Patadas y Gambetas http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br Raça, drama e paixão. Cultura, folclore e história. Turismo, culinária e sociedade. Técnicos, jogadores e torcedores. Cor local, reflexão e informação. Thu, 22 Feb 2018 13:01:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Tevez pinta favela na parede da sua mansão http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/22/tevez-pinta-favela-onde-nasceu-na-parede-de-sua-mansao/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/22/tevez-pinta-favela-onde-nasceu-na-parede-de-sua-mansao/#comments Thu, 22 Feb 2018 12:19:22 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=25186 Carlitos Tevez é, disparado, o jogador em atividade na América do Sul que mais acumulou dinheiro na carreira que já está na 17ª temporada de gols e patadas recebidas por Boca, Corinthians, West Ham, Manchester United, Manchester City, Juventus e pelos chineses do Shanghai Shenhua, onde ganhou R$ 400 mil por dia.

Apesar da fortuna e de morar em uma das casas mais luxuosas de San Isidro, cidade chique que fica colada a Buenos Aires, Carlitos faz questão de sempre relembrar suas origens. E o detalhe mostrado pela revista “Paparazzi” é dos mais saborosos: o astro do Boca simplesmente transformou o Fuerte Apache, favela onde nasceu e viveu até os 15 anos, em um mural na academia de sua mansão.

Pintura da favela onde nasceu Tevez – Revista Paparazzi/Reprodução

A mansão de Tevez é digna da sua fortuna. Segundo a revista, a casa tem garagem para 15 carros e uma boate subterrânea com isolamento acústico para não incomodar os vizinhos.

O camisa 32 do Boca está com 34 anos e já repetiu diversas vezes que só não parou de jogar porque quer ganhar mais uma Libertadores pelo clube antes de se aposentar. Tevez hoje é visto pelos portenhos como praticamente um dirigente do Boca. Realiza diversas campanhas publicitárias e resolve tudo o que bem entende diretamente com o presidente Daniel Angelici, com quem tem relação estreita.

Mas a fama e a proximidade com os poderosos não o impedem, por exemplo, de seguir regando as amizades da infância. Desde que voltou ao Boca, no mês passado, Tevez tem sido encontrado seguidas vezes jogando com os colegas no Fuerte Apache, onde costuma levar o filho Lito, de três anos. Carlitos criou grande polêmica na Argentina ao dizer que faz questão da companhia do filho para “conviver com os meninos de lá e apanhar um pouco, para não desmunhecar“.

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Opinião: O Independiente não joga com o Grêmio, e sim contra o Boca http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/21/opiniao-o-independiente-nao-joga-contra-o-gremio-e-sim-contra-o-boca/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/21/opiniao-o-independiente-nao-joga-contra-o-gremio-e-sim-contra-o-boca/#comments Wed, 21 Feb 2018 13:13:33 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=25158 O Independiente vive uma noite muy especial. Para quem tem sete Libertadores – o maior campeão da história do maior torneio da América -, esta Recopa Sul-Americana não “agregaria valor” no meio de tantas taças importantes.  Quem pensa assim está enganado. Não é a Recopa que está em jogo. É o sabor de voltar a ser o “Rei de Copas” da Argentina e empatar com o Boca Juniors no cume das conquistas internacionais, com 18 troféus. É por isso que uma das primeiras falas do técnico Ariel Holan em Porto Alegre foi “viemos para ganhar ou morrer”.

O Grêmio sim joga por uma taça. Já o Independiente vai guerrear pela sua honra.

Este apelido, Rey de Copas, está colado na história do Independiente, e escrito com sangue vermelho. Não o sangue azul – e ouro – que opacou justamente o período mais obscuro da história do clube de Avellaneda, que precisou esperar 15 anos, da Supercopa de 1995 até a Sul-Americana de 2010, para voltar a dar uma volta olímpica internacional. O Boca, exatamente nesta fase, lotou as suas estantes, e se transformou, na virada do milênio, no que o Indepediente havia sido nos anos 70.

A Recopa desta noite em Porto Alegre pode ser resumida exatamente desta forma para o Independiente. Não é o Grêmio e não é o troféu. É se olhar no espelho e fazer as pazes com o orgulho de ser o maior campeão internacional da Argentina.

