Patadas y Gambetas

Argentina busca ‘comando duplo’ depois de fracassar com Sampaoli
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Tales Torraga

O blog antecipou em 11 de junho e será oficializado no máximo amanhã (16): por US$ 1,6 milhões, Jorge Sampaoli vai deixar a seleção argentina naquela que foi a mais tumultuada passagem de um treinador  pela azul e branca nas últimas décadas. E as sequelas da sua confusão na AFA são profundas. O blog apurou que o ressentimento do órgão com o técnico é tamanho que o plano A para a seleção principal vai ser colocar dois treinadores – um experiente e um mais jovem – para comandar a equipe.

É bom que se esclareça que o plano A só vai ser levado adiante pela AFA mediante as negativas já informadas por Diego Simeone, Mauricio Pocchetino e Marcelo Gallardo. Os três foram sondados nos últimos dias e já disseram não ao cargo.

A ideia da AFA passa então a ser formar uma aliança entre José Pékerman e Matías Almeyda. Pékerman será uma espécie de dirigente, exercendo uma função semelhante à de Carlos Bilardo quando Diego Maradona comandou a Argentina em 2009 e 2010. E Matías Almeyda – técnico apenas há seis anos, quando conduziu o River Plate de volta à Série B – tem perfil agregador até com os chefes mais complicados – que o diga a sua parceria com Daniel Passarella no próprio River.

Pékerman está para finalizar a sua saída da seleção colombiana, cargo que ocupa há seis anos e no qual já enfrenta os inevitáveis desgastes da continuidade. E Almeyda – ele mesmo, o volante da seleção nos Mundiais de 1998 e 2002 – estava acertado com o Al-Rayyan, do Catar, mas deu um passo atrás. Além da Argentina, ele é nome forte para comandar também a seleção do México. O apelido de Matías é Pelado – ''careca'', o mesmo de Sampaoli – e sua fama entre os mexicanos é ainda melhor do que entre os argentinos. Ele comandou o Chivas Guadalajara nos últimos três anos, conduzindo a equipe a títulos inéditos nos últimos anos.

O Plano B para a AFA seria Ricardo Gareca, hoje no Peru, que já sinalizou que prefere continuar onde está – em uma estrutura muito mais organizada que a Argentina, é bom que se ressalte.


Por que a final França x Croácia gera alegria (e briga) na Argentina?
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Tales Torraga

A Argentina, enfim, teve uma alegria na Copa do Mundo da Rússia ao comemorar a eliminação da Inglaterra diante da Croácia nesta quarta (11). Os telões armados pela prefeitura de Buenos Aires em lugares de grande trânsito seguem mostrando os jogos, e a presença de argentinos na Praça San Martín e no Terminal Retiro foi das maiores – em quantidade de gente e de alegria com a queda do histórico rival.

A Argentina só perdeu para os melhores, afinal – Montagem/Olé

A final França x Croácia está reativando também o orgulho argentino, e muitos torcedores passaram a olhar para a sua campanha de maneira mais condescendente. Afinal, mesmo sendo uma lástima em campo e fazendo tudo mal, a Argentina, na Rússia, só perdeu mesmo para…o campeão e o vice!

A Croácia foi enfrentada na fase de grupos e arrasou a Argentina por 3 a 0 em uma partida que não mostrou as alternativas do 4 a 3 da França nas oitavas de final. Os mais otimistas lembram que a França sofreu apenas quatro gols neste Mundial. Um de pênalti, contra a Austrália, e os três da Argentina que, é verdade que se diga, chegou a ter 2 a 1 no placar e precisou engolir um 4 a 2 em apenas 11 minutos.

Como tudo o que envolve futebol e diálogo na Argentina é marcado por discussões que estão cada vez mais acirradas sobre o que quer que seja, tal olhar mais brando é acompanhado por um discurso feroz, realmente dos mais incômodos.

E quem tem levantado esta bandeira anti-conformismo é o ex-zagueiro Óscar Ruggeri, que segue na Rússia comentando a Copa para a TV Pública. E ele esparrama a sua acidez em análises que resvalam na falta de educação especialmente com a equipe que o acompanha no trabalho.

