Patadas y gambetas

Argentina encaminha acerto com Sampaoli: anúncio deve ser feito em maio
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Tales Torraga

A permanência de Edgardo Bauza na seleção argentina é um feito quase impossível. E com a entrada da nova presidência da AFA, nesta quarta, uma mudança já está em curso: a chegada de Jorge Sampaoli. É esta a informação trazida pelo jornal ''Clarín'', o maior da Argentina e o primeiro a noticiar, por exemplo, que Bauza havia sido o escolhido para assumir a vaga de Tata Martino.

O blog apurou com fontes da AFA que a entidade está decepcionada e com muita bronca de Bauza. Uma frase marcante deslizada por um dos dirigentes define bem o trabalho de Patón até aqui: ''Com ele, a gente tem dor nos olhos e nos ouvidos''.

A dor nos olhos vem do pobre futebol apresentado pela seleção. Bauza, aliás, está na corda-bamba desde tão logo assumiu. Depois da derrota de 3×0 para o Brasil ele já seria sacado, mas a vitória por 3×0 frente à Colômbia, somada à figura de Armando Pérez, que o contratou, nos bastidores da AFA, fizeram com que ele permanecesse. Mas agora, na primeira rodada dupla de Eliminatórias em 2017, ele só ganhou do Chile por um raquítico 1×0 com a ajuda da arbitragem e foi arrasado pela Bolívia em La Paz, em que pese o placar de 2×0.

A dor nos ouvidos vem das suas absurdas declarações, como falar que a ''Argentina vai ser campeã da Copa'', que ''não sabe o que vai fazer depois de ser campeão da Copa, que não haverá mais meta a ser alcançada'', e que a nota da Argentina frente ao Chile ''merecia ser 11 – mais que dez''.

A AFA considera que o discurso de Bauza faz a torcida de boba, justamente o que não quer a associação neste momento de busca de credibilidade e respeito frente também à Fifa que tão duramente suspendeu Lionel Messi.


A escolha por Sampaoli resgata uma velha vontade tanto do treinador quanto da entidade – Jorge só não trocou o Sevilla pela Argentina em Martino por questão de dias e de milhões de dólares – US$ 1,5 milhão, para ser mais preciso, é o valor de sua multa, e a AFA agora não vê outra saída a não ser arcar com este investimento.

Ele, afinal, será menor que o prejuízo da eventual não ida ao Mundial da Rússia.

A AFA trabalha com o anúncio para maio, segundo o ''Clarín'' e o que apurou o blog. A data coincide com o fim da temporada europeia e facilita a negociação com o Sevilla. O trabalho teria o ponto de partida com os amistosos Fifa de junho, com a rodada seguinte das Eliminatórias – Uruguai em Montevidéu e Venezuela a princípio em Buenos Aires – já sob o comando do ex-técnico da seleção chilena que, ironia das ironias, instalou o começo da pior crise da história da Argentina ao derrotar o seu país-natal na decisão da Copa América de 2015 em Santiago.


Como Maradona está por trás da suspensão de Messi
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Tales Torraga

Diego Armando Maradona hoje é embaixador da Fifa, mas não só – seu papel real é quase o de um braço-direito do presidente Gianni Infantino na América do Sul.

Maradona há anos vem brigando muito feio com o apresentador de TV Marcelo Tinelli, que foi recentemente designado como diretor da seleção argentina. ''Se Tinelli continua, vou embora da Fifa'', ameaçou El Diez na semana passada, um dia antes de a Argentina vencer o Chile por 1×0 em Buenos Aires.

Como o mundo todo sabe, a Fifa suspendeu Messi de quatro partidas, e a AFA reconhece que os dois amistosos de data Fifa em junho vão diminuir esta pena. Lio estará apto para os últimos três jogos das Eliminatórias, ante Venezuela, Peru (ambas em casa) e Equador (fora), em 5 de setembro e 5 e 10 de outubro.

E por que impor a Messi um rigor máximo pelo xingamento sequer relatado na ocasião? Por que lhe dar uma pena mais pesada, por exemplo, que a de um jogador que pega uma patada violenta e machuca o adversário?