Seria o fechamento de um “ciclo virtuoso”.

Desde sua chegada ao clube, o técnico Ariel Holan, criança de arquibancada quando o Independiente dominava a América nas décadas distantes, se esforçou para reconstruir esta mística. Os jogadores passaram a cumprimentar a torcida como nos bons tempos e os antigos ídolos se aproximaram. As vitórias também voltaram ao alcance vermelho. Estancar este fluxo no Sul vai custar ao Grêmio bem mais que bom futebol. Resta saber se ele vai estar à altura de tal sacrifício.

* Atualizado: As razões da superação com um jogador a menos estavam todas aqui…

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Macri favorece o Boca porque quer se reeleger, dispara ídolo do River http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/20/macri-favorece-o-boca-porque-quer-se-reeleger-dispara-idolo-do-river/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/20/macri-favorece-o-boca-porque-quer-se-reeleger-dispara-idolo-do-river/#comments Tue, 20 Feb 2018 12:18:42 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=25110 E a paranoia explodiu de vez na Argentina.

Como o blog tem relatado, o país mergulhou nas suspeitas de um complô pró-Boca – rival do Palmeiras na fase de grupos da Libertadores, é sempre bom lembrar. E tais suspeitas ganharam contornos drásticos com os erros grosseiros de arbitragem que prejudicaram demais o River Plate no 2 a 2 contra o Godoy Cruz no último domingo (18), em pleno Monumental. O estádio contou com público de cerca de 50.000 pessoas, e todas elas verbalizaram sua raiva insultando Mauricio Macri, o hoje presidente da Argentina que foi mandatário do Boca entre 1995 e 2008.

A fúria é tamanha que um dos maiores ídolos da história do clube de Núñez, o ex-meia Beto Alonso, veio a público para dar um depoimento cru e que deve ter muitas consequências na Argentina a partir de agora.

Beto Alonso e Mauricio Macri – Olé/Reprodução

As fortes declarações de Alonso na última noite à Fox Sports foram:

“A ordem para prejudicar o River vem de cima. Do presidente da nação. Tudo volta. Em 2019, teremos eleições. E Macri é torcedor do Boca e governa para o Boca.”

“Beneficiar o Boca não, porque está muito longe do campeonato, mas sim para golpear o River. Querem que chegue destroçado psicologicamente à final da Supercopa Argentina [contra o próprio Boca, em 14 de março] e que não armem um time, porque se os resultados começam a sair, a equipe ganha corpo e evolui. Mas vamos ganhar esta final da Supercopa da mesma forma, que fique claro.”

Alonso insistiu:

“Macri é torcedor do Boca, nada mais. E governa para o Boca. Menem era fanático pelo River, mas nunca o vi levantar um telefone pelo clube. Não vejo Macri, mas você percebe que o único que interessa a ele é o Boca. Eu o conheço. Há ministros que torcem para o River? Sim, mas eles não têm a mesma força. Olho aberto: vão nos jogar na merda, hein?”

Capa do “Olé” nesta terça – Reprodução

“O Boca ganha peidando [gíria grosseira para dizer que vence no sufoco] todos os seus jogos. Mesmo que eles cheguem melhor a esta final, o River vai ganhar.”

A final citada por Alonso é a Supercopa Argentina que será disputada em 14 de março, uma quarta-feira, em jogo único na cidade de Córdoba. A Supercopa cruza o ganhador do último Campeonato Argentino (Boca) contra o vencedor vigente da Copa Argentina (River).

É a primeira vez que os dois maiores clubes do país fazem uma final direta desde o Argentino de 1976, quando deu Boca. O clima em Buenos Aires é terrível, e o Boca x River que se instala desde já faz com que os mais lúcidos realmente temam pela violência que tal decisão pode desatar na capital e em todo o país. Juntas, as torcidas dos dois clubes representam cerca de 70% da população argentina.

O encontro entre Macri e Schelotto – TyC Sports/Reprodução

Macri, pelo visto, não se importa nem com as suspeitas e nem com as críticas. Na tarde desta segunda (19), em plena tempestade de insultos, ele recebeu Guillermo Barros Schelotto, técnico do Boca, na Casa Rosada, a sede do governo.

