Patadas y Gambetas

O goleiro do Boca que jogava com a camisa do Santos
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Tales Torraga

O ano de 1988 foi marcante para Santos e Boca Juniors. O alvinegro praiano se despediu do impressionante goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez; o clube xeneize fez o mesmo com um ídolo ainda maior e mais duradouro: Loco Gatti, dono e senhor do arco da Bombonera por 12 anos, desde 1976.

O nome de Gatti é Hugo Orlando. Mas não adianta chamá-lo assim. Ele nem o atende, pois loco é loco. Entre muitas outras coisas, o apelido vinha das saídas do gol com os pés e das roupas psicodélicas em tempos de uniformes sóbrios.

Em abril de 1988, Gatti teve a ideia de prender seus longos cabelos loiros com uma bandana cor de rosa. E para combinar com o apetrecho, pediu emprestada ao amigo Rodolfo Rodríguez uma camisa do Santos – prateada e rosa. Un lujo.

Arquivo pessoal/Loco Gatti

Gatti era tão excêntrico – e continuava a sê-lo em 1988, aos 44 anos (!) – que desenvolveu dois hábitos no seu fim de carreira. O primeiro foi usar o número 0, em vez do 1 ou o 12. O segundo ''selo Gatti de ser'' era bem mais bizarro e até difícil de acreditar. Seus aquecimentos incluíam uma sessão de boladas na cara e nos testículos (!!), o que a foto abaixo comprova, em plena Bombonera.

Arquivo/Boca Juniors

O clube mais popular da Argentina sendo defendido por um goleiro com a camisa de um time do Brasil! Alguém consegue imaginar o Alex Muralha, por exemplo, vestindo a vermelha do Independiente e fechando a meta do Flamengo?

Gatti usou a camisa do Santos em pelo menos três partidas na Bombonera em abril de 1988, antes de enjoar do look e optar por outra combinação. O problema é que logo a seguir o Boca também enjoou – mas das suas loucuras. Em setembro, ele falhou ao sair jogando com os pés e o clube perdeu para o nanico Armenio por 1×0.

O lugar de Gatti foi ocupado por um goleiro de 22 anos que herdou também seu gosto para roupas incomuns: o colombiano Navarro Montoya, grande inspiração de Rogério Ceni para a escolha das camisas e para o uso dos pés na saída de bola.

El Mono Navarro Montoya e Loco Gatti / Twitter Montoya

O ''avô'' boleiro do austero Rogério Ceni é Loco Gatti, quem diria…

NO TE VA GUSTAR EM SÃO PAULO – Quem segue o blog sabe bem da energia que une rock e futebol na Argentina e no Uruguai. Então fiquem ligados: o No Te Va Gustar, banda de maior sucesso hoje nos dois países, vai tocar em São Paulo neste domingo (7) no Festival Mucho!, e os detalhes estão todos aqui.

O NTVG é a grande potência do rock do Rio da Prata já há anos. Eles lotaram shows nos estádios do Vélez e do River – coparon até o Centenário!

Son unos grosos terribles y de verdad, eh?! Domingo vai ser o dia perfeito para ''cantar a pesar de las llamas y gritar con todas las ganas''.

Nossa preferida é esta aqui. Yo quiero estar SIEMPRE a la izquierda del cero.


O dia em que Maradona partiu para cima de um torcedor na rua
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Tales Torraga

Entre os inúmeros altos e baixos da vida de Diego Armando Maradona, aquele que gerou mais escândalos em Buenos Aires foi o período que juntou 1991 e 1992.

Este aniversário de 25 anos tem motivado a imprensa portenha a resgatar muitas histórias. E elas mostram como o descontrole maradoniano e como a loucura crônica de Buenos Aires protagonizaram baixarias que hoje seriam impensáveis.

Convém relembrar: Maradona foi preso por porte de cocaína em abril de 1991 na capital argentina. Diego já estava fora do Napoli e sem um clube para seguir a carreira. Foi então quando ele simplesmente surtou. Sempre que saía das suas casas, na Villa Devoto ou em Caballito, bairros abastados da capital, Maradona carregava ovos para atirar nos paparazzi que tornavam sua vida insuportável.