Porque a Fifa fez questão de passar uma clara mensagem de repúdio com as idas e vindas da AFA nesses últimos nove meses de Comissão Normalizadora. E mais que isso: ela quer marcar território desde o início ao que será o trabalho da dupla Marcelo Tinelli-Chiqui Tapia, diretor e presidente da AFA, que não terão nem de longe o respaldo que os cartolas mundiais brindavam a Julio Grondona, o da profética frase: ''Vocês vão sentir minha falta quando eu não estiver mais aqui''.

E a falta é muito clara desde já. O atrito Maradona-Tinelli é, por unanimidade, a versão mais explorada pela imprensa argentina para o pesado gancho a Messi. El Diez se valeu de seu peso para detonar o trabalho do desafeto.

E Messi? Errou ao se expor à linha de tiro.

José Luis Chilavert, como sempre, não teve meias palavras: ''Messi pagou a vingança da Fifa contra a AFA''.

O repúdio argentino com Maradona é tão forte que ele fez o que costuma fazer em momentos assim. Mandou um áudio ao apresentador de TV e rádio Alejandro Fantino espumando de raiva e negando qualquer interferência no processo.

E como a torcida argentina recebeu esta negativa de Maradona em Buenos Aires? Como a defesa de Patón Bauza em La Paz. Com segurança zero. Cero. Uma partida bisonha que merecia terminar com goleada da Bolívia, que ganhou apenas e tão somente por 2×0. Um papelão histórico. Foi a versão 2017 do que havia sido a Argentina em 1994 contra a Bulgária depois do doping dele, Diego Maradona.


O pessimismo na capital é tamanho que muitos já repetem, sem parar, que sem a presença de Messi a Argentina vai ficar fora da Copa do Mundo e que este será o fim do gênio do Barcelona na seleção. A Copa de 2018, a Copa da glória e do seu adeus, passaria a ser a Copa do desastre e da vergonha de sequer disputá-la.

Que drama, que confusão, que perturbados estão os portenhos com o futebol, che.

Menos mal que as próximas duas partidas das Eliminatórias – Uruguai fora e Venezuela em casa – vão ser só em agosto. Pela temperatura do momento, vai ser quase um milagre (ou um pesadelo?) que Bauza chegue até lá.

Bauza também está brigado com Maradona, que o chamou de ''traidor'' por se reunir com Mauro Icardi. E Patón também levantou suspeitas depois da derrota de La Paz: ''Alguém fez algo muito específico para a punição de Messi ser decidida tão rápido e sem me dar tempo de trabalhar o time sem ele''.

El tiempo no para. A loucura argentina tampouco.


Lamento boliviano
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Tales Torraga

E a Fifa suspendeu Messi por quatro jogos e colocou a classificação da Argentina à Copa de 2018 em risco.

Muchachos, Buenos Aires vive nesta terça um velório parecido ao ''dia em que cortaram as pernas de Diego'' pelo doping em 1994.

Os apresentadores de TV estão enlouquecidos.

Por aqui só resta o ''lamento boliviano'', como já cantavam os Enanitos Verdes.

La Paz? El infierno.

Voltamos depois do jogo, que comentaremos lá no Placar UOL.

Terrible, pero terrible de verdad, eh.


Contra a Bolívia, Messi tenta vencer na altitude pela primeira vez
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Tales Torraga

Lionel Messi, de 1,70 metro, não é amigo da altura. Não a estatura física – mas a altitude que volta a enfrentar às 17h (de Brasília) desta quinta-feira (28) em La Paz, onde a Argentina visita a Bolívia com um histórico mais do que negativo. A azul e branca ganhou apenas e tão somente uma partida na Bolívia nos últimos 38 anos – um 2×1 pela Eliminatórias em 2005, gols de Figueroa e Galleti. Além deste confronto, a Bolívia empatou duas e ganhou três – e acertou quem lembrou do vergonhoso 6×1 de 2009, quando o técnico era Maradona e o craque era Messi.


O gênio do Barcelona jamais venceu uma partida sequer jogando na altitude. Foram cinco, sempre pelas Eliminatórias: duas em La Paz (3.600 metros acima do nível do mar), duas em Quito (2.700) e uma em Bogotá (2.600). Foi na Colômbia, aliás, que fez seu único gol na altura. De cinco partidas, Messi empatou duas e perdeu três.