O jornal “Olé” publicou nesta terça (20) que o encontro entre Macri e Schelotto foi um “mero almoço de amigos que, se cancelado, aí sim criaria suspeitas”.

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Por que os argentinos cantam nos estádios contra o presidente Macri? http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/19/por-que-os-argentinos-cantam-contra-o-presidente-macri-nos-estadios/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/19/por-que-os-argentinos-cantam-contra-o-presidente-macri-nos-estadios/#comments Mon, 19 Feb 2018 12:22:07 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=25077 Nem o 1 a 0 do Boca sobre o Banfield – com gol de Tevez – ou o 2 a 2 do River com o Godoy Cruz, com gol de Pratto. A notícia do esporte nesta segunda (19) em Buenos Aires é o coro das mais de 50.00 pessoas ontem no Monumental de Núñez contra Mauricio Macri, o presidente da Argentina. Nada novo. Só a repetição do que ocorreu há duas semanas no Nuevo Gasómetro, quando um 1 a 1 entre Boca e San Lorenzo desatou uma verdadeira loucura coletiva contra a AFA e contra Macri.

Capa do Olé desta segunda – Reprodução

Como se vê na capa, a arbitragem errou demais contra o River, e a torcida deixou o estádio com uma “raiva monumental”, como repetiam as rádios na maravilhosa noite portenha de calor e de ruas cheias de gente repetindo “Mauricio Macri, la p. que te parió, Mauricio Macri, la p. que te parió“.

É algo inédito na história recente do futebol argentino, tão historicamente ligado às altas esferas da política. Nos governos Kirchner, era comum que aparecessem até bandeiras – pagas – de apoio aos presidentes, e agora o que se vê é uma fúria descontrolada que não parece arrefecer tão cedo.

A razão dos insultos a Macri é o complô pró-Boca que o blog citou logo depois do 1 a 1 do Xeneize contra o San Lorenzo. Os erros de arbitragem contra os concorrentes diretos do Boca e contra o River, como na última Libertadores, fizeram o técnico Marcelo Gallardo explodir de raiva neste domingo: “Vieram para cagar na gente”, como não deixa dúvida a capa do “Olé“.

Macri foi o mandatário do Boca entre 1995 e 2008, e é presidente da Argentina desde 2015. Com ele à frente, o Boca viveu a sua fase mais vencedora – e é claro que os triunfos em campo serviram demais para que ele ganhar também nas urnas. O Boca é o clube mais popular do país, representando cerca de 40% da população que hoje beira os 44 milhões de argentinos.

O que está gerando esta convulsão social é o fato de a nova AFA, eleita no ano passado, ter como presidente um histórico torcedor do Boca, caso de Chiqui Tapia, o hoje mandatário. Para deixar tudo ainda mais concentrado no azul e ouro, o vice de Tapia na associação é Daniel Angelici, atual presidente do Boca.

Como o futebol está respigando negativamente na popularidade de Macri, é bem capaz que ambos – Tapia e Angelici – venham a público dar explicações, algo que até agora não ocorreu de forma séria. Outra grande pergunta daqui para a frente é saber se haverá repressão policial contra os insultos dos portenhos ao presidente.

Em campo, o Campeonato Argentino já está definido, com o Boca nove pontos (40 a 31) à frente do Talleres, o surpreendente segundo colocado. Estamos na 16ª rodada de um total de 27. Fora das quatro linhas, há uma verdadeira guerra pelo poder. Ela está a ponto de explodir. E com consequências impossíveis de prever.

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Neymar é um símbolo da justiça capitalista, analisa Jorge Valdano http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/17/neymar-e-um-simbolo-da-justica-capitalista-analisa-jorge-valdano/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/17/neymar-e-um-simbolo-da-justica-capitalista-analisa-jorge-valdano/#comments Sat, 17 Feb 2018 10:43:25 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=25013 Atacante titular da Argentina campeã da Copa do Mundo de 1986, Jorge Valdano talvez seja o jogador mais inteligente de todos os tempos. Erudito e eloquente ao analisar qualquer assunto, ele é chamado em Buenos Aires de “El Filósofo” – e quem convive com os portenhos sabe perfeitamente o quanto custa a alguém ser reconhecido pelos seus pares de maneira tão elogiosa.