Maradona: ovos em fotógrafos – Reprodução/Gente

Maradona deu tiros com um rifle de ar comprimido nos jornalistas que estavam no portão de sua casa de campo. Mas isso só aconteceu em janeiro de 1994, quando El Diez lutava para entrar em forma e jogar aquele Mundial nos Estados Unidos.

Mas foi em 1992 que Maradona se descontrolou com um torcedor na rua.

Diego estava caminhando pelo microcentro portenho – o equivalente ao centro de qualquer grande cidade brasileira – para ir ao velório do narrador de rádio José María El Gordo Muñoz, o maior da história da Argentina.

Maradona teve seu boné roubado e tentou recuperá-lo, mas foi contido pelos que o acompanhavam. Diego ainda teve a infelicidade de passar por uma manifestação de aposentados, o que aumentou ainda mais a agitação em torno de si.

A reação de Maradona gerou bronca em um dos presentes, revoltado com o fato de o maior jogador da história da Argentina se irritar por um mero boné.

– Diego, por una gorra te cagás?
– Yo me cago porque era un recuerdo, y…qué te pasa?
– Qué te pasa qué?


Ao questionamento, Maradona partiu para cima do torcedor e lhe acertou uma cabeçada – El Diez em troca levou um soco na cara, mas de raspão.

Um canal de TV mostrou tudo ao vivo, e este vídeo está aqui.

O rapaz que levou a cabeçada de Maradona levou também uma história para o resto dos dias. Fica a dúvida: o que seria da vida de Diego se seu auge fosse vivido hoje, com tantos celulares, tanta vigília, tanta gente ocupada só com o que o outro faz?

Que difícil ser Maradona, ¡porfavor!

* Às 10h23: A magia de Diego no Napoli gerou o documentário ''Maradonapoli''. O trailer está aqui, e o filme estreou ontem (1º) na Itália. Vem aí outro vídeo sensacional para fazer com que os mais novos entendam porque os argentinos mais velhos cansam de repetir que Messi jamais chegará nem perto de Maradona.


O ídolo do Palmeiras que enfrentou os militares em plena ditadura argentina
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Tales Torraga

Felipe Melo foi valente? Ou só inconsequente?

Na semana em que o pitbull palmeirense gerou debate no mundo todo, vamos lembrar de um ídolo do clube que teve uma atitude muito mais corajosa do que socar alguém. Estamos falando do atacante argentino Luis Artime – na opinião do blog, o melhor jogador estrangeiro da história do Palmeiras.

(Discordam? Quem foi? Arce? Rincón, Luis Villa, Valdivia?)

Artime chegou a São Paulo aos 29 anos, em 1968. Na Copa de 1966, foi um dos melhores atacantes do mundo ao fazer três dos quatro gols da campanha argentina.

Gols. Artime os fez no Palmeiras com uma frequência de Pelé. Foram absurdos 49 gols em 57 jogos pelo alviverde, uma impressionante média de 0,85 por partida. Em 1969, o artilheiro trocou São Paulo por Montevidéu e foi brilhar no Nacional.

A vida de Artime seguiu próspera pelo Rio da Prata. Em 1979, virou técnico do Atlanta, pequeno clube de Buenos Aires. Foi quando se revoltou com um costume tão frequente quanto desleal: o doping descarado daqueles tempos.

''Cheguei e as mesas do vestiário estavam cheias de seringas. Mandei tudo à merda e disse: 'aqui ninguém põe mais nada, até porque vocês se picaram o ano todo e não serviu para um c……'. E denunciei em entrevistas. Foi um grande escândalo. Não acontecia só no Atlanta, mas sim em todos os clubes. Jogamos um quadrangular e fomos rebaixados'', detalhou Artime à revista ''El Gráfico'' em 2014.

Luis Artime hoje / Foto: T Uruguai

Como a Argentina em 1979 era controlada por militares, Artime foi convocado pelo governo para prestar depoimentos. E justamente por uma das pessoas mais sanguinárias e nefastas daquele regime, o Almirante Carlos Lacoste – que, como revelado décadas depois, chegou a ameaçar de morte o goleiro Pato Fillol.