''Nós, argentinos, seguimos assim, sem nos conformar com nada! Não posso acreditar no que você está me dizendo, Pollo'', disparou Ruggeri ao apresentador do programa, Pollo Vignolo, que é hoje o narrador de maior destaque no país. ''Vejo que você está um pouco torcido comigo. Você está alterado, hoje. O que aconteceu, Ruggeri?'', seguiu o apresentador no programa de todas as tardes na TV Pública.

''Vamos para a 9 de Julho! Vamos ao Obelisco porque perdemos para o campeão! O que isso serve para a análise? Não serve para nada! Fomos um desastre. Depois de tudo que fizemos, alguém vem e me diz que não fomos tão mal assim, por que Croácia e França estão na final? ¡Dale, por favor!''.

''Tomara que não mude nada na Argentina. Estamos bastante bem, no geral. Se ganha a França, não precisamos mudar nada. Fizeram quatro gols. Está bem. Foi só um a mais. Que fique Sampaoli, fique Higuaín, fiquem todos'', finalizou Ruggeri.


Messi decide ‘dar um tempo’ da seleção argentina
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Tales Torraga

O blog apurou que Lionel Messi resolveu ''dar um tempo'' da seleção argentina – mas que ele, por enquanto, não pensa em abandonar a camisa azul e branca, como chegou a pedir Mario Kempes e até mesmo a torcida, por meio de uma pesquisa.

O camisa 10 do Barcelona comunicou a parentes e amigos que não vai defender a Argentina nos amistosos que serão disputados neste ano. O próximo deles está previsto para 7 de setembro, contra a Nicarágua, em Los Angeles. Há encontros agendados também para outubro e novembro, em datas Fifa, mas Messi definiu que só vai se colocar à disposição da seleção na preparação para a Copa América que será disputada no Brasil a partir de 14 de junho do ano que vem.

Até lá, o seu objetivo principal será reconduzir o Barcelona aos tempos de glória que ficaram para trás depois da recente sequência de títulos do Real Madrid.

Um cumprimento sem sequer se olhar – Olé/Reprodução

Messi, desta maneira, vai acompanhar à distância a definição do novo treinador da seleção, pois ninguém na AFA quer contar com Jorge Sampaoli, que fracassou no comando da equipe no Mundial da Rússia e que no fim da campanha sequer conversava com os jogadores veteranos e seus auxiliares mais próximos.

O entorno de Lionel, claro, nega qualquer influência sua na escolha do próximo técnico, mas foi praxe nas últimas contratações que Messi acabasse sempre sendo consultado antes da oficialização por parte da AFA.

Por falar em AFA, há algo que pode sim fazer Messi transformar o seu ''dar um tempo'' em um adeus futuro à seleção: a desorganização que é o modus operandi da AFA que o bajula muito mais como um sócio comercial do que um atleta.

Se Messi daqui a um ano perceber que a bagunça continua insuportável, aí larga a seleção de vez – embora ele já tenha também manifestado sua intenção de jogar no Catar-2022 para lucrar com os fartos negócios decorrentes do primeiro Mundial a ser realizado no mundo árabe. Lio tem 31 anos (estará com 35 no Catar-22).


Opinião: Sampaoli no Sub-20 é o ápice da loucura (até para os argentinos)
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Tales Torraga

É a mais saborosa história do futebol argentino nos últimos anos.

No dia 30 de junho, Jorge Sampaoli comanda a seleção principal da Argentina em uma dramática oitavas de final de Copa do Mundo, perdendo para uma inspirada França por 4 a 3. E no dia 28 de julho, menos de um mês depois, o mesmo Sampaoli, El Pelado Sampa, estará em Valência, na Espanha, treinando a Argentina Sub-20 no torneio amistoso de L'Acudia, dirigindo – como técnico tampão! – uma equipe de adolescentes em dois tempos de 40 minutos na grama artificial.

Abre o olho, Sampaoli… – Olé/Reprodução

E o que explica este rebaixamento do treinador? A sua forma de agir, cada vez mais difícil de entender, e os desmandos que batem recorde de absurdos na Argentina.

O primeiro ponto de espanto é a AFA estabelecer um contrato de cinco anos e não bancar a mudança no decorrer do compromisso. Sampaoli fracassou rotundamente na Rússia. E só não vai embora por uma mera e covarde conveniência. A primeira delas é financeira. A AFA quer destravar o contrato sem pagar a multa rescisória de US$ 8,2 milhões. A segunda conveniência, tão grave quanto a primeira, é a falta de coerência de Sampaoli e principalmente dos próprios dirigentes.

