Patadas y gambetas

Conmebol suspende Verón, mas Estudiantes tenta sua liberação para hoje
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Tales Torraga

Grande atração argentina do Botafogo x Estudiantes das 21h desta terça-feira no Engenhão, o presidente-jogador Juan Sebastián Verón, de 42 anos, está com sua participação em dúvida. A Conmebol informou na noite passada que La Brujita levou em 2011 uma suspensão de três jogos que ainda precisa ser cumprida.

O episódio ocorreu na eliminação do Estudiantes para o Arsenal na Copa Sul-Americana de 2011. O clube de La Plata venceu por 1×0, mas precisava de um gol a mais para se classificar. Todo o time reclamou de um pênalti que não foi assinalado. Entre eles, Verón, que ''disse coisas muito graves'' já com a partida terminada, escreveu o árbitro argentino Pablo Lunati na súmula.

Esta foi a última partida internacional de Verón, que voltaria às competições do tipo nesta terça-feira, mas a Comissão Disciplinar da Conmebol informou o Estudiantes de que ele não poderá jogar.

O clube alega que as suspensões perdem efeito depois de seis anos, e que no ano passado houve uma anistia geral por ocasião do centenário das competições sul-americanas. O Estudiantes agora espera uma resposta, que pode vir apenas nos instantes prévios da partida de hoje.

* Atualizado às 12h49: A Conmebol confirmou que La Brujita será mesmo desfalque esta noite.

Verón a princípio não seria escalado como titular. Os meio-campistas do Estudiantes que começam a partida desta noite serão Solari, Ascacibar, Damonte e Rodríguez. Na defesa, um grande conhecido dos brasileiros: Leandro Desábato, que se envolveu em escândalo por ofensas racistas a Grafite em 2005 em um São Paulo x Quilmes no Morumbi. El Chavo Desábato chegou a ser preso – e toda a Argentina olhou para a situação como um complô montado pelo São Paulo: ''Terminamos sendo cúmplices de algo que nos deixa mal. Foi uma farsa'', falou o então técnico do Quilmes, Gustavo Alfaro, hoje comandando o outro grande de La Plata, o Gimnasia.


Icardi mete o nariz na seleção argentina e surge como substituto de Pratto
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Tales Torraga

A grande chance que Mauro Icardi vem suplicando há anos na seleção argentina, quem diria, veio no nariz quebrado de Lucas Pratto no sábado contra o Palmeiras.

Não foi casualidade: no domingo, Icardi marcou simplesmente três gols no 7×1 da Inter contra a Atalanta. Repertório completo, Patón. Um de perna esquerda, outro de direita, outro de cabeça. Maurito agora é o argentino com o maior número de gols no Italiano – 20 -, um a mais que Pipita Higuaín, e dois atrás do artilheiro no geral, o belga Mertens, do Napoli.


Pratto já operou o nariz e tem a recuperação monitorada pela comissão técnica de Bauza, que passou o fim de semana já estudando se vale a pena levá-lo para os duelos importantíssimos contra Chile e Bolívia; contra o Chile, em Buenos Aires, na quinta que vem. Ante a Bolívia, em La Paz, na terça seguinte (dia 28).

A Argentina é a quinta nas Eliminatórias, e hoje jogaria a repescagem para o próximo Mundial. A sexta colocada, a Colômbia, está somente um ponto atrás.

A jornada dos próximos dias é duríssima – a Argentina recentemente tem sido uma lamentável freguesa tanto do Chile quanto da altitude da Bolívia.

Por mais que haja uma notória má vontade portenha com Icardi e seu casamento com Wanda Nara, ex-mulher do seu ex-amigo Maxi López, a mal-humorada torcida de Buenos Aires não engole, por exemplo, a convocação de Ezequiel Lavezzi, conformado reserva do Hebei Fortune, da China. Abrir mão dos gols de Icardi é uma loucura inexplicável em uma seleção que tem um ataque apenas melhor que a Venezuela nessas Eliminatórias (14 gols em 12 jogos).