“É tremendo jogar aqui'', disparou Lio em La Paz depois do 1×1 com a Bolívia em 2013. ''Alguns companheiros sentiram enjoos e dor de cabeça antes do jogo, mas eu não. Só durante o jogo é que passei mal'', concluiu, sobre o vômito em campo.

Messi se dá mal na altitude desde 2007 – um 1×2 contra a Colômbia em Bogotá, quando ele fez o gol. Depois, o 1×6 do 2009 que viu também o 0x2 ante o Equador.

Os últimos dois registros de Messi na altitude não terminaram em derrota, algo que anima a Argentina para hoje. Em 2013, 1×1 em La Paz contra a Bolívia, gol do amigo Banega. Três meses depois, um 1×1 com o Equador em Quito. Messi era reserva e entrou no lugar de Agüero, autor do gol.

Exceto La Pulga, a Argentina vai ser um arremedo de time nesta tarde. A seleção levou um susto com a possibilidade de ele não ser escalado por xingar a arbitragem contra o Chile, mas as informações vindas da AFA não colocam sua participação em dúvida. Mas Patón Bauza igualmente sofre com cinco desfalques: os laterais Mercado e Mas, os volantes Biglia e Mascherano e o atacante Pipita Higuaín.

O time levado a campo será: Romero; Roncaglia, Musacchio, Funes Mori e Rojo; Pérez, Banega, Pizzarro e Di María; Messi e Pratto. Dybala será o trunfo entre os reservas – postal de La Paz, a cena do balão de oxigênio é esperada mais uma vez na tarde/noite na qual a Argentina pode descer da terceira para a sexta colocação nas Eliminatórias. Ojo, eh.


* Atualizado às 7h43: A punição a Messi por insultar o auxiliar brasileiro vai ser mais dura que o imaginado. Fontes da AFA confirmam ao blog que esperam que Lio seja suspenso de duas (!) a quatro partidas (!!) nessas Eliminatórias, mas ele a princípio jogaria hoje em La Paz.

Segundo as mesmas fontes, já há uma negociação nos bastidores que fará Messi se ausentar dessa partida apenas se a comissão técnica entender que ele será mais útil nos confrontos a seguir. A Argentina ainda encara Uruguai (fora), Venezuela (casa), Peru (C) e Equador (F).

** Às 10h30: A Comissão Normalizadora da AFA informou que já recebeu o aviso de que Messi não joga nesta tarde, faltando apenas o documento oficial da Fifa. Sai Lio, entra Correa – mas o fantasma da altura segue.


Argentina já cortou a cara de seu próprio jogador para trapacear a Bolívia
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Tales Torraga

Em 2 de abril de 1997, a Argentina foi a La Paz enfrentar a Bolívia, situação que vai se repetir às 17h (de Brasília) desta terça-feira (28) pelas Eliminatórias da Copa.

Comandada por Daniel Passarella, a Argentina sofria com os altos e baixos, mas não tinha participação ameaçada no Mundial de 1998. O grande sofrimento vinha das declarações do sinistro técnico, que disparou pesadas farpas à Conmebol por permitir jogos na altitude de 3.600 metros de La paz. ''Vamos para uma tarefa desumana'', atirou, fazendo lobby para o fim das partidas na capital boliviana.

El Kaiser Passarella precisou bancar as hostilidades que seu discurso gerou. O estádio Hernando Siles foi uma mistura de formigueiro e panela de pressão, e a Argentina se esqueceu de jogar – preferiu distribuir socos e patadas.

Em um desses choques, o volante argentino Díaz teve o nariz fraturado. Instantes depois, o zagueiro Vivas pegou uma patada covarde e em cheio nos testículos de um jogador boliviano e foi expulso. Era um escândalo atrás do outro. O meia Zapata também levou vermelho e agrediu um boliviano para provocar sua exclusão.

Depois de tanta loucura, o atacante Julio Cruz foi pegar uma bola perto do banco boliviano e levou um soco, violento e covarde, no lado direito do rosto. Passarella então o carregou ao vestiário. Chegando lá, El Kaiser, de notória fobia à imprensa, chamou os fotógrafos para registrar o corte e o sangue na cara do camisa 9.