Em atitude inédita na história recente do futebol argentino, grande parte da comissão técnica que acompanhou Sampaoli na Rússia chegou antes a Buenos Aires e apresentou a sua renúncia, dizendo que não queria continuar trabalhando com o cada vez mais transtornado treinador. E o que a AFA faz imediatamente depois do portazo coletivo? Aceita que Sampaoli entre no lugar de Sebastián Beccacece, o seu auxiliar que assumiria a Sub-20 assim que deixasse a Rússia.

Ou seja: o papelão estrondoso na Copa do Mundo não serviu para nada. A seleção principal não tem técnico, pois Sampaoli é um títere dos dirigentes. O cargo está vago e com negociações travadas porque nenhum treinador sério vai querer sentar em uma cadeira elétrica que atenta contra a vida de quem a ocupa (que o diga Alejandro Sabella, que quase morreu depois de deixar a seleção em 2014).

Como se não bastasse, a renovação, o Sub-20, o futuro da Argentina, também está re complicado porque Sampaoli, tal qual como um Sócrates agarrado à sua cicuta, se rebaixa aos caprichos dos cartolas achando que assim, oferecendo fidelidade, vai conseguir que o aceitem na seleção principal.

El Pelado Sampa conseguiu o que ninguém mais alcançou na farta história de bizarrices do futebol argentino: se indispôs com a sua própria comissão técnica, com os seus jogadores e com os dirigentes. E não caiu nem a$$im.

Fica a dúvida: o que vai acontecer quando ele cruzar com um desses millenials argentinos bem arrogantes que lhe confrontar que ele não conseguiu nem fazer Messi jogar, quanto mais vai conseguir comandar jovens que precisam de referências sérias, e não alguém que chega já tão tatuado por um vexame recente.

(Por falar em tatuagens, não dá para ignorar o que as rádios argentinas estão dizendo que agora sim, este Sampaoli roqueiro e com os braços cobertos de tinta vai se sentir ambientado trabalhando com adolescentes. Así es la vida. De Nínji Novgorod a L'Acudia. Así de una, no más. Quando a gente acha que está ambientado à rotina argentina e que nada mais vai nos surpreender, ahí vamos.) 

Por fim, Sampaoli teve na Copa do Mundo da Rússia os seguintes adversários: Islândia, Croácia, Nigéria e França.

No torneio de L'Alcudia, ele vai ter pela frente os combinados Sub-20 de Múrcia, Valência, Mauritânia, Índia, Catar, Venezuela, Marrocos, Rússia e Uruguai.


‘Messi precisa abandonar a seleção’, diz Mario Kempes
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Tales Torraga

Campeão e artilheiro da Copa do Mundo de 1978, o argentino Mario Kempes tem a solução dos problemas para a seleção de seu país: descartar Lionel Messi e priorizar o trabalho com os jovens valores no futebol local. Este foi o seu pedido ao canal de TV TyC Sports em entrevista na noite deste domingo (8).

''Messi precisa descansar ou até mesmo abandonar a seleção, porque ficou claro que ele não pode mais com esta missão'', analisou El Matador Kempes, que está com 63 anos e vive nos Estados Unidos, onde é um renomado comentarista. ''É preciso chamar os jovens que estão na Argentina para começar a trabalhar. Depois, se for necessário, e se ele tiver vontade, aí sim incluiriam Messi. Precisam dar um ou dois anos de descanso a ele.''

''A Argentina é 'Messimaníaca'. Ele é a alma do time, e se ele não funciona, ninguém tem a capacidade de colocar a equipe no ombro. Os jogadores que estiveram na seleção não tinham personalidade e nem coragem.''

''A Argentina precisa apagar tudo e começar de novo. Foram dez anos com esta mesma camada de jogadores e não se conseguiu nada. Ya está, se terminó un ciclo. É para começar a buscar outros jogadores.''

''Vão ficar na história como grandes jogadores de clubes, mas que na seleção não puderam fazer nada. Esta foi a melhor seleção da Argentina em todos os tempos, mas que nunca teve um time de verdade'', concluiu Kempes, que não economiza nas críticas à equipe nacional desde a chegada de Jorge Sampaoli, há um ano.