Uma opção para Bauza – que recentemente visitou Icardi em Milão – seria convocar Lucas Alario, do River, para o lugar de Pratto. A tática teria a mera intenção de ganhar a torcida, não de somar tecnicamente à equipe, porque Alario, claramente inferior a Icardi, também está sem ritmo e recém-recuperado de lesão.

Seria imperdível ver Icardi em ação en la cancha de River, com Buenos Aires explodindo em fúria pelo atual momento da seleção. Os próximos dias merecem atenção também com Pratto – que, convenhamos, tem merecido seu espaço no ataque. Bem diferente de Lavezzi, Agüero, Higuaín e Di María, um quarteto que, quando muito, tem seus brilharecos nos clubes, mas cuja ficha de serviços prestados à seleção é pobre – e já deveria ter sido encerrada, segundo muitos.


River propõe, mas Aimar abre mão de jogo de despedida: “Quero paz e livros”
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Tales Torraga

Bem diferente do Brasil, a Argentina tem grande tradição de armar emocionantes partidas de despedidas para os seus ídolos. Quem quiser chorar, que busque no YouTube: há festas inesquecíveis para Maradona, Palermo, Bochini, Alonso, Francescoli e Ortega – para ficarmos só em seis gigantes do futebol argentino.

Já há inclusive mais duas homenagens agendadas. Em maio, o River vai dar adeus ao Torito Fernando Cavenaghi no Monumental; em dezembro, Juan Román Riquelme, maior nome da história do Boca, vai pisar na Bombonera pela última vez.

Quem teve seu jogo de despedida programado – e o recusou! – foi o Payasito Pablo Aimar. Chamado de ''Palhacinho'' pelos sorrisos que arrancava quando fazia magias com a bola, Aimar, hoje 37 anos, foi procurado pelo River para organizar sua homenagem, mas deu uma resposta muito fora do padrão para a maioria dos jogadores de futebol com os egos infladíssimos: ''Não quis. Não sou centro de mesa, não preciso de aplauso ou aceitação. Prefiro ficar em casa, lendo, em paz''.

Aimar é o entrevistado da revista ''El Gráfico'' que acaba de chegar às bancas em Buenos Aires. Ele destrincha sua carreira iniciada aos 17 anos no timaço que o River tinha em 1996, quando tabelava com Sorín, Ortega e Francescoli. Ficou em Núñez até 2001, quando foi contratado pelo Valencia e iniciou a carreira na Europa que incluiu passagens também pelo Zaragoza e pelo Benfica, onde é deus.

Jogava tão bem que virou o ídolo de infância de Messi – e muitos na Argentina garantem que por isso Messi na verdade era torcedor do River, e não do Newell's.

Defendeu a Argentina nas Copas de 2002 e 2006, e sofreu bastante na mão do Brasil. Pelo River, foi atropelado pelo Palmeiras na semifinal da Libertadores de 1999; pela Argentina, amargou o vice contra a seleção brasileira na Copa das Confederações de 2005 e na Copa América de 2007, outras surras (4×1 e 3×0).

As referências de Aimar em sua entrevista são as de uma pessoa bem resolvida e que não costuma olhar para trás. Pai de quatro filhos (um menino de 12 e três meninas de 10, 7 e 4 anos), prefere se concentrar no presente da sua prole em Buenos Aires e naquilo que fixa como um exemplo: os livros, quase um patrimônio cultural dos portenhos que estão, seguro, entre os maiores leitores do mundo.


O vocabulário perfeito e as ideias bastante acima da média põem Aimar como uma referência não só de futebol em Buenos Aires, mas também de bons conteúdos culturais. Tanto que ele foi chamado por uma banda de rock, a La Franela, para participar do clipe de uma música hermosa, Hacer un Puente, esta aqui.

El Payasito também participou de um livro, Pelota de Papel, escrevendo um conto chamado El Maracaná de la Calle España, narrando um gol de letra que fez diante de uma multidão na sua infância.