O soco foi dado no lado direito do seu rosto – e o corte, razoavelmente profundo, no lado esquerdo, em uma situação bastante nebulosa até hoje, 20 anos depois.


Julio Grondona, o todo-poderoso do futebol argentino, logo saiu em defesa de Passarella e de Cruz: ''Ele caiu da maca, desmaiou e cortou o rosto''.

O atacante e o treinador jamais esclareceram o tema publicamente. Passarella inclusive abandonou a entrevista coletiva depois do jogo chamando um repórter de mal-educado por fazer uma pergunta longa demais. Cruz, com a cara cortada, foi rasgado para sempre da seleção de Passarella, que jamais voltou a convocá-lo.

O jornal ''Clarín'' publicou que o corte no rosto de Cruz foi feito pelo então médico da seleção argentina, Luis Seveso, que teria cumprido uma ordem de Passarella – e todos inacreditavelmente erraram o lado do rosto para compor a farsa.

Pegou tão mal que até o governo argentino resolveu investigar e saber se o caso foi armado para tirar vantagem da agressão e pedir os pontos da partida que chegou ao fim depois de mais brigas, até com a polícia: vitória de 2×1 da Bolívia.

Óbvio que o caso logo caiu no esquecimento.

Quem não esquece deste assunto são os portenhos. Eles assumem que a Argentina jogou ''de graça'' a Copa de 1998. Rasgando regulamentos e driblando punições por mais esta trapaça que mancha o brilhante, mas totalmente enlouquecido, futebol da pátria de Di Stéfano e Maradona (e depois ainda viria um certo Messi…).


Análise: Por que o ataque da Argentina é pior que o da Venezuela?
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Tales Torraga

Com só 15 gols marcados em 13 jogos, a Argentina tem o terceiro pior ataque das Eliminatórias, à frente de Paraguai (13) e Bolívia (10) e atrás da Venezuela, com 16!

Como Messi-Agüero-Di María-Higuaín podem estar tão mal assim?


A pobreza do ataque é o maior sintoma da seleção que está se arrastando desde a chegada de Patón Bauza, há seis meses. Se Cavani é o artilheiro com nove gols, Messi, o melhor argentino, tem só quatro. Dois de pênalti, um de falta e um desvio do adversário. O gênio do Barcelona não fez gol finalizando jogadas!

São os trabalhadores comuns, e não os ''quatro fantásticos'', que vêm salvando a Argentina desde o ciclo de Tata Martino. Lucas Biglia fez o gol que deu a vitória sobre a Colômbia em Barranquilla. Otamendi empurrou para as redes e evitou a vergonha histórica que seria perder para a Venezuela. Ramiro Funes Mori marcou contra o Peru. Gabriel Mercado: em Santiago e contra a Bolívia em Córdoba.

Os atacantes? Higuaín, um; Di María, dois; Agüero, nenhum. Lavezzi há tempos ajudou com um; Pratto, há menos tempo, fez dois. Chega. Não tem mais.

Messi é o artilheiro da temporada espanhola. Higuaín é recordista no Calcio. Agüero vinha de uma sequência letal na Inglaterra. Mas na seleção desaparecem. A média das notas do jornal ''La Nación'' dá 4 para Agüero, 5,15 para Di María, 5,33 para Higuaín. Assustador. Contra o Chile, todos correram, brigaram e até assumiram tarefas defensivas. Mas não houve um tecido coletivo que costurasse suas virtudes.

A sensação portenha é que eles não têm de jogar mais. Nem todos. Nem sempre. Nem juntos. Se Dybala estivesse 100%, seria ele o titular contra o Chile. Os ''quatro fantásticos'' já pertencem ao passado. Messi é intocável. Os outros tienen que salir.

Falta gol para a seleção de Messi, Higuaín, Agüero e companhia. Parece uma brincadeira. Mas é bem verdade.

E nem é de hoje. Basta lembrar dos três gols perdidos na final contra a Alemanha em 2014. Ou não ter conseguido marcar nem um mísero gol sequer nas três decisões que foram para a prorrogação – o Mundial e as duas Copas Américas.