''O Lacoste me pediu gentilmente que eu não deveria fazer bagunça: 'Luis, melhor que não fale mais', me disse com tranquilidade, mas segui falando, não me calei. Não me assustei. Não pensava muito no que estava fazendo.''

Artime não lidou com os terrores da ditadura, mas foi afastado do futebol em questão de meses: ''Muitos dirigentes e jogadores ficaram bravos. Me processaram, e os atletas pediam para eu ficar quieto. Que eles não queriam ficar sujos, que eles não se drogavam, que tudo era para render melhor. Mas eu tinha medo de algum jogador morrer. E por algo a AFA adotou o exame antidoping a partir de 1980''.

O goleador palmeirense do passado virou persona non grata e foi expelido do futebol de seu país. Artime vive em Buenos Aires e tem 77 anos. Há dez, sofreu um AVC que até hoje compromete sua fala e o deixa com dificuldades de se expressar.

Os que o viram jogar têm outra dificuldade: descrever em palavras o que esse argentino fazia com a bola e com os goleiros de seu tempo.

Julio Meléndez, Luis Artime e Silvio Marzolini – Reprodução/El Gráfico


Campeão paulista em 1977, Oswaldo Brandão é ídolo na Argentina até hoje
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Tales Torraga

Neste fim de semana em que Corinthians e Ponte Preta decidem o Paulista 40 anos depois da célebre final de 1977, o nome do ex-técnico corintiano Oswaldo Brandão vai ser, de novo, muito lembrado.

Mas em Buenos Aires, onde ele também é eterno.

Poucos no Brasil sabem. Mas os portenhos na casa dos 60 anos conhecem em detalhes (e falam sem parar…). Brandão foi campeão argentino pelo Independiente em 1967, há exatas cinco décadas. O Rojo atropelou e fechou a campanha com 87% de aproveitamento – ainda hoje um dos melhores índices da história no país.

Mesmo 28 anos depois de sua morte, Brandão segue, na capital argentina, o indiscutível El Maestro – ''O Mestre'', uma referência de conhecimento e bom futebol. Basta ver o sucesso de hoje e sempre dos treinadores argentinos para ter a perfeita noção do território que Brandão veio, viu e conquistou como ninguém.

Brandão carregado na volta olímpica de 1967 – Arquivo/Independiente

''Oswaldo é um dos grandes ídolos da nossa história e um dos melhores técnicos que passaram por Avellaneda, seguro'', afirma Antonio Lasarte, historiador que cuida do memorial do Independiente. ''É claro que a equipe ganhou Libertadores, Intercontinentais, Mundial, tudo. O Independiente é o Rei de Copas, mas este título do Brandão em 1967 foi muy especial. Todos na Argentina sabem muito bem.''

Contamos: o desfecho foi ainda mais espetacular que a própria campanha. O Independiente ganhou o campeonato com um 4×0 (!) sobre o rival Racing (!!), que acabara de conquistar Libertadores e Mundial (!!!) – daí a adoração por Brandão.

''Era uma pessoa muito especial, de um trato muito fino, vivia elogiando os argentinos. Falava muito bem do time, dos adversários. Brandão foi um cavalheiro [tinha 51 anos à epoca]. É claro que nossas Libertadores tiveram sim a participação dele como alguém que projetou aquilo. Se seguisse aqui, seria ele, Oswaldo, o condutor de tantas Copas que erguemos naqueles tempos'', conclui o historiador.

Um jogador argentino comandado por Brandão é mais sucinto: ''Foi o melhor treinador que tive'', crava o goleador do Independiente em 1967, Luis Artime – um enorme craque que ainda faria história pelo Palmeiras logo a seguir.

A passagem de Brandão pela Argentina é resgatada em detalhes pelo site ''Futebol Portenho'' aqui e aqui.  E o vídeo daquele equipazo do Rojo está aqui.

O histórico treinador teve muitas ofertas para seguir na Argentina. O Independiente, claro, fez de tudo para ele ficar. Outra proposta veio do Boca, mas Brandão começou 1968 como supervisor da seleção brasileira. Depois, treinou o Corinthians.

El Maestro Oswaldo deixou a Argentina, mas indicou o sucessor a um time que o procurou. E deu muito certo. Em 1968, Tim comandou o San Lorenzo ao título argentino invicto. Brandão e Tim são, ainda hoje, os únicos técnicos brasileiros a ganhar o complicadíssimo, enlouquecido mesmo, Campeonato Argentino.


