Patadas y Gambetas

River sai da Bombonera como vencedor
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Tales Torraga

O empate na Bombonera esteve em xeque até os instantes finais. Afinal, o Boca havia feito gols em casa nos últimos minutos tanto contra Cruzeiro como contra Palmeiras. Mas o River sobreviveu e segurou um empate mais saboroso que um bife de chorizo. O Boca decepcionou. Jogou pior e só obteve a contundência demonstrada no placar graças ao seu ataque realmente muito poderoso.

Pratto vibra na Bombonera – Olé/Reprodução

O placar final de 2 a 2 acabou sendo uma vitória para o River, que agora assegura o seu título histórico com um triunfo por qualquer placar. A grande lamentação vermelha e branca é a igualdade não contar os gols na Bombonera como critério de desempate. Pero no pasa nada. Mesmo desfalcado do seu capitão Ponzio e do seu técnico Marcelo Gallardo, o gigante de Núñez aproveitou os vacilos do Boca e buscou o placar duas vezes.

Outro ponto positivo: dos seis pendurados do River, apenas um, o atacante Borré, estará fora da finalíssima. Menos mal que a equipe agora conta com a volta do lesionado Scocco, que fará a dupla de ataque com Pratto, que talvez tenha protagonizado, na Bombonera, a sua melhor atuação pela atual equipe.

O Boca só não terminou derrotado porque contou com um Agustín Rossi particularmente inspirado. Armani, que estranhamente falhou no primeiro gol, de Ábila, se redimiu com uma grande defesa mano a mano com Benedetto no fim.

A partida do próximo dia 24 no Monumental deve ser totalmente diferente desta. Os dois times jogaram com a perna presa e tomando cuidado para não levar cartões amarelos. Afinal, dos 22 titulares, nada menos que dez estavam pendurados. Não houve polêmica com o VAR e nem com o árbitro chileno Roberto Tobar.

Rodolfo D'Onofrio, presidente do River, confirmou hoje que a finalíssima terá o triplo de ambulâncias à disposição dos torcedores no Monumental. Eis a dimensão exata do que está por vir. A pausa de duas semanas até lá vai cair bem. A sensação geral do domingo em Buenos Aires foi a de que todo mundo já estava esgotado antes mesmo de a decisão de hoje começar.


Análise: Boca começa final como favorito
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Tales Torraga

* Atualizado às 16h46: Era impossível mesmo a bola rolar depois de tanta água. A previsão para este domingo também é de chuva, e de igual intensidade. A partida está remarcada para as 17h (de Brasília). Caso haja nova suspensão e o jogo passe para o próximo fim de semana, o River será favorecido pela possibilidade da recuperação física de Ponzio e Scocco. O time de Gallardo assim diminuiria o favoritismo do Boca e passaria a equilibrar um pouco mais a decisão. De locos. 

Fim de papo. A partir das 18h (de Brasília) deste sábado, uma Bombonera colapsada e provavelmente chuvosa vai ver o começo da mais acirrada e aguardada decisão de Libertadores da América de todos os tempos. Para quem não acredita, basta conferir o jornal espanhol ''Marca'' de hoje, que dedicou a sua capa justamente ao superclássico argentino entre Boca Juniors e River Plate.

Loucura xeneize na Bombonera – La Nación/Reprodução

Por falar em jornal, o ''La Nación'', de Buenos Aires, traz hoje também o resultado de uma simulação do Boca x River nada menos que cem vezes no Football Manager, e o Boca foi o campeão 58 vezes, contra 42 do River. Usar o videogame está longe de ser bobagem: em março, houve uma simulação – também centenária – da Copa do Mundo. E deu França campeã e Harry Kane artilheiro, entre outros resultados iguais.

Embora o discurso geral em Buenos Aires seja o convencional ''não há favoritos em tamanho duelo de gigantes'', é perfeitamente possível atribuir vantagem prévia ao Boca, que chega a este sábado em condições melhores que o River.

O primeiro ponto a se observar é a atuação do ataque azul y oro. Guillermo Barros Schelotto encontrou a melhor formação, que é colocar Villa e Pavón bem abertos e Wanchope Ábila centralizado. Benedetto, Tevez, Zárate e Cardona começam no banco – e que banco de reservas! O rendimento ofensivo da equipe disparou: passou de 1,33 gol da fase de grupos para 2,16 no mata-mata.