Apesar da fama erudita e do estilo tranquilo que apregoa, há muitos que indicam que Aimar, na verdade, guarda uma certa mágoa do River e de Marcelo Gallardo pela maneira que foi dispensado do time há dois anos. Em má forma física devido às lesões, ele não foi relacionado para os mata-matas da Libertadores que o River acabou conquistando. Pablo ficou sabendo da exclusão só quando a lista saiu, o que o contrariou, o fez anunciar a aposentadoria e recusar a possibilidade de se despedir da sua hinchada em Núñez. Só para passar o tempo, ele voltou aos campos: defende agora o Estudiantes de Río Cuarto, da província de Córdoba, onde nasceu. O Estudiantes está na Federal A, o equivalente à Série C no Brasil.


Argentina chora com Messi e destroça Di María por novo fracasso em decisão
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Tales Torraga

A Argentina segue falando mais do Barcelona 6×1 Paris Saint-Germain que do próprio recomeço do campeonato nacional. Os barés e cafés de Buenos Aires escolheram dois personagens para destinar todo o amor e ódio que caracterizam (e cansam) o país. O amor da vez vai para Lionel Messi; o ódio, para Ángel Di María.

Messi tem conquistado o respeito dos portenhos por algo que não tem muito a ver com o futebol, e sim com o sentimentalismo barato que era a marca registrada de Diego Maradona. Os argentinos não questionam a capacidade de Lionel, e sim sua timidez, daí os inexplicáveis argumentos de que ''Messi é catalão, não argentino''.

Nesta quarta não foi assim.

Todos se encantaram com a comemoração de Messi subindo no alambrado para festejar o sexto gol com a torcida no Camp Nou, e uma foto de Lio chorando abraçado com Luis Enrique foi a mais circulada pelas redes sociais argentinas.

Quem também aplaudiu bastante esta versão caliente de Messi foi César Luis Menotti, técnico campeão mundial com a Argentina em 1978. ''Ele está no auge. Joga tanto para a equipe quanto para si mesmo. Messi hoje quer ajudar o time, não apenas brilhar sozinho'', declarou o Flaco Menotti à TV.

Se há elogios a Messi – algo que, convenhamos, não são tão comuns nesta relação conflituosa do povo argentino com o jogador -, o contrário é destinado a Ángel Di María, caracterizado por jamais ajudar a seleção em momentos decisivos, e tido como um enorme responsável pela derrota clamorosa do PSG.

A opinião pública a respeito do Fideo, ''O Macarrãozinho'', como é chamado o jogador pela sua magreza, é que ele não tem força emocional para jogar decisões. Por isso se machucou tanto na Copa do Mundo do Brasil quanto nas duas Copas Américas perdidas pela Argentina.  Há até um verbo para definir o que faz Di María: pechear, da gíria ''pecho frío'', destinada àqueles que não esquentam o coração e agem com indiferença ou medo na hora decisiva.

Seu gesto mandando a torcida do Barcelona calar a boca também foi viralizado no país – um claro sinal de não saber o que fazer em finais, segundo a torcida argenta.

Menotti defendeu Di María: ''Ele é o maior contra-atacador do mundo e começou a partida no banco. O PSG teve muito medo. Não foi o Barcelona que ganhou, e sim o Paris que perdeu'', concluiu.

Atualizado às 10h07: Essa dicotomia ''sucesso x fracasso'' é a tônica também de como o Uruguai vive esta semana pós-Barça x PSG. Os uruguaios aplaudiram Suárez por mais um feito em sua carreira, mas destinaram alguns olhares de reprovação para Cavani, tido no país como um jogador limitado e dependente de Suárez na seleção.

Cavani não é exatamente um ''pecho frío'' como a Argentina trata Di María, são poucos em Montevidéu que o consideram assim, mas há uma unanimidade de que ele está longe da bravura demonstrada por tantos emblemas uruguaios.

