quem esteve em City Bell e hoje traz um excelente papo com o Verón é o ''La Nación'', jornal com os textos mais bem escritos da Argentina. Está aqui.


Maradona: “Larguei as drogas há 13 anos e hoje sou um homem muito feliz”
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Tales Torraga

Maior jornal da Argentina, o ''Clarín'' publica nesta segunda-feira (13) uma longa entrevista com o eterno El Diez Diego Armando Maradona, hoje com 56 anos.

Entre as habituais polêmicas e provocações sobre a política argentina e sobre sua atuação como dirigente da Fifa, a conversa teve um momento mais humano: Diego falou que hoje é ''um homem muito feliz'', pois está longe das drogas desde 2004.

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CLARÍN/EMMANUEL FERNÁNDEZ

''Não lembro da última vez que usei droga. Faz 13 anos que a larguei e estou muito feliz porque acordo como quero acordar, controlo meus horários, posso ter uma agenda, posso trabalhar, posso ter compromissos com as pessoas, posso cumprir com meus filhos, posso ir ao cemitério ver meu velho e minha velha, e estou em paz com Deus. Me reconciliei com a Igreja com Francisco, que para mim está fazendo um trabalho bárbaro e Deus queira que ele siga. Ele tem todo meu apoio.''

O discurso de Maradona vai na contramão do que temeu a Argentina durante a Olimpíada do ano passado. Diego engatou uma série de entrevistas e atitudes confusas e deu a entender que sua saúde voltava a ter problemas.

''Estou muito feliz. Estou bem com meus filhos. Com minha mulher, Rocío, que eu amo profundamente. Estou bem com as minhas irmãs e com meu neto Benjamín, que é o maior de todos. E também com Dieguito Fernando [seu filho mais novo, de três anos], que é um amor. Quando estava casado, eu perdia os dias festivos da escola das minhas filhas, porque sabia que o tinha que fazer porque senão não entrava dinheiro em casa. Fiquei muito tranquilo ao ver que Dieguito me reconhece. Joguei bola com ele e Benjamín.''

Em paz com a família e com a vida, Maradona está animado em ir a Madri para ver o seu Napoli contra o Real. Mero bate-volta. Ele é esperado em Buenos Aires para acompanhar o nascimento da filha de um amigo já no final de semana.

Diego só perde o tom tranquilo ao detonar, mais uma vez, o técnico Edgardo Bauza e o atacante Mauro Icardi: ''Não quero mais falar com o Patón. Há coisas que se fazem e que não se perdoam'', se referiu à relação de Icardi com Wanda Nara, ex-mulher de Maxi López. ''Quero ver o Bauza perguntando para Messi se ele quer comer na casa de Icardi. Ou que Icardi vá comer na casa de Messi, de Agüero ou de quem seja da seleção depois do que ele fez com o Maxi.''

As críticas maradonianas a Bauza são pela sua visita a Icardi na semana passada na Inter de Milão, onde o atacante tem brilhado. Maurito é dado como certo na convocação da Argentina em março, algo que Diego já atacou mais de uma vez.