Pelo lado do River, o ataque é justamente uma dificuldade. Borré e Pratto, os titulares deste sábado, não são goleadores e não vivem fases especialmente efetivas. E Scocco, autor de dois gols nos últimos dois superclássicos, talvez nem no banco fique – carrega uma lesão muscular e é pouco provável que possa render. Um exemplo da complicação do gigante de Núñez no ataque é a presença, entre os suplentes, do pibe Julián Álvarez, de 18 anos e óbvia inexperiência.

Outra virtude xeneize está no meio-campo. Schelotto também encaixou o sistema mais eficiente, escalando o tridente brigador Barrios-Nández-Pablo Pérez.

O River, por sua vez, sofre.

Estará sem seu capitão, o experiente volante Leonardo Ponzio, que é considerado o ''técnico que a equipe tem em campo''. A sua ausência, aliada à do treinador Marcelo Gallardo, que está proibido de sequer entrar na Bombonera, é uma grande interrogação pelo lado vermelho e branco. O substituto de Ponzio será Enzo Pérez, de fraco rendimento neste 2018.

A decisão deste sábado vai mostrar um cenário curioso: nada menos que dez dos 22 titulares estão com dois cartões amarelos e pendurados para a finalíssima do dia 24, no Monumental.

Pelo lado do Boca, são quatro: os volantes Nández e Pablo Pérez, o lateral-esquerdo Olaza e o atacante Pavón. E pelo River são seis – mais de meio time.

A lista conta com a dupla de zaga titular, Maidana e Pinola, que certamente terá muitos problemas para frear, nesta condição, o já citado eficiente ataque do Boca. Os demais que precisam ficar com um olho na bola e outro no cartão são o volante Enzo Pérez, o meia Pity Martínez, e os dois dianteiros, Borré e Lucas Pratto.

Por fim, até a curiosa estatística postada ontem, a que mostra que os visitantes levam a melhor nos superclássicos recentes, a princípio favorece o Boca – que, afinal, decide o título no Monumental e teria a condição de se recuperar de um improvável tropeço neste sábado.


Boca x River: quem joga em casa leva desvantagem, indica histórico
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Tales Torraga

A contagem regressiva está chegando ao fim, e é bem provável que uma insônia massiva transforme a sexta e o sábado em uma coisa só para os fanáticos por Boca Juniors e River Plate em todo o mundo. Na Argentina, então, nem se fala. As duas torcidas juntas respondem pela adesão de nada menos que 70% da população do país, que hoje é de 44 milhões de habitantes.

E dentro deste mar de previsões feitas para a histórica primeira partida da final da Libertadores, às 18h (de Brasília) deste sábado (10) na Bombonera, uma em especial merece uma análise mais detalhada. Desde que o superclássico aboliu a torcida visitante, em 2013, ganhar em sua própria casa se tornou uma raridade.

Scocco grita gol do River na Bombonera – River Plate/Divulgação

Já faz sete jogos – nada menos que três anos e meio – que o mandante não sai de seu campo como vencedor do principal confronto do futebol argentino. Aquele triunfo coube ao River, no Monumental, e ocorreu só no dia 7 de maio de 2015 – 1 a 0, gol de Carlos Sánchez, hoje no Santos, de pênalti, em uma verdadeira guerra válida pela ida das oitavas de final da Libertadores.

O histórico tampouco é diferente na Bombonera, palco da partida de amanhã. A última vitória xeneize em casa foi em 3 de maio de 2015, com um 2 a 0 pelo Campeonato Argentino, gols de Pavón e Pablo Pérez. Os dois seguem no clube e vão a campo também neste sábado.

Uma das razões indicadas para esta seca de vitórias tem a ver com a pressão que cada equipe sente em seu próprio estádio. Em vez de ser um incentivo, a presença única da sua explosiva torcida – aliada à valentia tradicional do adversário -, acaba inibindo o time mandante, que sente mais pressão e mais medo de perder do que necessariamente um apoio em busca da vitória.

No que diz respeito à Bombonera que recebe a partida deste sábado, o histórico do Boca é mesmo alarmante. Das últimas oito vezes que encarou o River em seu estádio, o Boca só venceu mesmo este confronto de 2015. Nessas oito partidas, os xeneizes fizeram apenas cinco gols, recebendo ao todo oito tentos. O River venceu três vezes, com quatro empates e a já citada vitória do Boca.