Hoje com 62 anos e vivendo em Madri, onde trabalha como importante comentarista da TV BeIN Sports, Valdano deu, ao jornal argentino “Pagina 12“, interessantes definições sobre as cifras que o futebol movimenta hoje em dia. Para ele, o projeto Neymar-PSG passa por fatores que não são abalados em nada por resultados como o 3 a 1 do Real sobre o time francês na última quarta (14) no Bernabéu.

Jorge Valdano, hoje com 62 anos – Divulgação

Na semana em que muito se falou de mimos, individualismos e valores humanos, o inigualável El Filósofo Valdano nos ajuda a ler Neymar de maneira mais ampla.

Algumas de suas opiniões:

“É curioso que provoque muito mais indignação o valor de um jogador de futebol do que o de um ator de Hollywood. Isso ocorre porque o futebol é um fenômeno para o povo, e porque ele sempre foi subestimado a nível cultural. Sempre está instalada aquela história de que ‘um jogador vale 200 milhões de euros, mas um cientista não tem recursos para investigar isso ou aquilo’. Ao capitalismo, ou lhe aceitamos tudo ou buscamos outra ideologia que o suplante. O que ocorre com Neymar, com Cristiano Ronaldo ou com Messi não é nada mais do que a estrita justiça capitalista. São jogadores que produzem muitíssimo e que, por isso, ganham muitíssimo.”

“O futebol segue tendo a fragilidade de estar sempre submetido ao valor de uma bola [Sobre os resultados em campo]. Mas hoje há muito mais dinheiro que talento. Isso produz uma inflação evidente. Os grandes empresários já entenderam que esse é um jogo de heróis, e que nos tempos de hoje um jogador extraordinário vale mais que um bom jogo ou um bom resultado. Essa é uma das aberrações decorrentes do negócio. Quando se contrata um jogador de futebol, se contrata também alguém para o respectivo departamento de marketing produzir benefícios coerentes com o preço. E não é só vendendo camisetas que se recupera isso. É também com contratos de televisão, com a marca que veste a equipe e com a quantidade de empresas que querem se associar à instituição. No fim, esses grandes personagens te devolvem o preço.”

Valdano e Maradona em 1986 – Instagram Maradona

“A sensação é que o dinheiro ocupa um lugar cada vez maior. E ele representa os benefícios e as taras da globalização. Entre os benefícios, podemos encontrar que o futebol se universalizou mais que nunca. Antes, o negócio se definia no estádio, e agora é gerenciado desde canais infinitos que aproximam o apaixonado do mundo todo a torcer por times de cidades que nunca visitaram. E a parte ruim é a lei do galinheiro que sempre definiu o capitalismo mais feroz: a galinha de cima caga na de baixo. Os maiores estão cada vez maiores. E os menores, cada vez menores.”

“É impossível deixar de acompanhar o futebol. Por muito que a gente crie um refúgio, o futebol é um fenômeno que ocupa um espaço cada vez maior nos dias atuais. Na mídia, nas pessoas, em todos os lados. Vemos jogos permanentemente. Da minha parte, não preciso buscar nada em outro lugar, porque me adaptei à nova situação. As coisas que gosto, defendo. As que não gosto, as critico.”

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‘Pude roubar ou me drogar, mas escolhi o futebol’, diz Centurión http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/16/pude-roubar-ou-me-drogar-mas-escolhi-o-futebol-diz-centurion/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/16/pude-roubar-ou-me-drogar-mas-escolhi-o-futebol-diz-centurion/#comments Fri, 16 Feb 2018 11:29:11 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=24974 O ex-são-paulino Ricardo Centurión voltou a ser aquele que a torcida do Racing se acostumou a ver: um jogador rápido, habilidoso e cheio de coragem. O seu bom momento na equipe o coloca também como um prato cheio para os meios de comunicação que exploram a sua sinuosa história de vida – e um desses relatos, dado à Rádio Mitre, nesta semana, em Buenos Aires, é mesmo para se registrar.