Análise: O biotipo explica esta ‘Eurocopa’ na Rússia
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Tales Torraga

O blog hoje tem um convidado de luxo: Ernesto Cherquis Bialo, uruguaio de 78 anos. Ex-diretor de redação da revista ''El Gráfico'', ele é um dos mais brilhantes pensadores do futebol do Rio da Prata. Vale demais conferir a sua interessante análise sobre as eliminações de Uruguai e Brasil – ambas ocorridas nesta sexta (6).

Com vocês, El Maestro Bialo:

''O Brasil x Bélgica foi o jogo mais dramático entre os 56 que vimos na Rússia. Foi um ida e volta constante, de um gasto físico enorme, a pura velocidade, a pura potência. Ficou claro: começou a prevalecer o biotipo, a genética e a condição física do jogador europeu sobre o atleta sul-americano.''

((Por supuesto, o biotipo do jogador europeu não é somente o biotipo pátrio. É globalização e darwinismo social. DNA vencedor à venda, muchachos.))

''Os jogadores de maior potência física acabam sendo os principais para esses resultados quase inusitados. O Brasil se despediu jogando com absoluta dignidade, assim como o Uruguai.''

''Neymar deu tudo. Suárez deu tudo. A diferença de França e Bélgica para Uruguai e Brasil é a mesma que vimos entre Croácia e Argentina. Chegou a hora de começar a reformular algumas questões.''

''No futebol atual, já não veremos grandes figuras e grandes craques, mas sim jogos muito intensos. Não veremos mais fantasias, e sim uma velocidade exorbitante. Não veremos o brilho individual, mas sim times estruturados. Veremos que a velocidade, a força e a potência são os fatores fundamentais que marcam este final de Copa.''

Quem entrega análise semelhante é o ex-zagueiro Óscar Ruggeri, hoje comentarista do Fox Sports e da TV Pública da Argentina:

''Os europeus passaram por cima dos sul-americanos. O futebol hoje é extremamente físico. Um tranco e listoya tá, acabou a jogada. A América do Sul sempre prevaleceu sobre a Europa pela questão técnica. E hoje os europeus igualaram a nossa técnica. E o que acaba definindo? Um pique do Mbappé ou um esbarrão do Lukaku, que é forte e arremessa qualquer um para fora do campo.''

''A genética e o biotipo do europeu agora estão prevalecendo. Eles treinam o físico desde criança. Imagine um time inteiro com essas máquinas aí, metendo a perna, suando, jogando forte? É hora de rever o futebol da América do Sul. Cada um deve olhar para o seu pedaço: Argentina, Uruguai, Brasil, Peru, Colômbia. Mas seria interessante que este novo ciclo começasse com uma observação conjunta de todo o continente'', pediu El Cabezón Ruggeri na noite de ontem (6) na TV Pública.

A Copa do Mundo só conta com campeãs europeias desde 2006: Itália, Espanha e Alemanha, em contagem que vai crescer com o atual Mundial. Os seis países que seguem com chances de título são todos do Velho Continente. A última volta olímpica sul-americana – Brasil em 2002 – vai completar 20 anos no Catar-2022.


54% dos argentinos querem Messi fora da seleção, diz pesquisa
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Tales Torraga

Se depender da vontade popular, o futebol da Argentina vai ser refundado – e sem a presença de Lionel Messi. Uma pesquisa publicada hoje (5) pelo jornal ''La Nación'' mostra que a rejeição aos cabezas do país atinge uma maioria considerável, e a sequência da Copa sem a Argentina só amplia este mal-estar.

Pesquisa publicada pelo ''La Nación'' desta quinta (5)

Sem muitas delongas, porque o clima argento hoje é o mais sucinto possível com tudo o que se trata de Copa, vale conferir o resultado da pesquisa encomendada pelo diário ao instituto D'Alessio IROL/Berenzstein. Com 600 entrevistados, todos acima de 18 anos, as perguntas foram feitas em Buenos Aires em 2 e 3 de julho.

Que ninguém se engane: para o torcedor argentino, hoje, a presença de Messi (que terá 35 anos na próxima Copa) é menos importante do que começar do zero.