Ou seja, brasileiros: no Uruguai e na Argentina não basta ganhar. É preciso ser bravo e emotivo, tener huevos y corazón.

* Com Juan Andrés Pollio, de Montevidéu. Gracias, Juan! 


Flamengo faz Argentina sofrer maior vexame no Brasil em seis anos
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Tales Torraga

O Flamengo fez o difícil ficar fácil. Revertendo a expectativa de equilibrio, o Rubro-Negro simplesmente atropelou o San Lorenzo por 4×0 – e seria 5×0 se Guerrero não recuasse o pênalti cobrado para as mãos do goleiro Torrico.

Tais derrotas não são comuns para os times argentinos. É preciso recuar para 2011, com o Cruzeiro 5×0 Estudiantes também da estreia da fase de grupos, para encontrar um outro placar tão elástico. Aquela partida na Arena do Jacaré teve um quê de vingança. O Estudiantes havia conquistado a Libertadores de dois anos antes em cima do Cruzeiro, em pleno Mineirão.

Houve um outro massacre neste período, o 5×2 do Atlético-MG sobre o Arsenal de Sarandí na Libertadores de 2013 conquistada pelo próprio Atlético. Este jogo ficou famoso pela patada criminosa de Bragheri em Ronaldinho.

Sobre ontem à noite, a Argentina encarou o vexame do Ciclón como um sinal de que o time comandado por Diego Aguirre virou o fio. Não houve atribuição de culpa à falta de ritmo (o San Lorenzo não atua oficialmente desde 17 de dezembro), e sim ao fraco desempenho do meio-campo que não parou o Flamengo e não serviu o ataque formado por Botta e Blandi, com a entrada do veterano Berghessio no final.

Houve muitos elogios também à atuação de Diego, comparado pelos argentinos a Maradona – simples brincadeira com os dois camisas 10 terem o mesmo nome.

Terceiro no Campeonato Argentino, o San Lorenzo recebe o Belgrano neste sábado na retomada – aleluia! – do torneio nacional. A rodada completa está aqui.


Opinião: O Brasil que tome cuidado. A crise também é boa para a Argentina
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Tales Torraga

É mesmo um descalabro que os times argentinos abram a Libertadores com tamanha falta de ritmo, tamanha pobreza, tamanha incerteza, tamanha diferença de realidade na comparação com os adversários dos outros países.

Mas isso está longe de ser novidade.

A certeza argentina é conviver com a incerteza, seja ela social, política, econômica ou esportiva. Este é um país atado con alambre. É a terra da gambiarra. O conforto nos gera uma quase repulsa, porque somos así, qué querés que te diga?

Impossível projetar uma Argentina europeia também nos modos e na estrutura. Como bem disse Marcelo Gallardo ao Clarín, ''somos desorganizados e isso parece ser bom''. Não é, é verdade, mas se existe algo que faz a Argentina pegar fogo em qualquer competição esportiva é esta sensação de inferioridade que se transforma na correria alucinada que acaba com a paz  – mas do adversário.

É muito fácil olhar para trás e enxergar exemplos dessa soma tipicamente argentina caos + superação = títulos. O período mais sombrio da história do país, a cruel ditadura que ajoelhou o país até 1983, foi acompanhada do auge do Independiente de Bochini que relegou brasileiros e uruguaios ao segundo escalão da bola.

Mesmo o Mundial de 1986, a Copa de Maradona, só foi erguida depois de inúmeras brigas entre os jogadores e com a imprensa. Esta é uma outra tática argentina: criar antagonismos por onde quer que passe, pois dessas brigas surge a raiva que move os batalhões em busca dos objetivos. Está aí o que deve ocorrer nesta Libertadores. Times desesperados jugando la vida por la Copa justamente para depois, se necessário, até agredir fisicamente os cartolas que deixaram de pagar.