As sete razões que fazem do River o único time 100% nesta Libertadores
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Tales Torraga

Há 32 times na fase de grupos da Libertadores da América. E só um com 100% de aproveitamento: o River Plate, que na noite de ontem (27) venceu o Emelec em plena Guayaquil e de virada: um 2×1 no Equador que fez a equipe comandada por Marcelo Gallardo tornar-se também a maior vencedora da história da Libertadores. Agora são 156 vitórias na competição, contra 155 do Peñarol e 154 do Nacional.

O River fez três partidas, enquanto 22 times já chegaram a quatro jogos. Mas o compromisso a menos não tira o mérito do Millonario, que venceu duas partidas como visitante (além de ontem, também o 3×1 no Independiente na estreia, em Medellín). Además do 100% na Libertadores, o gigante de Núñez tem cinco vitórias e dois empates pelo Argentino em 2017. É hoje o quinto na classificação.

Maidana, Nacho, Quarta, Alario e Batalla; Ponzio, Casco, Pity, Rojas, Moreira e Gordo Driussi

A Argentina branca e vermelha con la banda está em êxtase. ''Es tan perfecto que asusta'', repete a torcida do River, cantando um grande sucesso do grupo de rock Callejeros.  É lugar-comum nas ruas, nas TVs e nas rádios de Buenos Aires: até os times brasileiros, ricos e recheados de craques, observam e temem a versão 2017 da Máquina Millonaria, como os agrandados portenhos já chamam a equipe.

É para ter medo?

O respeito é suficiente, convenhamos, mas dialogar isso com a torcida do Millo é quase impossível – como qualquer outra torcida apaixonada e nas nuvens.

Mas há, sim, sete motivos para olhar para o ''famoso River'' com muita atenção:

1) A VOLTA DE ARIEL ROJAS. O volante campeão pelo River em 2015 retornou ao Millo jogando o seu melhor. Tem fôlego, tem patada (as análises argentinas passam por isso) e sabe o que fazer com a bola – canhoto inteligente, como tanto valoriza Gallardo (ele mesmo um jogador inteligente como poucos, o Muñeco).

2) NACHO FERNÁNDEZ. O parceiro de Rojas na contenção é ainda mais preciso nos passes e na armação. Uma dupla brilhante, Nacho-Rojas. E ainda tem o leão Ponzio como ''capanga'', destruindo os rivais e passando curto para um dos dois.

3) PITY MARTÍNEZ. O tão contestado ''enganche'' agora está brilhando. Outro mérito de Gallardo, que o sustentou enquanto todo o Monumental pedia sua saída.

4) ATAQUE. Pipa Alario e Gordo Driussi resolvem qualquer problema. Na Libertadores, Driussi fez 3 gols; Alario, 2. No Argentino, Driussi é o artilheiro, com 13; Alario tem 9. Driussi tem 21 anos; Alario, 24. Muita técnica e muita coragem.
5) MARTÍNEZ QUARTA. Zagueiro de presença, ótima saída de jogo, gols e…só 20 anos. Outro brilhante achado das canteras do River, a melhor das Américas.

6) BATALLA. É o Pity Martínez de luvas. Todos queriam outro nome no arco millonario, mas Gallardo insistiu e o goleiro de também apenas 20 anos e cria da casa está salvando a equipe – ontem contra o Emelec foi um ótimo exemplo.

7) BANCO DE RESERVAS. Os veteranos atacantes uruguaios Mora e Alonso poderiam ser titulares em muitas equipes – mas estão como suplentes no River. E em paz. Fazem gols importantes e são um trunfo ante qualquer defesa rival.


Como a terapia salvou Centurión no Boca
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Tales Torraga

Emprestado pelo São Paulo, Ricardo Centurión, 24, chegou ao Boca Juniors em agosto do ano passado enfrentando imensa desconfiança. ''Ele não sabe onde está'', diziam os colegas de clube, alertando para sua imaturidade em reconhecer que dali para frente vestiria a camisa do clube mais popular da Argentina, com cerca de 17 milhões de torcedores (40% da população do país).