Essas são algumas das lembranças de Centurión, de 25 anos e 2.500 dificuldades:

Centurión no Cilindro, estádio do Racing – Olé/Reprodução

“A Villa Luján [favela onde nasceu] é muito importante para mim, nunca vou esquecer de onde saí, mas já não posso ir mais para lá. As pessoas de lá me veem como símbolo de dinheiro, mas, que engraçado, ainda me têm como o Centurión do bairro. Não entendem que eu cresci e segui minha vida em outros lugares. Desejo o melhor para eles, quero que todos se deem bem. Não estou ausente, não os desprezo, não é absolutamente nada disso. Eu só estou levando a minha vida, com as minhas obrigações que a rotina de hoje exige.”

“Devo muito à minha avó, Yaya, que me levou pela mão para fazer testes no Racing quando eu era criança. Meu pai morreu quando eu tinha cinco anos. Antes, eu morria de vergonha quando minha mãe ia ao estádio. Eu ficava paralisado. De verdade. Tinha bloqueio. Só estava acostumado com a minha avó. Agora, não.”

“Pude roubar ou me drogar, mas escolhi o caminho do futebol. A minha mãe se matava trabalhando o dia inteiro em um hotel para levar uma p… de um pão para casa, então por isso também me esforcei tanto.”

“O golpe mais duro da minha infância foi quando estava nos aspirantes do Racing e um amigo de infância morreu massacrado em uma briga de bairro. Era uma madrugada de segunda-feira. Ele perdeu a vida dele e a minha mudou em todos os sentidos. De vez em quando vou vê-lo no cemitério quando posso e quando estou bem. Quando alguém está na favela e quer crescer, a sociedade mesma não te deixa e te julga. Você precisa ser muito forte para sair dela.”

“A melhor decisão foi voltar ao Racing. Eu me sinto em casa. Sabia que ia me adaptar muito rápido. Não quero falhar a mim mesmo, ao clube, à minha família e às pessoas que confiaram em mim. Aqui estou cômodo e me sinto bem. Termino o treino e vou tomar mate com as pessoas e conversar. Isso me deixa contente.”

“O mundo Boca é terrível, porque ele triplica tudo o que você faz, de bom e de ruim. E isso eu não entendi ou não quis ver quando estava lá. Sigo falando com Gago, com Bou, com Pérez, com Benedetto, mas com Tevez não.”

“Erros, todos nós cometemos. Hoje, trato de escolher melhor as pessoas com as quais convivo. O que tento hoje é ficar tranquilo e não ser refém do que passou.”

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Vídeo do São Paulo cria problema gigante para Pratto no River http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/15/video-do-sao-paulo-cria-um-problema-gigante-a-pratto-no-river/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/15/video-do-sao-paulo-cria-um-problema-gigante-a-pratto-no-river/#comments Thu, 15 Feb 2018 11:40:33 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=24917 “Eu era torcedor do Boca. Fanático. Via todos os jogos pela TV e, quando podia, ia ao estádio. Foi o melhor Boca da história, entre 1998 e 2003. Ganhou tudo.”

Sempre ponderado em seu discurso, Lucas Pratto deixou o coração xeneize falar à vontade na descontraída entrevista que deu ao canal do São Paulo no YouTube em 1º de abril do ano passado. Dez meses depois, já bem longe do Morumbi, mas vestindo outra camisa vermelha e branca, a do River Plate, o atacante que é medido a cada passo como a contratação mais cara da história do clube de Núñez está pagando o preço das suas palavras. A sua declaração de amor ao arquirrival “viralizou” e não há torcedor do Boca hoje em Buenos Aires não saia por aí falando que o River gastou 11,5 milhões de euros em um atacante que aprendeu a jogar…na arquibancada da Bombonera, gritando os gols de Palermo.

Pratto hoje e ontem – Montagem/Divulgação

Por incrível (e triste) que pareça, vai ser de bom tom que Pratto comece a cuidar de sua segurança na Argentina a partir de agora. A rivalidade entre River e Boca está atingindo níveis realmente insuportáveis, com as redes sociais reverberando ódio e ameaças de lado a lado durante todas as horas do ano.