Depois de um verdadeiro caos na compra dos ingressos na tarde desta quinta no bairro de La Boca, espera-se que a Bombonera, por supuesto, esteja superlotada neste sábado. A capacidade oficial do estádio é de 50.243 pessoas, mas que ninguém se espante se cerca de 55.000 fanáticos ocuparem os assentos, as escadarias e onde mais for possível comportar gente no mítico estádio inaugurado em 25 de maio de 1940 – e que vai, para muitos, receber neste sábado o jogo mais importante de seus 78 anos de história.


Capitães complicam Boca e River na 1ª final
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Tales Torraga

Tão valorizados em uma Argentina que ama líderes e caudilhos, os capitães de River Plate e Boca Juniors, quem diria, estão mais para inconvenientes do que para soluções às vésperas da histórica decisão da Libertadores da América. Não custa reforçar: a primeira partida será neste sábado (10), às 18h (de Brasília), em uma Bombonera que deve ter bastante chuva desde a noite de sexta. A finalíssima será no dia 24, também um sábado e também às 18h, no Monumental de Núñez.

Ponzio e Pérez batalham no Monumental – Infobae/Reprodução

Começamos com Leonardo Ponzio, o capitão e volante do River que é, para todos na Argentina, o ''técnico que a equipe tem em campo''. O veterano jogador de 36 anos acabou de completar 300 partidas pelo clube, mas não poderá jogar na Bombonera porque sofreu uma distensão muscular na coxa direita contra o Grêmio, em Porto Alegre. Sua presença, porém, é tida como certa na segunda decisão.

É um consenso entre os argentinos que Ponzio, ao lado do goleiro Armani, é o titular mais difícil de se substituir. Primeiro, pela sua liderança entre os colegas, algo que fará falta especialmente neste sábado no qual o treinador Marcelo Gallardo está impedido de sequer entrar na Bombonera. As análises que se escutam nas rádios e nas TVs coincidem em uma coisa: sua ausência será mais sentida pela valente personalidade que ele exibe em decisões do que pelo seu nível de jogo.

Gallardo ainda não definiu o seu substituto. As opções são Enzo Pérez, de melhor saída de jogo e menor combate, ou Bruno Zuculini, inexperiente para tais decisões. Na ausência de Ponzio, a tarja de capitão será de Jonathan Maidana, outro bastião vermelho e branco. Ironia: Maidana foi jogador do Boca e inclusive ganhou a Libertadores de 2007 com o clube xeneize.

Pelo lado azul y oro, a grande dificuldade de Guillermo Barros Schelotto nesta preparação para a primeira final tem sido o temperamental Pablo Pérez, de ótimo ofício no meio-campo que conta também com o esforço do colombiano Wilmar Barrios e do uruguaio Nahitan Nández. Este tridente Barrios-Nández-Pérez vem sendo o ponto forte do Boca desde a série contra o Cruzeiro, mas Pérez vem treinando separado dos demais por fortes dores no tornozelo esquerdo. Ontem, por exemplo, sua vaga foi ocupada no treinamento pelo reserva Almendra.

A expectativa mais otimista indica que Pérez será titular, mas resta saber em que nível. Não é nada absurdo imaginar que uma das primeiras ações do River na decisão será acertá-lo para tirá-lo de jogo, algo que sempre ocorreu na Argentina. Nem é preciso ir muito ao passado para fazer tal previsão. Basta lembrar da voadora por trás do lateral Vangioni, do River, que arrancou de campo o atacante Burrito Martínez, do Boca, logo no começo da semifinal da Sul-Americana de 2014.

Para complicar a situação do sempre caliente Pablo Pérez, ele, que já declarou que só se tranquiliza e começa a jogar de verdade depois que toma um cartão amarelo, está pendurado e perderia a finalíssima em caso de advertência na Bombonera. Além dele, outros três jogadores xeneizes carregam dois amarelos, casos do lateral-esquerdo Olaza, do volante Nández e do atacante Pavón.

A situação do River é ainda mais difícil, pois mais da metade do time titular está pendurada. Nada menos que seis atletas vão precisar se cuidar em plena decisão da Bombonera. São eles os zagueiros titulares (!) Maidana e Pinola, o volante Enzo Pérez, o meia Pity Martínez e os atacantes Borré e Pratto.


Opinião: o campeão da Libertadores será aquele que operar melhor o VAR
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Tales Torraga

O futebol não é uma bola e nada mais. E quem me pergunta quem vai ganhar a final da Libertadores, se River Plate ou Boca Juniors, eu respondo que vai ser campeão aquele que opere melhor, dentro e fora de campo. E com o VAR, claro, com o amplo conceito que ele significa.