Os primeiros meses justificaram o raciocínio.

Centurión na Bombonera – Reprodução/Olé

Ricky, como é chamado em Buenos Aires, 1) dirigiu bêbado e bateu seu carro na madrugada na saída de uma boate, 2) teve nudes viralizados e 3) foi flagrado sendo contido pelos jogadores para não brigar na concentração do clube.

Técnico do Boca, Guillermo Barros Schelotto, que trata Centurión quase como um filho, intimou o atacante em fevereiro: ou ele iniciava uma terapia com a psicóloga do clube ou seus dias no Boca estariam contados.

Centurión acatou a ordem, começou a se consultar com a muy famosa Mara Villoslada – psicóloga do Boca há 20 anos – e decolou. Deixou a pecha de jogador desequilibrado para ser pedido até pelas torcidas rivais na seleção argentina (!).

(Sorte do São Paulo, que não vê a hora de vendê-lo ao Boca e receber de US$ 4 milhões a US$ 6 milhões pela transação, algo em torno de R$ 19 milhões.)

O jogador soltou alguns dos detalhes das consultas ontem (25) no TyC Sports, canal da TV portenha. ''Consegui entender o lugar que eu ocupo. Aprendi a ter respeito pelos meus companheiros e pelo corpo técnico e tratei de melhorar algumas coisas portas adentro'', comentou. ''Guillermo está contente comigo pela maneira como passei a trabalhar e como passei a me comportar. Os torcedores me dão muito carinho e me fazem querer estar à altura do clube'', seguiu.

E para os que têm alguma dúvida de ele voltar ao São Paulo, Ricky foi taxativo: ''Estou muito feliz aqui e quero continuar no Boca''.

A prova do ''novo Centurión'' vem sendo dada na recuperação da sua lesão no joelho. Ele sofreu uma entorse de grau 2 no ligamento colateral medial em um treinamento há dez dias. A previsão de retorno era para daqui a seis semanas.

Isso, claro, se ele se dedicasse ao tratamento e não recaísse nas más condutas. E Centurión não só seguiu tudo à risca como melhorou a tal previsão de retorno.

A volta de Ricky já é trabalhada para o Superclássico contra o River Plate na Bombonera no próximo dia 14, exatamente um mês menos que o esperado. Seu nome é dado como certo na primeira convocação de Jorge Sampaoli na seleção argentina – e justamente contra o Brasil, em 9 de junho, em amistoso na Austrália.


18 anos e 1m56: conheça a promessa que salvou o San Lorenzo na Libertadores
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Tales Torraga

O San Lorenzo sofreu, mas está vivo na Libertadores. O Ciclón venceu ontem (25) a Universidad Católica por 2×1 no Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, com o gol da vitória saindo só aos 41 minutos do segundo tempo, proeza de Cristian Barrios, de 18 anos, que com seu 1,56 metro estreou nos profissionais com um gol de cabeça!


O San Lorenzo há muitos meses vem se caracterizando pela pobreza de seu jogo, e ontem não foi diferente. A equipe não tem quem abasteça o ataque. Daí a possibilidade de Cristian Nahuel Barrios entrar no lugar de Fernando Belluschi aos 39min da etapa final e fazer, dois minutos depois, o gol da vitória que salvou também o emprego do técnico uruguaio Diego Aguirre, ex-Inter e Atlético-MG.

Barrios é mais um filhote da inesgotável cantera do futebol argentino. Oriundo de uma das regiões mais violentas de Buenos Aires, o Dock Sud, ele foi recentemente promovido ao time principal depois de começar o ano ainda nos juvenis. Armando o jogo com rara habilidade na posição de ''enganche'' – o ''meia'', no Brasil -, ele é tido pela comissão técnica como possível sucessor do ídolo Pipi Romagnoli.

Enquanto essa possibilidade é mera projeção, os zagueiros do San Lorenzo têm ordem de pegar-lhe duras patadas nos treinamentos para ele acostumar seu 1,56 metro ao jogo brusco que caracteriza as canchas do país: ''Uma patada [do Mussis] quase me matou, mas quero mostrar que o físico não tem nada a ver. Muitos jogadores pequenos são craques. Tem o Buonanotte, o Tevez, o Messi…Só preciso me posicionar bem e saber o que fazer com a bola'', disse Barrios.