Bauza precisa agir. E desde a convocação.

Ou correr o risco de ele, Patón, ser desconvocado.


Bauza é rejeitado por 91% da Argentina, que insinua marmelada por “Me$$i”
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Tales Torraga

A Argentina precisava ganhar do Chile e ganhou por um raquítico 1×0. Mas o humor dos portenhos com a seleção segue péssimo, como há muito tempo não estava – desde o ciclo de Diego Maradona como técnico, ali por 2009 e 2010.

A irritação com o trabalho de Edgardo Bauza é geral. Sintoma disso é a enquete do site do jornal ''Olé'' apontar que 91% dos leitores ficaram descontentes com o desempenho do time contra o Chile. A Argentina sofreu o tempo todo e ganhou com um gol gerado por um pênalti inexistente marcado aos 15 minutos do primeiro tempo. Antes, logo aos sete, o juiz brasileiro Sandro Meira Ricci anulou um gol legal do Chile. E Patón ainda falou que ''a atuação da Argentina merecia nota dez''!

As críticas a Bauza são duríssimas nas ruas e na imprensa. Os principais comunicadores argentinos não mediram palavras para detonar seu trabalho. Alejandro Fantino, apresentador do programa de TV Animales Sueltos, das atrações mais assistidas do país, afirmou que ''pior que isso a Argentina não pode jogar''. Mariano Closs, o ''Galvão Bueno argentino'', bateu forte em Bauza durante todo o jogo e disse que esse time era ''impossível de aplaudir''.

Pior foi o No Todo Pasa, debate da TV TyC: A Argentina ''ganhou roubado e com o time todo pendurado no travessão, rezando para o Chile não empatar''.
Quem também disparou com chumbo grosso – e até por isso retratou bem o ânimo geral com a seleção – foi o técnico Caruso Lombardi: ''O Chile foi muito melhor que a Argentina. O juiz desequilibrou. Não me estranha. A Argentina precisa classificar, isto não me surpreende mesmo eu sendo argentino'', detonou Caruso.

''Vocês acham que Messi não vai à Copa? Se ele não se classifica, dão um jeito de passar oito em vez de seis. Seria uma loucura. Iriam perder muito dinheiro. Levariam na força, como levaram o Maradona para a Copa de 1994.''

Para Lombardi, os únicos que se salvam são Messi, Mascherano, Mercado e Otamendi. ''Todos os outros deveriam ser do futebol local.''

É neste ânimo – ou melhor, desânimo – que a Argentina volta a se concentrar neste fim de semana para enfrentar a Bolívia em La Paz na terça-feira às 17h (de Brasília).

São cinco desfalques: Biglia, Higuaín, Otamendi e Mascherano, suspensos por cartões amarelos, e Mercado, machucado. O outro lateral, Emmanuel Mas, saiu lesionado contra o Chile e também é dúvida.


Obrigado por errar! Só a arbitragem brasileira salva a terrível Argentina
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Tales Torraga

Atropelar o Uruguai foi tão fácil que o Brasil ''resolveu ajudar'' a Argentina.

Pois foi só assim, com uma grande mão do árbitro Sandro Meira Ricci, que a seleção conseguiu ganhar do Chile por 1×0 no puro sofrimento. Sem ideias, sem inspiração, sem nada. Um pênalti inexistente e nada mais. Um horror.

A ajuda foi tão clara que até o ''Olé'' reconheceu que Di María mergulhou no seu penal. Piletazo. Um Piscinão.

Obrigado por errar, brasileiro!, ainda tirou sarro. Não foi a única ajuda – houve também um gol legal do Chile anulado instantes antes. ''Ricci lembrou que está no Monumental'', repetiu mais de uma vez o narrador De Paoli no TyC Sports.

Quem não errou foi Messi, toneladas mais leve depois de converter o pênalti e apagar a bola nos céus que mandou  nos Estados Unidos. O jogo foi um risco permanente para a Argentina durante todo o tempo. A equipe não teve notícias de Messi na segunda metade. Lio mandou um Twitter ou outro no primeiro e só.

Tudo curto, tudo sofrido, nada elaborado.