O que gostaria que acontecesse no Catar-2022?
Renovação total da equipe (54%) / Que Messi jogue (43%)

Quem é o principal responsável pela má atuação da seleção?
AFA (48%) / Sampaoli (36%) / Jogadores (13%)

Sampaoli deve deixar seu cargo?
Sim (86%) / Não (11%)

Que técnico deveria entrar em seu lugar?
Simeone (40%) / Guardiola (14%) / Gallardo (13%) / Gareca (10%)

Tapia deve sair da presidência da AFA?
Sim (87%) / Não (9%)

Que jogador deveria ter sido convocado?
Icardi (50%) / Martínez (13%) / Centurión (10%) / Kranevitter (5%)

Que jogador deveria ser titular e não foi?
Dybala (38%) / Lo Celso (24%) / Nenhum (26%)

Que seleção gostaria que fosse campeã na Rússia?
Uruguai (46%) / Bélgica (13%) / Rússia (7%) / Brasil (6%)

Quem é a revelação do Mundial?
Mbappé (58%) / Cavani (4%) / Neymar (4%)

Gostaria que continuassem usando o VAR?
Sim (88%) / Não (10%)

* Apenas as respostas com mais escolhas foram citadas


Por que os argentinos estão encantados com Tite (ou melhor, Tité)?
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Tales Torraga

Sozinho e em silêncio, Jorge Sampaoli já está em solo argentino. E o que os torcedores e jornalistas do país vizinho mais têm feito nos últimos dias? É situar a vergonha azul e branca pegando como parâmetro o papel desempenhado pelo Brasil na Rússia. E a comparação entre o Pelado Sampa e o técnico Tité (os argentinos não conseguem chamá-lo de Tite, nem grafar o nome sem acento) está gerando uma situação das mais inusitadas em Buenos Aires.

Antes orgulhosos do êxito conquistado pelos seus treinadores em todo o mundo, os argentinos agora usam Tite como um exemplo do que Sampaoli deveria fazer – e jamais fez – com os seus comandados. Mesmo a postura de Tite de retirar Neymar de qualquer polêmica com o técnico Juan Carlos Osório foi bastante aplaudida pelos argentinos. ''Isso é o que faz um comandante de verdade. Ajuda a explicar o Brasil pós-7 a 1. Ajuda a explicar por que a Argentina fez a pior Copa desde 2002'', analisou o jornal ''La Nación''.

O ''La Nación'' não é o único a jogar confetes sobre Tité (o acento seria um resquício de Pelé?). Ninguém se pronuncia com essas palavras, mas o pensamento geral dos vizinhos sobre Tite é bastante elogioso com a sua capacidade de se fazer uma geração de jogadores indolente e individualista – sob a ótica argentina – atuar de uma maneira coletiva e extremamente profissional como a que se vê na Rússia.

Um dos jornalistas mais ouvidos da Argentina, Alejandro Fantino, na Rádio La Red, passou longos minutos nesta terça-feira (3) usando a reconstrução do Brasil para citar o que a AFA deveria fazer. O primeiro ponto a ser citado em qualquer análise argentina é o fato de o Brasil chegar à Rússia com uma equipe que pouco ou quase nada tem a ver com a usada em 2014. É esta ''limpa geral'' que os argentinos defendem para si a partir deste momento de caos no futebol local.

Tite e Bianchi na Casa Amarilla, o CT do Boca, em 2014 – Arquivo pessoal

É claro que o orgulho argentino se manifesta também nas lembranças de que Tite passou, em 2014, um longo tempo em Buenos Aires estudando e conversando com Carlos Bianchi, uma das suas referências no trabalho. ''É um aluno argentino, mais um, como Guardiola'', relembra Fantino, para logo emendar: ''A Argentina hoje está tão louca, com o futebol tão feito m…., que nem naquilo que sempre fomos os melhores, que é na inteligência e na maneira de pensar o futebol, hoje nos basta. Alguém consegue entender por que não dão um cargo a Menotti na AFA? E por que esses ladrões e irresponsáveis querem mandar em tudo sem entender um c…..?.''

O canal de TV TyC Sports informou ontem (3) que um dos técnicos sondados para esta reconstrução argentina é Pep Guardiola – o que desatou a fúria de comentaristas mais conservadores como o ex-zagueiro Oscar Ruggeri, no Fox Sports. É claro que não há negociações em andamento, mas que ninguém se espante se o nome de Tite logo vier a ser defendido. O seu cartaz é, de longe, o melhor de um técnico brasileiro com os vizinhos nos últimos anos.