Ontem ele soube. Para sorte do San Lorenzo, agora com quatro pontos, empatado com o Atlético-PR – e ainda sonhando em repetir o título de Patón Bauza em 2014.


Técnico do Boca dá chilique, abandona entrevista e discute com torcedores
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Tales Torraga

O Boca Juniors comprovou neste domingo que sente muita falta de Ricky Centurión. Jogando fora de casa contra o Atlético Rafaela, o time ficou em um 0x0 apagadíssimo que pelo menos serviu para conservar a liderança do campeonato. Foi a segunda igualdade seguida do clube depois da lesão de seu principal jogador.

Mas o que ficou da partida não foi o empate em si, e sim o que aconteceu depois. Irritadíssimo, o técnico Guillermo Barros Schelotto deixou todo mundo falando sozinho e abandonou a entrevista coletiva. ''Estão me xingando, assim não posso continuar'', disse e saiu rumo aos vestiários, antes de seguir batendo boca com os torcedores que supostamente estavam destinando insultos a ele.


O vídeo desta enésima confusão na carreira de Schelotto está aqui.

O Campeonato Argentino está imperdível.

A nove rodadas do fim, os cinco primeiros estão separados por só seis pontos – e com três grandes portenhos (Boca, Racing e River) na briga!

Veja a classificação e os jogos que restam a cada um dos candidatos:

1) Boca Juniors (45 pontos)
Arsenal (C), Estudiantes (F), River (C), Newell's (C), Huracán (F), Independiente (C), Aldosivi (F), Olimpo (F) e Unión (C)

2) Newell's Old Boys (42)
Huracán (F), Independiente (C), Rosario Central (C), Boca (F), Olimpo (C), Unión (F), Lanús (C), Belgrano (F) e Godoy Cruz (C)

3) Estudiantes de La Plata (39)
Independiente (F), Boca (C), Gimnasia (C), Olimpo (F), Unión (C), Lanús (F), Belgrano (C), Godoy Cruz (F) e Quilmes (C)

4) Racing (39)
Temperley (F), Gimnasia (C), Independiente (F), Rosario Central (F), San Lorenzo (C), Aldosivi (C), River (F), Colón (C) e Banfield (F)

5) River Plate (39)
Atlético Tucumán (F), Temperley (C), Boca (F), Gimnasia (F), Rosario Central (C), San Lorenzo (F), Racing (C), Aldosivi (C) e Colón (F)

* C = casa / F = fora


Como a filha fez o técnico do momento vencer a bebida e a depressão
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Tales Torraga

A atual safra argentina de técnicos é tão boa que dá para destacar um treinador por semana. E neste recorte atual de tempo o merecido aplauso vai para alguém que superou muitas dificuldades antes de sorrir. Estamos falando de Matías Jesús Almeyda – El Pelado, ''O Careca'' -, ex-volante do River e da seleção argentina.

Matías Almeyda – Divulgação/Chivas

Almeyda, 43, conquistou na noite desta quarta (19) seu terceiro título pelo Chivas, do México. Ao vencer o Morelia nos pênaltis, ergueu pela segunda vez a Copa Mexicana. Sua outra taça foi a Supercopa Mexicana do ano passado.

Tão cabeludo quanto raçudo, Matías ganhou fama no River campeão da Libertadores de 1996. Era excelente. Tanto que formou com Simeone e Verón o triângulo defensivo do meio-campo da seleção nas Copas de 1998 e 2002. Aos 31 anos, cumpriu a promessa de parar de jogar cedo para aproveitar a vida.

Mas ''aproveitar'' foi tudo o que Almeyda não fez.

''Passava os dias sentado no sofá, não levantava para nada. Comecei a brigar com a minha mulher e com a família. Bebia demais. Enxugava o vinho sempre'', descreve El Pelado Matías em sua autobiografia ''Almeyda – Alma y Vida'', dos melhores livros já lançados sobre futebol na Argentina.

A franqueza do personagem ajuda.