Não foi à toa, por exemplo, que Buffarini – que se destacou no San Lorenzo, mas hoje defende o Boca -, declarou semana passada que tem medo de andar na rua. A Buenos Aires dos celulares e das cabezas gachas, como é chamada a geração que parece não respirar longe de uma tela, está perdendo qualquer capacidade de reflexão. Para buscar a fama entre os seus pares, um inadaptado qualquer pode perfeitamente agredir quem quer que seja e postar aos seus amigos como uma proeza digna de registro. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o técnico do Boca, Guillermo Barros Schelotto, que no ano passado quase entrou em uma briga coletiva na saída de uma clínica no dia seguinte a uma derrota para o River.

Os meios de se criar problemas podem ser novos, mas a gigante intolerância mútua entre River e Boca é tão antiga na Argentina quanto o mate e o alfajor. Os mais velhos lembram bem do caso do zagueiro Óscar Ruggeri, que trocou o Boca pelo arquirrival e teve a sua casa queimada nos anos 80.

Voltando a Pratto, lidar com a desconfiança gerada por sua infância bostera é mais uma barreira que ele vai precisar superar desde que chegou ao River, há 40 dias.

Antes mesmo de estrear, Lucas sofreu uma lesão no joelho. O atacante fez até aqui três partidas, nenhuma delas completa, e ainda não balançou as redes pelo novo clube. Por falar em redes, as únicas movimentadas por ele foram as sociais, que não contam mais com o número 12 – ligado ao Boca, pois assim se chama sua barra brava. Largar o 12 foi um pedido – quase imposição – da torcida do River.

Lucas e a mudança nas suas redes sociais – Reprodução

Pratto, vale lembrar, jogou nas divisões de base do Boca e tentou a sorte como profissional da equipe em 2009 e 2010, levado justamente por Palermo. Fez 21 partidas e 7 gols. Hoje do outro lado da calçada, diz que não voltaria ao clube.

(Será?!)

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Recopa pode dar ao Grêmio o que nenhum time brasileiro conseguiu http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/14/recopa-pode-dar-ao-gremio-o-que-nenhum-time-brasileiro-conseguiu/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/14/recopa-pode-dar-ao-gremio-o-que-nenhum-time-brasileiro-conseguiu/#comments Wed, 14 Feb 2018 11:16:23 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=24862 Primeiro o Lanús, agora o Independiente. O Grêmio tem diante de si na Recopa Sul-Americana um feito jamais obtido por um time brasileiro: conquistar dois títulos seguidos contra equipes argentinas, naquela que é a maior rivalidade do continente.

A Recopa será do Rojo ou do Grêmio? – Olé/Reprodução

A decisão que será aberta às 22h (de Brasília) de hoje (14) no Estádio Libertadores da América, em Avellaneda, na periferia de Buenos Aires, vai ser a 37ª entre brasileiros e argentinos, segundo a contagem da Conmebol. E há uma soberania argentina no retrospecto: são 21 conquistas (58,3%), contra 15 dos brasileiros.

O único brasileiro a repetir finais contra argentinos foi o Cruzeiro – duas vezes, em 1976 e 1977 e de 1988 a 1992, mas jamais ganhando as decisões em sequência.

Histórica para o Grêmio, a Recopa pode ser épica também para o Independiente do excelente técnico Ariel Holan, uma das cabezas mais brilhantes da Argentina.

O Rojo – como é chamado pela sua camisa vermelha, igual ao rival Colorado… – encara a Recopa com a chance de empatar com o Boca no topo das conquistas internacionais entre os clubes argentinos. O Independiente hoje tem 17 taças, contra 18 dos xeneizes. O líder brasileiro é o São Paulo, com 12 conquistas.