E o que é operar? É jogar bem dentro de campo. Operar é conduzir bem fora de campo, que aquele que está em cima com o VAR chame sempre, e não apenas quando convém a ele, o controlador.

Casal Boca-River em Córdoba – Jornal La Voz/Reprodução

É o árbitro de campo que precisa pedir o VAR, e não o controlador do VAR que deve impor a imagem ao árbitro de campo. Se há esta inversão de caminhos, você dá o poder supremo a quem controla o VAR. Por exemplo: quando surge um cruzamento e há uma mão na bola, e os 11 jogadores da equipe que seria beneficiada reclamam com o árbitro, é porque houve algo. No Grêmio x River, foi o contrário. Ninguém pediu nada.

Para ajudar, quem teria a pedir, que foi Scocco, que chutou a bola, pediu escanteio. Todos interpretaram que não foi pênalti, exceto o VAR, que produziu o penal.

Sobre a presença de público nessas finais, devo dizer que o contexto atual da Argentina não permite duas torcidas no mesmo estádio. A verdade é que, se Rosario Central e Newell's precisaram jogar em Sarandí sem público pela Copa Argentina, eu não me espantaria com nada nesta decisão de Libertadores, nem que a joguem com uma bola de rúgbi.

* Por Guillermo Marconi, presidente da SADRA (Sindicato de Árbitros da Argentina), com agradecimento à agência de notícias do governo, a ''Télam''


Final Boca x River vira tema de saúde pública na Argentina
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Tales Torraga

A decisão da atual Libertadores da América é o jogo mais desejado e mais temido da história do futebol na Argentina. Muitos torcedores de ambas as equipes seguem anestesiados e, por pura tensão, evitam consumir o noticiário para esta final que se encaminha para deixar o país em uma convulsão sem precedentes. As TVs e rádios de Buenos Aires tratam a partida como ''o acontecimento social mais importante da história recente da Argentina''.

Na esteira desta apreensão, os órgãos de saúde e os jornais sempre devorados pelos portenhos estão insistindo nos cuidados aos riscos físicos que a partida traz para nada menos que 70% da população argentina, que hoje é de 44 milhões de habitantes. É esta a soma equivalente às torcidas de Boca e River.

Torcidas de Boca e River – Montagem/RCN Deportes

A Fundação Cardiológica da Argentina, a FCA, vem fazendo seguidos alertas nas redes sociais e na mídia convencional. ''Boca-River: final de Libertadores. O risco de infarto se triplica. Aproveite, não sofra, e se você teve um problema cardíaco e não se sente bem quando acompanha o futebol, não deixe a medicação. Consulte o seu médico'', informava uma postagem do órgão nas redes sociais, neste final de semana.

''O estresse emocional não depende da vitória ou da derrota, e sim da tensão própria de se acompanhar um jogo de características tão dramáticas'', afirmou o cardiologista Jorge Tartaglione ao portal argentino ''Infobae''. ''A relação entre as emoções e o coração já está altamente documentada''.

Tartaglione cita, por exemplo, um estudo médico inglês de 1998 demonstrando que as internações por infarto no Reino Unido aumentaram em 25% nos três dias seguintes ao histórico Inglaterra x Argentina que terminou com classificação azul e branca na cobrança por pênaltis. Eram as oitavas de final do Mundial da França. ''É capaz que a quantidade beire os 30% com este Boca x River.''

''Mesmo sendo apenas um esporte, as pessoas o assimilam com um estresse agudo semelhante a terremotos e bombardeios'', seguiu o cardiologista, defendendo que as pessoas com antecedentes de problemas de saúde não deveriam ver esta decisão. Ele defende, também, que as definições por pênaltis deveriam ser abolidas ''para proteger a saúde cardiovascular das pessoas''.

A situação tanto é alarmante que o jornal ''Clarín'', o mais lido da Argentina, trouxe neste domingo uma completa lista com ''conselhos para corações delicados'' e as ações que evitariam um infarto decorrente da decisão.

O blog apurou também que o efetivo de cardiologistas que vai trabalhar em muitos hospitais públicos de Buenos Aires será reforçado nos plantões dos finais de semana em que forem disputadas as partidas.

As decisões devem ser realizadas em dois domingos, 11 e 25, a pedido das equipes, que pretendem assim respeitar o sábado de descanso dos judeus, que mantêm uma grande quantidade de sócios nos dois clubes.