Entenda a ‘guerra dos milhões’ entre a AFA e Sampaoli
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Tales Torraga

Faz quase um mês que o blog publicou que Jorge Sampaoli deixaria de ser o técnico da seleção argentina depois da Copa do Mundo. A informação apurada com a equipe ainda em Barcelona, em meio à preparação para o Mundial, dava conta de que o técnico atravessava uma enorme incompatibilidade com os dirigentes e com os jogadores. Depois da pífia campanha na Rússia, o desgaste, claro, chegou ao ápice. Mas a AFA não pode simplesmente mandá-lo embora. O contrato de Sampaoli termina apenas depois da Copa do Mundo do Catar, daqui a quatro anos, e a multa rescisória para um rompimento unilateral é de US$ 22 milhões. Detalhe que não pode ser desconsiderado: hoje, o dólar está a 30 pesos, e a AFA obviamente não vai querer desembolsar esta quantia.

O comportamento de praxe nesses casos é a entidade iniciar uma fritura pública no técnico de turno. Foi o que ocorreu, por exemplo, com Diego Maradona e Patón Bauza, para ficarmos apenas em dois nomes. Bauza nem chegou a um Mundial, mas ainda assim sofreu um terrível ''operativo desgaste'' assim que a atual AFA assumiu, há pouco mais de um ano.

É praxe, também, a Argentina abrir um novo ciclo pós-Mundial de técnico novo. De 1990 para cá, apenas Loco Bielsa, em 2002, seguiu no cargo depois de uma Copa. Os técnicos mais sensatos, como José Pekerman e Alejandro Sabella, desocupavam o posto imediatamente depois do apito final – é esta sensatez que a AFA agora espera de Sampaoli depois do seu fiasco na Rússia.

Sampaoli, porém, pretende ficar. Ele entende que a sua sequência no comando teria chances de bom resultado no Catar com a necessária renovação na seleção – e com a ausência de nomes que entraram em uma clara rota de colisão com as suas ideias, como o de Javier Mascherano.

A AFA já começou a trabalhar na busca para um sucessor, embora esta procura seja bastante difícil pelo terrível momento da economia argentina. Os dois principais candidatos – Diego Simeone e Mauricio Pocchetino, pela ordem – custariam caro demais e talvez voltem a negar o convite por restrições aos dirigentes e a alguns jogadores. O terceiro nome na lista é o de Marcelo Gallardo, do River Plate, que não demonstra muita afinidade com Chiqui Tapia e Daniel Angelici, presidente e vice da AFA, ambos largamente ligados ao Boca.

Um outro candidato que por enquanto aparece com pouca força, mas pode atropelar os demais e repetir o que aconteceu com Patón Bauza, por exemplo, é o de Ricardo Gareca, que acaba de comandar o Peru na Copa do Mundo. Certeza? Uma só: a permanência de Sampaoli está descartada. A AFA avaliou o seu trabalho de uma maneira muito negativa. Agora só resta mesmo fechar os cofres e destravar esta questão financeira para que cada um siga a sua vida sem o vínculo atual.


Messi andou durante 42% da Copa, revela estatística
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Tales Torraga

A rejeição que parte da Argentina nutre por Messi está bem mais pesada depois da derrota para a França. E aqueles que questionam o papel do capitão da seleção ganharam um argumento contundente para pedir a sua saída da equipe.

O jornal espanhol ''Marca'' – produzido em Madri e com óbvio teor ácido ao que acontece em Barcelona – publicou neste domingo uma matéria cujo título é ''Assim foi o Mundial de Messi: passou meio campeonato andando''.

O texto não deixa margem para dúvidas:

''Messi percorreu, ao todo, 31,618 quilômetros neste Mundial. Desse total, 13,398 quilômetros, 58% da distância total (a conta correta é de 42,3%), ele percorreu a uma velocidade entre 0 e 7 km/h – ou seja, andando''.

O ''Marca'' acrescenta: ''Sua velocidade de ponta na Copa foi de 28,37 km/h em um dos 28 sprints que fez na partida contra a França, quase 10 km/h a menos do que alcançou Mbappé na jogada em que Rojo cometeu o pênalti que abriu o marcador.''

Embora a matéria demonstre veracidade, o ''Marca'' não cita a fonte das suas estatísticas. Mbappé, no lance referido, chegou a 37 km/h.