As 36 finais Brasil x Argentina até hoje, segundo a Conmebol:

– Libertadores 1963: Santos x Boca Juniors
– Libertadores 1968: Estudiantes x Palmeiras / Anos 60: 1×1
– Libertadores 1974: Independiente x Sao Paulo
– Libertadores 1976: Cruzeiro x River Plate
– Libertadores 1977: Boca x Cruzeiro / Anos 70: 2×1 Argentina (3×2 no geral)
– Libertadores 1984: Independiente x Grêmio
– Supercopa 1988: Racing x Cruzeiro / Anos 80: 2×0 Argentina (5×2)
– Supercopa 1991: Cruzeiro x River Plate
– Master 1992: Boca Juniors x Cruzeiro
– Libertadores 1992: São Paulo x Newell’s
– Supercopa 1992: Cruzeiro x Racing
– Libertadores 1994: Vélez Sarsfield x São Paulo
– Supercopa 1995: Independiente x Flamengo
– Conmebol 1995: Rosario Central x Atlético Mineiro
– Recopa 1996: Grêmio x Independiente
– Supercopa 1996: Vélez Sarsfield x Cruzeiro
– Conmebol 1997: Atlético Mineiro x Lanús
– Supercopa 1997: River Plate x São Paulo
– Recopa 1998: Cruzeiro x River Plate
– Conmebol 1998: Santos x Rosario Central
– Conmebol 1999: Talleres de Córdoba x CSA / Anos 90: 7×7 (12×9)
– Libertadores 2000: Boca Juniors x Palmeiras
– Mercosul 2001: San Lorenzo x Flamengo
– Libertadores 2003: Boca Juniors x Santos
– Recopa 2006: Boca Juniors x São Paulo
– Libertadores 2007: Boca Juniors x Grêmio
– Sul-Americana 2008: Internacional x Estudiantes
– Libertadores 2009: Estudiantes x Cruzeiro / Anos 2000: 6×1 Argentina (18×10)
– Sul-Americana 2010: Independiente x Goiás
– Recopa 2011: Internacional x Independiente
– Libertadores 2012: Corinthians x Boca Juniors
– Sul-Americana 2012: São Paulo x Tigre
– Sul-Americana 2013: Lanús x Ponte Preta
– Recopa 2014: Atlético Mineiro x Lanús
– Libertadores 2017: Grêmio x Lanús
– Sul-Americana 2017: Indep’diente x Flamengo / Anos 2010: 5×3 Brasil (21×15)

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Os títulos internacionais de…

…Boca – 18 (6 Libertadores, 4 Recopa Sul-Americana, 3 Mundial de Clubes, 2 Copa Sul-Americana, 1 Supercopa, 1 Copa Master e 1 Copa Nicolás Leoz)

…Independiente – 17 (7 Libertadores, 3 Copa Interamericana, 2 Mundial de Clubes, 2 Copa Sul-Americana, 2 Supercopa e 1 Recopa Sul-Americana)

…São Paulo – 12 (3 Libertadores, 3 Mundial de Clubes, 2 Recopa Sul-Americana, 1 Copa Sul-Americana, 1 Supercopa, 1 Copa Conmebol e 1 Copa Master)

…Grêmio – 5 (3 Libertadores, 1 Recopa e 1 Mundial de Clubes)

O líder neste ranking é o Real Madrid, com 24 conquistas.

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Maradona x Sampaoli: Como um pedido de foto desatou a guerra entre os dois http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/12/maradona-x-sampaoli-como-um-pedido-de-foto-desatou-a-guerra-entre-os-dois/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/12/maradona-x-sampaoli-como-um-pedido-de-foto-desatou-a-guerra-entre-os-dois/#comments Mon, 12 Feb 2018 11:54:03 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=24835 Diego Armando Maradona e Jorge Sampaoli jamais foram amigos, mas mantiveram um diálogo muy amable até um ano e meio atrás, quando houve o episódio que quebrou a relação e fez Maradona passar a chamar o técnico de “traidor”.

O blog apurou que Maradona e Sampaoli estiveram perto de trabalhar juntos no Sevilla em 2016 – Jorge era técnico do time e deu o seu aval para Diego, então desempregado, ser embaixador do clube em ocasiões específicas. Maradona não aceitou, argumentando que tinha interesse em falar de trabalho apenas se o vínculo cogitasse também uma participação na organização técnica da equipe.