A torcida esfriou, não respondeu, o retorno da seleção à capital foi dos mais apagados possíveis. Nem parecia Argentina. Nem parecia Buenos Aires.

Na única mudança tática, Agüero saiu para a entrada de Banega, para segurar o resultado, ainda aos 12 minutos do segundo tempo. E o Chile deu um sufoco na Argentina a partir daí, para bom trabalho de Chiquito Romero que se salvou também graças à má pontaria dos atacantes da Roja.

A sensação que transbordou o Monumental nesta quinta foi a de que a Argentina deveria se inspirar de vez no exemplo do espetacular Brasil: colocar o melhor técnico à disposição é uma urgência. E Bauza, apesar da terceira colocação e de estar só atrás de Brasil e Uruguai, dá sinais de ideias escassas e de que o sufoco está longe acabar. Patón conquistou só 11 pontos em 21 possíveis. A terceira colocação está também no crédito do antecessor Martino.

A vitória de hoje, na de Sandro Meira Ricci, pero son cosas que pasan.


Mudo, Messi quer que seu talento fale mais alto para exorcizar o Chile
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Tales Torraga

Chegou a grande noite, a que Buenos Aires implorava para chegar desde o fim do ano passado. O Monumental de Núñez já garantiu lotação máxima para empurrar a seleção argentina para cima do Chile, seu grande carrasco nos últimos anos. A patada inicial deste jogo com clima de final de Copa vai ser às 20h30 (de Brasília).

A Argentina amanheceu determinada a deixar para trás suas páginas mais rasuradas: as das finais das últimas duas Copas Américas perdidas para o Chile. Na segunda delas, ao errar seu pênalti, Messi anunciou que deixaria a seleção. Não era mesmo para levar a sério. La Pulga hoje é a grande esperança da equipe de Bauza que precisa ganhar sí o sí para sair da perturbadora quinta colocação que a deixa na Repescagem para o Mundial da Rússia-2018 (Uma Copa sem Messi!? Pensem!).

Lio está em greve de silêncio com a imprensa argentina por conta do ''caso Lavezzi'', quando um radialista informou em novembro que o atacante estaria fumando maconha na concentração, o que irritou todo o grupo de jogadores. El Diez argentino tem muitos atritos com o Chile. Além de perder seu pênalti, Messi lidou com o absurdo de ter sua família agredida na primeira decisão perdida em Santiago. A rivalidade Argentina x Chile é, já há anos, a mais violenta do continente e envolve até uma mordida de cão e a Guerra das Malvinas.

(Ontem, o jornal ''La Nación'' trouxe um papo com o técnico Claudio Borghi espantado por crianças argentinas dizer que ''vão matar os chilenos''.)

A tensão vai ser gigante também fora de campo. Foram vendidas 2.800 entradas para os torcedores do Chile, mas a polícia de Buenos Aires estima em 8.000 as pessoas do país que estarão, ou tentarão estar, no Monumental de Núñez.

O silêncio de Lio e seus colegas é compensado pelas longas entrevistas de Patón Bauza, que ontem faltou por cerca de 30 minutos e teve de responder se o craque do Barcelona não atua muito abaixo da média quando está sob seu comando, o que o técnico despistou com serenidade e educação.

Messi finalmente volta ao campo do River, onde não atua desde antes da Copa de 2014, em amistoso contra Trinidad e Tobago. O Monumental é tido por muitos como uma ''geladeira'' que nem o astro do Barcelona é capaz de esquentar.

Ele, claro, não estará sozinho nesta noite, na partida que Juan Antonio Pizzi, técnico do Chile, diz ser o grande clássico do continente na atualidade. Com Dybala machucado, Bauza vai escalar os ''quatro fantásticos'' Messi-Agüero-Higuaín-Di María, que jogaram juntos 13 vezes e ganharam dez. Na última vez em que foram a campo, a desastrosa derrota por 3×0 para o Brasil em Belo Horizonte.

Os titulares que vão sair do vestiário Ángel Labruna para o verde césped: Chiquito Romero; Mercado, Otamendi, Rojo e Más; Mara Biglia e El Jefecito Mascherano; La Pulga Messi,  El Kun Agüero e Fideo Di María; Pipita Higuaín.

