Patadas y gambetas

Como a terapia salvou Centurión no Boca

Tales Torraga

Emprestado pelo São Paulo, Ricardo Centurión, 24, chegou ao Boca Juniors em agosto do ano passado enfrentando imensa desconfiança. ''Ele não sabe onde está'', diziam os colegas de clube, alertando para sua imaturidade em reconhecer que dali para frente vestiria a camisa do clube mais popular da Argentina, com cerca de 17 milhões de torcedores (40% da população do país).

Os primeiros meses justificaram o raciocínio.

Centurión na Bombonera – Reprodução/Olé

Ricky, como é chamado em Buenos Aires, 1) dirigiu bêbado e bateu seu carro na madrugada na saída de uma boate, 2) teve nudes viralizados e 3) foi flagrado sendo contido pelos jogadores para não brigar na concentração do clube.

Técnico do Boca, Guillermo Barros Schelotto, que trata Centurión quase como um filho, intimou o atacante em fevereiro: ou ele iniciava uma terapia com a psicóloga do clube ou seus dias no Boca estariam contados.

Centurión acatou a ordem, começou a se consultar com a muy famosa Mara Villoslada – psicóloga do Boca há 20 anos – e decolou. Deixou a pecha de jogador desequilibrado para ser pedido até pelas torcidas rivais na seleção argentina (!).

(Sorte do São Paulo, que não vê a hora de vendê-lo ao Boca e receber de US$ 4 milhões a US$ 6 milhões pela transação, algo em torno de R$ 19 milhões.)

O jogador soltou alguns dos detalhes das consultas ontem (25) no TyC Sports, canal da TV portenha. ''Consegui entender o lugar que eu ocupo. Aprendi a ter respeito pelos meus companheiros e pelo corpo técnico e tratei de melhorar algumas coisas portas adentro'', comentou. ''Guillermo está contente comigo pela maneira como passei a trabalhar e como passei a me comportar. Os torcedores me dão muito carinho e me fazem querer estar à altura do clube'', seguiu.

E para os que têm alguma dúvida de ele voltar ao São Paulo, Ricky foi taxativo: ''Estou muito feliz aqui e quero continuar no Boca''.

A prova do ''novo Centurión'' vem sendo dada na recuperação da sua lesão no joelho. Ele sofreu uma entorse de grau 2 no ligamento colateral medial em um treinamento há dez dias. A previsão de retorno era para daqui a seis semanas.

Isso, claro, se ele se dedicasse ao tratamento e não recaísse nas más condutas. E Centurión não só seguiu tudo à risca como melhorou a tal previsão de retorno.

A volta de Ricky já é trabalhada para o Superclássico contra o River Plate na Bombonera no próximo dia 14, exatamente um mês menos que o esperado. Seu nome é dado como certo na primeira convocação de Jorge Sampaoli na seleção argentina – e justamente contra o Brasil, em 9 de junho, em amistoso na Austrália.