Almeyda já estava deprimido. E passou a ter crises de pânico. Em uma delas, estacionou o carro em uma estrada e passou a rastejar pelo acostamento, tamanho o descontrole. No mesmo período, depois de tomar cinco litros de vinho, saiu para correr a pé em sua fazenda. ''Achei que se começasse a suar eu conseguiria eliminar o álcool e me sentir bem. Mas comecei a brigar com um boi e caí. Só fui encontrado pela família e acordado depois de um bom tempo.''

O estalo para Matías mudar de vida veio de um desenho da filha, Sofía, de então sete anos: ''Ela fez a família toda. A mãe era uma rainha. E eu, um leão sem dentes e caído. Ali comecei a terapia. Percebi o quanto machucava todo mundo''.

Almeyda logo aliou a terapia aos medicamentos. Aos poucos, começou a se erguer. Estava aposentado fazia cinco anos. Aos 36, traçou como meta voltar a jogar no River. Procurou o então presidente Daniel Passarella e se ofereceu por custo zero.

Reprodução/Olé – outubro de 2011

''O dia em que fiquei no banco e entrei para jogar os minutos finais foi o dia mais feliz da minha vida'', descreveu.

Almeyda passou a se matar em campo.

Sua raça foi tão marcante que até torcedores rivais o pediam na seleção argentina que disputou a Copa América em casa em 2011. Não foi convocado. Semanas antes, chorou junto com o River pela queda para a Segunda Divisão da Argentina.

Ali, no momento mais crítico do time, pendurou a chuteira e virou técnico. Levou o River de volta à Primeira Divisão. Sofrendo horrores, é verdade, mas nada que abalasse a sequência da sua carreira.

Demitido do River por Passarella de maneira sorrateira, foi para o Banfield, onde ajudou a lapidar jogadores como Cazares e Chávez.

Do Banfield para o México. E para os títulos.

Para as mais bonitas páginas de alguém que soube sair das trevas e ser um grande exemplo a qualquer um que passe pelo mesmo. Sos un león, Matías!

La Nación/Reprodução


O pai caçou Diego e Robinho. E o filho é hoje um dos craques da Argentina
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Tales Torraga

Raúl Cascini. Seu nome diz pouco ao torcedor brasileiro. Mas ele é reverenciado como um dos maiores volantes da história recente do Boca Juniors, campeão da Libertadores de 2003 em cima do Santos e autor do gol de pênalti que deu o Interclubes do mesmo ano contra o Milan do goleiro Dida.

Qualquer um que percorra os arredores da Bombonera e pergunte por Cascini vai ouvir a mesma resposta: ''Aquele que caçou Diego e Robinho''.

Raúl, de fato, foi um volante infernal. Seus críticos dizem que ele não jogava futebol – que era, isso sim, uma máquina de chutar e socar o adversário.

Hoje com 46 anos, Raúl é comentarista da FOX Sports em uma das principais atrações da TV argentina, o programa 90 Minutos de Fútbol, transmitido no almoço.

E mostrando como o passar do tempo é implacável, seu filho, Juan Bautista Cascini, volante do Estudiantes, é apontado como um dos grandes jogadores do futebol argentino na atualidade.

Bau Cascini – Reprodução TV

''Bau'', como é chamado, tem 19 anos. Ontem, mais uma vez, formou a dupla titular de volantes do Estudiantes ao lado de Juan Sebastián Verón. La Brujita deixou o campo no começo do segundo tempo. E Bau Cascini foi até o fim, e acabou escolhido pela TV como melhor homem em campo na vitória de 1×0 do clube de La Plata sobre o Atlético Nacional pela Libertadores.

Cascini pai e filho dividem a discrição. Quando o pibe fez gol no dia do adversário do pai, o comentário do Cascini mais velho na TV foi despiste e deboche.

Vai ser difícil despistar e debochar o que vem a partir de agora.

Bau Cascini tem deixado o excelente Ascacibar no banco e já é tido como um dos substitutos do decadente Mascherano na seleção.

Qualidade não lhe falta. Tem fôlego, poder de marcação e inteligência no passe. E não herdou o jogo brusco do pai. É apontado como digno sucessor de Verón.

E com uma oportunidade que vai fazer toda a diferença: aprender, no dia-a-dia e ao lado, em campo, todos os segredos com seu grande professor.