Exagero? Vocês não conhecem a Argentina, muchachos…, lembrem do Boca x Palmeiras do Parque Antarctica em 2001 com todo o vestiário bostero vestindo camisas com insultos aos dirigentes e cantando de todo para eles. Mais um exemplo da insurgência do argentino? O atacante Bufalo Funes levar uma escopeta para o treino do River e receber um treinador linha-dura, Carlos Griguol, aos tiros.

A realidade argentina jamais é bem enxergada sob a ótica brasileira, é bom que isso fique claro desde este momento zero da Libertadores 2017.

Um bom recorte que mostra a força argentina em tempos de caos e de cólera é o auge do Boca de Bianchi, ali por 2000 e 2001, no surgimento do corralito que tirou o dinheiro dos clubes e de todo o país. Cofre vazio? Duas Libertadores e um Mundial. Houve inclusive o cúmulo do absurdo com o San Lorenzo faturando a Mercosul em cima do Flamengo enquanto o país trocava cinco presidentes em uma semana.

Está dado o aviso. Que o Brasil não olhe esta ''marolinha'' argentina de cima para baixo e não suba no salto da crise. É grande o risco de cair dele e ficar chorando depois, como já cansamos de ver nas noites de Morumbi e de Verão, ops, Verón.


Técnicos argentinos programam greve em plena abertura da Libertadores
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Tales Torraga

Primeiro foram os jogadores. Agora são os técnicos que vão se reunir nesta terça (7) em Buenos Aires para decidir se também entram em greve pela falta de pagamento que ajoelha o futebol argentino em plena abertura da Libertadores.

Cerca de 60 treinadores de diferentes divisões vão conversar para decidir o que fazer neste momento tão delicado. A data foi escolhida com critério. Como a Argentina é a maior campeã da história da Libertadores, com 25 conquistas, os técnicos querem usar a semana da abertura a fase de grupos da competição para que suas queixas contra os dirigentes tenham um alcance ainda maior.

A data tem também uma outra função: ser uma pressão indireta para que os treinadores envolvidos na competição continental não larguem a causa nacional.

A medida não impacta em nada na programação das equipes argentinas que disputam a Copa, mas tais conversas entre todos (participantes da Libertadores ou não) certamente vão ser realizadas em Buenos Aires nas próximas semanas para planejar de que maneira os técnicos envolvidos na Libertadores podem usar a situação privilegiada em benefício da questão conjunta na Argentina.

Uma das queixas dos treinadores é a inoperância da ATFA (a Associação de Técnicos do Futebol Argentino), que cruzou os braços diante da crise.

Os argentinos olham para os seus técnicos como os melhores do mundo, e o desempenho de muitos deles na Europa é uma inegável prova de competência. Mas nem esta condição evita vexames como o fato de Tata Martino não ter recebido os salários de técnico da seleção por quatro meses no ano passado.

Os técnicos que estão à frente do movimento desta terça são Julio Falcioni, do Banfield (era do Boca que perdeu a Libertadores 2012 para o Corinthians), Caruso Lombardi (desempregado), Pedro Troglio (Tigre) e Gustavo Alfaro (Gimnasia).


Filho de Gallardo estreia no River. Vem aí o ‘Bonequinho’ Nahuel, 18 anos
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Tales Torraga

Maior técnico da história do River Plate, Marcelo Gallardo, 41, vai ter um desafio extra na temporada 2017: aprender a ser treinador do próprio filho, Nahuel, 18.

Lateral-esquerdo, ele se dedicou desde que calçou as chuteiras pela primeira vez. E neste sábado, no amistoso contra o Talleres, no Monumental de Núñez, estreou pelos profissionais do clube e colaborou com a vitória por 2×1.

Nahuel (em pé, atrás de Ivan Rossi) sob os olhares de Marcelo Gallardo

Gallardo sempre fez questão de tratar os filhos-jogadores com a máxima discrição possível, e foi assim também na partida contra o Talleres. Nahuel, que ficou famoso por ser seu gandula de partidas importantes contra o Boca na Sul-Americana, foi alçado a titular pelas contusões do titular Casco e do reserva imediato Oliveira.

