Patadas y gambetas

Rival do São Paulo encarou o Boca na Bombonera e já foi assaltado em treino

Tales Torraga

A classificação no Argentino – 22º entre 30 times – chega a enganar. O Defensa y Justicia que às 19h15 de hoje enfrenta o São Paulo pela Sul-Americana é um time difícil de ser batido. E vem de provar isso exatamente contra o líder Boca Juniors, que suou muito para vencê-lo por 1×0 no último sábado em plena Bombonera.


O Defensa chegou a brigar pelo título do Argentino anterior, quando era comandado pelo ex-técnico de hóquei Ariel Holan, hoje no Independiente. O desempenho da equipe – sem posições fixas e com jogadores atuando em múltiplas funções –  ganhou elogios até de Javier Mascherano, que citava o clube da cidade de Florencio Varella, na província de Buenos Aires, como uma versão a ser copiada.

A saída de Holan desmantelou a equipe hoje dirigida por Sebastian Beccacece. Ex-ajudante de Jorge Sampaoli na seleção chilena, tem apenas 36 anos e um marcante look argentino, de cabelos longos e lisos. É tido como um dos galãs do futebol no país e competente treinador da nova safra. Suas equipes se caracterizam pelo toque de bola e pela velocidade. Dos 13 gols marcados pelo Defensa no Argentino, dez saíram dentro da área, sendo quatro de cabeça.


A essência do toque de bola faz com que o artilheiro da equipe no Argentino seja o meio-campista Stefanelli, com quatro gols em dez partidas jogadas. No ataque do Defensa há uma grande promessa: El Tanque Kaprof, 22 anos, cria do River que está emprestado ao clube para ganhar rodagem.

A campanha do Defensa y Justicia no Campeonato Argentino é de 5 vitórias, 5 empates e 7 derrotas em 17 partidas jogadas. São 17 gols sofridos (média exata de 1 por jogo) e 13 marcados. O grande líder da equipe em campo é o ex-seleção Jonás Gutiérrez, descrito com brilhantismo pelo colega Menon neste perfil aqui.

Nada brilhante foi o quilombo que o Defensa atravessou no mês passado. Enquanto treinava, a equipe teve sua sede invadida por ladrões armados que fizeram a limpa nos objetos dos jogadores, levando dinheiro, celulares e até um carro.

O São Paulo leva vantagem na questão campo. O estádio do Defensa y Justicia é um caldeirão insuportável para o adversário onde só cabem 8.000 pessoas.

A partida desta quarta vai ser em Lanús, a cerca de 20 quilômetros da sede do clube, com uma pressão infinitamente menor vinda dos 47.000 lugares das arquibancadas – muitas delas provavelmente vazias, em que pese ser a estreia internacional do Defensa y Justicia em sua história.