Todo o picante está servido em uma milanesa que pode descer bem, mas que já causou muita indigestão. É uma partida decisiva, uma ''final de Copa'', como muitos repetem em Buenos Aires. Nem todos, verdade, porque essas noites gigantes são a deixa para derramar no copo uma característica argentina como o vinho: uma mania de grandeza cada vez maior e cada vez mais fora da realidade.

É só ler o jornal ''Olé''. Hoje tem aula! Ay ay ay…


Relembre 5 sufocos argentinos nas Eliminatórias. Agora é a vez de Messi…
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Tales Torraga

Buenos Aires acordou (mais) ansiosa na véspera do duelo crucial contra o Chile, às 20h30 desta quinta, no Monumental de Núñez. Esta é a pior campanha da Argentina na história das Eliminatórias com o atual formato. E o momento de Edgardo Bauza é crítico. Patón conquistou só oito dos 18 pontos que disputou.

Como um tango daqueles bem sofridos e arrastados, a Argentina que hoje está na Repescagem guarda sufocos terríveis nas Eliminatórias. Relembramos cinco deles.

(Preparate, Messi!)

2009. Diego Maradona era o técnico, e a Argentina precisou de um gol milagroso de Palermo contra o Peru, no Monumental empapado de chuva, e outro de Bolatti contra o Uruguai, para se classificar só na última rodada. Maradona foi Maradona – e bem pior que Zagallo e o ''vão ter que me engolir''. El Diez disparou aos jornalistas em plena coletiva de imprensa: ''Que chupem e sigam chupando''. Messi já estava no time, e já era muito questionado pelo desempenho. A equipe na ocasião em Montevidéu: Romero; Otamendi, Schiavi, Demichelis, Heinze; Gutiérrez, Mascherano, Verón, Di María (Monzón); Messi (Tevez) e Higuaín (Bolatti).

1993 (1). A Argentina de Coco Basile era a bicampeã da Copa América e tinha um time sólido, com Redondo, Simeone e Batistuta. Pela frente, a Colômbia de Rincón, Asprilla e Valderrama. O jogo terminou na maior surra sofrida pela Argentina em casa: um absurdo 5×0 que deixou a seleção na Repescagem – que também só foi alcançada graças a um 2×2 no finalzinho entre Peru x Paraguai.

1993 (2). A Argentina enfrentou a Austrália pela Repescagem e ganhou apertado. Foi 1×1 em Sydney e 1×0 no Monumental de Núñez, gol de Batistuta. Maradona revelou anos depois que a Argentina se dopou para jogar esta série – justo ele, Diego, banido do Mundial dos Estados Unidos justamente pelo doping. Aquela Argentina atuou com: Goycochea; Chamot, Vázquez, Ruggeri e MacAllister; Pérez, Redondo, Simeone e Maradona; Batistuta e Balbo (Zapata).

1985. Contra o Peru, no Monumental, uma tarde e noite de chuva que deixaram a Argentina apreensiva até o gol de Gareca aos 36min do segundo tempo. O 2×2 foi dramático, mas suficiente para assegurar a vaga e abrir caminho para o Mundial que a equipe conquistaria no ano seguinte, no México. Passarella, a estrela da classificação, não jogou aquela Copa. Ele suspeita até hoje que tenha sido envenenado pela própria Comissão Técnica. A seleção escalada por Carlos El Narigón Bilardo em Núñez foi: Fillol; Camino (Gareca), Passarella, Trossero e Garré; Giusti, Barbas (Trobbiani), Burruchaga e Maradona; Pasculli e Valdano.

1969. Mas no outro Mundial do México, em 1970, o país sequer se classificou. Foi eliminado pelo mesmo Peru, na Bombonera, que desde então passou a ser um território maldito para a seleção argentina. O Peru era treinado pelo brasileiro Didi, que por conta desta façanha na cancha do Boca foi…contratado pelo River. Foi 2×2, e a Argentina treinada por Adolfo Pedernera tinha: Cejas; Gallo, Perfumo, Albrecht e Marzolini; Rulli, Brindisi, Pachamé e Marcos; Yazalde e Tarabini.