Chamado de ''Muñequito'' (Bonequinho, pois seu pai é o Muñeco, o ''Boneco'' Gallardo), Nahuel cumpriu todas as divisões de base e estava com a segunda equipe do River, chamada na Argentina de ''Reserva''. Ele atua tanto como lateral-esquerdo como defensor, e deve fazer sua estreia oficial na equipe ainda sob o comando de seu pai. Gallardo já afirmou que 2017 será o último de seus quatro anos como técnico do River, clube em que foi craque como atleta e treinador.


Parar de beber. Buscando seu drible mais difícil, Ariel Ortega faz 43 anos
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Tales Torraga

Quem viu Ariel Ortega em campo no começo dos anos 90 sabe bem o que ele foi: um craque de bola tido na Argentina como justo sucessor de Maradona e elogiado até no Brasil – por Zagallo! – como um dos grandes dribladores da história.

Encarador e muy habilidoso, o adolescente Ortega humilhava os zagueiros mais maldosos e era amado por isso por toda a Argentina – até pela torcida do Boca, por exagero que possa parecer.

Aos 17 anos, estreou no River, sob a mão pesada de Daniel Passarella. Aos 19, já tabelava de igual para igual na seleção adulta com Redondo, Simeone, Caniggia, Batistuta e… Maradona, seu companheiro de quarto naquele Mundial 1994.

Não vamos abrir mais as suas feridas, mas é impossível falar de Ortega sem citar que ainda antes dos 20 anos ele caiu nas garras do álcool para sempre.

Mesmo conciliando complicações e tratamentos, jogou outras duas Copas do Mundo. Dói o coração olhar para sua trajetória e ver que mesmo com tantos problemas – e com constantes apelos públicos de sua mãe e suas irmãs que recorriam à TVs e jornais -, Ortega foi capaz de ser o criador de jogo da Argentina, um dos postos mais exclusivos e cobrados do futebol mundial, por simplesmente três Copas do Mundo, as de 1994, 1998 e 2002. Fuiste un pedazo de crá, Burrito.

A coleção de escândalos e as tentativas de voltar a jogar em bom nível são bem parecidas com as do hermano de genialidade e adição, Adriano Imperador.

O implacável fim de carreira chegou para Ortega aos 38 anos, em 2012. Pouco depois, o River, seu berço no futebol, abriu as portas para ele ser embaixador e técnico da base, mas logo veio o triste déjà vu. A bipolar Argentina é cruel para frequentemente viralizar suas recaídas, mas muy amable com o sofrimento da família. ''O Ariel não merece este fim'', foi o apelo de Ana, sua irmã mais velha.

Há também a insuportável rotina de lidar com notícias falsas anunciando sua morte.

Ortega completa hoje 43 anos – com a família em Jujuy e Buenos Aires; com a mulher, as filhas (17 e 9) e o filho (13). Só atrai os holofotes nas viagens organizadas pela torcida do River na Argentina e no exterior para lhe dar forças.

Força, Burrito!

Infelizmente podemos fazer muito pouco, quase nada, com a sua vida. Mas saiba, de coração, que você fez muito pela nossa. Lo queremos por lo que hizo con la nuestra. Sua magia no césped de Núñez nos dá vontade de chorar só de lembrar.

Perdón, no me alcanzan las palabras. Gracias totales por tanto.


Entenda a greve de jogadores que está parando o Campeonato Argentino
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Tales Torraga

''Não se entende o que acontece no país de Messi e de Maradona. E descobrir isso é descobrir a Argentina. Também no congresso, nos tribunais e nos campos. Há sempre uma disputa interna (da interna e da interna…). Até na loja da esquina.''

É perfurante e preciso o olhar do jornal ''La Nación'' sobre a maior crise da história recente do futebol da Argentina e a greve do sindicato de jogadores que está travando o reinício do campeonato marcado para este final de semana.