Maradona entrevista Sampaoli em 2015 – Reprodução TV

Diego, em entrevista ao jornal portenho “Diario Popular” neste final de semana, reforçou que o incômodo entre ele e o Pelado Sampa, como Sampaoli é chamado em Buenos Aires, virou rompimento em novembro de 2016, quando El Diez foi à Croácia para torcer pela Argentina na decisão da Copa Davis. Na ocasião, Maradona recebeu uma ligação de Sampaoli insistindo na proposta do Sevilla e propondo que os dois se juntassem para uma sessão de fotos porque o clube queria homenageá-lo – Diego, afinal, fez 25 jogos e 14 gols pelo Sevilla em 1992.

Diego interpretou este pedido de maneira bastante diferente.

Ele entendeu que Sampaoli já estava acertado com a AFA para ser o técnico da seleção argentina – que era então Patón Bauza, como seria pelos seis meses seguintes -, e que o chamado de Jorge na verdade era para que os dois aparecessem juntos em fotos como uma maneira de Sampaoli começar a criar vínculos com a torcida argentina, que até então não dava muita bola para ele.

A esquizofrênica ideia de Maradona gerou o distanciamento repentino. E, pior que isso, detonou uma guerra verbal por parte de Diego. Até uma guerra de verdade, a das Malvinas, é citada por Maradona para atacar Sampaoli, questionando seus anos à frente da seleção do Chile. Em uma tortuosa lógica própria, os chilenos são vistos com desconfiança por parte da Argentina pela ajuda à Inglaterra no conflito de 36 anos atrás. Vem daí também a insistência de Maradona em atrelar a figura de Sampaoli a um “traidor”, que é a maneira depreciativa que muitos portenhos usam para falar – e como falam… – dos chilenos e do respectivo papel nas Malvinas.

Sampaoli, resta saber até quando, não entra na troca de farpas. Prefere enfatizar o que Maradona fez em campo, mas não sem antes falar também que considera Messi superior. “Lionel é melhor que Maradona, Pelé ou qualquer outro”, costuma repetir, certamente alimentando a ira de um Diego que parece precisar ser bajulado – e se autodenominar – como o maior de todos os tempos com uma bola nos pés.

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‘Meu irmão se perdeu na droga e me roubou’, conta campeão mundial pelo Boca http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/09/meu-irmao-se-perdeu-na-droga-e-me-roubou-conta-campeao-mundial-pelo-boca/ http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/2018/02/09/meu-irmao-se-perdeu-na-droga-e-me-roubou-conta-campeao-mundial-pelo-boca/#comments Fri, 09 Feb 2018 11:48:00 +0000 http://patadasygambetas.blogosfera.uol.com.br/?p=24807 Jogador “cuja cabeça explodia de tanta violência”, segundo ele próprio, Antonio “El Chipi” Barijho é amado pelo Boca Juniors, que não cansa de celebrar sua loucura como atacante reserva no Mundial de 2000 e nas Libertadores de 2000 e 2001.

Chipi Barijho em 2004 – Olé/Reprodução

Poucos, porém, sabiam que enquanto ele rodava o mundo correndo atrás das Copas, atravessava também sérias brigas com o irmão 12 anos mais velho.

“A gente dividia um quarto. Lembro bem: tínhamos um balde de tinta, uma televisão apoiada em cima e um guarda-roupa pequeno. Mas aí ele começou a se perder na droga. Às vezes, vinha chapado e levava o que conseguia”, contou Chipi ao canal de TV TyC Sports. Ele hoje é técnico das divisões de base do Huracán. Está com 40 anos – o irmão, José Luís, está com 52 e é procurado pela polícia por tráfico.

“Ele nunca me roubou dinheiro porque eu escondia bem. Isso começou quando eu tinha 17 anos e precisava sair para me concentrar pelo Huracán. Eu ia treinar com muita raiva, não queria aceitar a vida que eu tinha. Posso dizer que no Huracán eu era duas vezes mais rebelde do que fui no Boca. Cresci na pobreza extrema.”

Barijho perdeu contato com o irmão: “Ele segue na droga, segue lutando. Foi tudo muito sofrido, muito duro para a gente. O futebol salvou minha vida. Eu era um índio louco, não tinha regra nenhuma, era totalmente desordenado. Por isso posso olhar no olho de cada um dos meninos que treino. Eu tenho o que ensinar a eles”.

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