A bola não rola oficialmente por acá desde 19 de dezembro!

Pérez (Boca), Damonte (Estudiantes), Vergini (Boca) e Gago (Boca) entram em reunião – FOTO: Olé

Vamos repassar cinco itens que ajudam a entender a verdadeira loucura que está agitando bastante a sempre muy loca Argentina nesta sexta-feira:

O CAMPEONATO. O Argentino 2016/2017 já prometia ser o ''torneio dos loucos'' no meio do ano passado. Foram disputadas 14 rodadas entre 26 de agosto e 19 de dezembro. A 15ª estava prevista para 12 de fevereiro e outras datas foram lançadas – todas no vazio. Boca Juniors, Newell's Old Boys e San Lorenzo são os três primeiros. O torneio está praticamente na metade. Restam 16 rodadas para o fim.

O QUE QUEREM OS JOGADORES. O acerto dos salários atrasados. Alguns clubes estão devendo até seis meses de pagamentos aos atletas, que têm recorrido a bicos em pintura e até morando na casa de torcedores. Daí a iniciativa do Sindicato dos Futebolistas da Argentina (FAA) de paralisar a competição. A crise econômica do país é tida como a responsável pela dificuldade de gerar o fluxo de dinheiro Governo-AFA-Clubes-Jogadores e os respectivos compromissos.

O QUE QUEREM OS CLUBES. Que os jogadores aceitem a oferta feita pelas agremiações para retornar ao trabalho. Os atletas querem jogar pelo Campeonato apenas depois do pagamento, o que ainda não ocorreu. Os times ameaçam escalar juvenis para escapar das punições da AFA, a Associação de Futebol Argentino.

O QUE QUER A AFA. Punir – com suspensões ou, piada pronta, multas! – os clubes que não se apresentarem para jogar a 15ª rodada (aqui, completa),  prevista para começar às 19h desta sexta-feira com Central x Godoy Cruz em Rosário. Já há árbitros sorteados, ingressos vendidos e horários de TV a preencher.

E AGORA? O Ministério do Trabalho da Argentina pressiona a AFA (que pressiona os clubes, que pressiona o sindicato…) para cumprir a programação deste final de semana. Há nova reunião AFA-FAA marcada para as 13h desta sexta. O blog apurou que os atletas estão propensos a não aceitar este novo encontro. A ver se terão poder para tal. O grande argumento da AFA é que atrasar o reinício é também atrasar a movimentação financeira que seria gerada pela retomada das partidas.

* Atualizado às 14h57:

1) O Sindicato bateu o pé; os jogadores não abriram novos diálogos e a greve está mantida. Atletas de divisões menores (equivalentes às Séries B e C no Brasil) estão acusando dirigentes de ameaças e assédios.

2) A AFA suspendeu a realização nesta sexta-feira de Central x Godoy Gruz e San Lorenzo x Belgrano. Pelo menos hoje está garantido que o Argentino não recomeça.

3) Cerca de um terço dos clubes quer levar juvenis a campo e escapar das sanções da AFA.  Alguns técnicos – Osella, do Newell's, um deles – dizem que não vão se rebaixar e comandar atletas inferiores. Os treinadores ameaçam até pedir demissão.

4) River e Boca agendaram amistosos para este sábado. Prevenção para obter ritmo de jogo caso a rodada não seja levada adiante.

5) Carlos mais uma vez é Gardel. Tevez, que fugiu da Argentina falando mal de tudo e de todos, estreia domingo pelo Shanghai Shenhua no Campeonato Chinês.

6) Escuta-se a todo momento em Buenos Aires a frase que ficou famosa no pesado 2001 (o do corralito): ''A saída para a Argentina é uma só. O Aeroporto de Ezeiza''.

7) Lojas do microcentro portenho ironizam a situação colando em suas portas o ranking da Fifa com a Argentina na primeira colocação. E ''Vale menos que a tabela da AFA'' é a gíria da vez para chamar algo ou alguém de falso.