Boca, River e AFA tentam mudar datas das finais
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Tales Torraga

A Libertadores mais confusa dos últimos anos não poderia mesmo terminar de outra maneira senão em um novo caos. O River Plate não se vê fora da decisão. Em entrevista à CNN na noite de ontem (1º), Rodolfo D'Onofrio, presidente do clube, afirmou que o pedido do Grêmio pela vitória na partida de Porto Alegre não vai dar em nada: ''Não há nenhum artigo de regulamento que estabeleça que o River possa perder os pontos'', afirmou.

O que está gerando uma irritação gigante nos argentinos é a data escolhida para as finais. A Conmebol determinou que as partidas sejam nos dias 10 e 24 de novembro, dois sábados, às 16h, para atender seus interesses televisivos. Mas River, Boca, AFA (Associação de Futebol Argentino), os órgãos de segurança de Buenos Aires e até a Associação Israelita não se entendem com relação às datas e os horários das partidas.

Primeiro, River e Boca. Os dois clubes fincam pé na mudança atendendo a pedidos de vários lados. O primeiro deles é com o grêmio dos jogadores, que determinou que as partidas na Argentina aos sábados só podem começar depois das 17h. Tal determinação entra em vigor a partir do próximo dia 15.

Outro inconveniente que a decisão da Libertadores apresenta ao ser realizada nos sábados é a sequência do Campeonato Argentino, pois duas rodadas (as de número 12 e 13) precisariam ser completamente modificadas. ''Precisamos levar isso em consideração e respeitar os outros 24 clubes'', concordou D'Onofrio à CNN.

Há pressão também dos judeus para que as partidas sejam repassadas para a noite, para não coincidirem com o Shabat – as 24 horas, a partir do anoitecer de sexta-feira, dedicadas ao descanso e à meditação. Tanto D'Onofrio quanto Daniel Angelici, presidente do Boca, deram declarações apoiando a mudança, já solicitada através da Daia (Delegação de Associações Israelitas Argentinas).

A dificuldade de se fazer as partidas no período noturno, em qualquer dia, é a questão da segurança. ''O espetáculo que ocorre durante a tarde te dá certas garantias'', alertou Martin Ocampo, ministro de Justiça e Segurança de Buenos Aires, deixando claro que a polícia não gostaria de ver milhares de pessoas nas ruas adentrando a madrugada, em análise publicada hoje pelo jornal ''La Nación''.

Ou seja: a badalada decisão da Libertadores até aqui não tem o adversário do Boca formalmente definido e não tem dia e nem hora para acontecer. E é de se esperar que o caos e as disputas de bastidores estejam apenas começando – ainda faltam definir os árbitros para aquela que os argentinos estão chamando de ''as finais mais impactantes e polêmicas da história do futebol mundial''.


Boca x River, a final que o mundo nunca viu
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Tales Torraga

Como dizem os argentinos: ''Ya está. No busque más''. A decisão de Libertadores entre Boca e River é inédita na história do futebol mundial. Jamais uma competição internacional teve uma final com a envergadura do superclássico argentino.

A festa de Boca e River – Montagem/Olé

Que a decisão da Libertadores seja disputada entre as maiores equipes de um mesmo país é mesmo algo que jamais ocorreu. Os antecedentes aqui são as finais de 2005, entre São Paulo e Atlético-PR, e São Paulo x Internacional, em 2006, partidas que estão longe de representar uma rivalidade como a de Boca x River.

E tal grandeza jamais se viu também na Europa.

Quatro decisões de Champions League chegaram perto: a de 2003, entre Milan e Juventus, com vitória do Milan de Ancelotti; a de 2013, o título do Bayern em cima do Borussia Dortmund; e a dobradinha do Real Madrid em cima do conterrâneo Atlético em 2014 e 2016. Convenhamos: nenhuma das partidas chega sequer perto da rivalidade e das faíscas que marcam a história de um Boca x River.

Uma comparação mais cabível a este superclássico na final da Libertadores seria uma decisão de Copa do Mundo entre Brasil e Argentina, ou uma final de Champions League entre Barcelona e Real Madrid, duas combinações que jamais foram colocadas em prática.

O blog vem registrando que a histeria em torno do confronto é gigante desde o final de setembro. E o que vem por aí é algo realmente sem precedentes.

River e Boca, juntos, respondem por 70% dos 44 milhões da população de uma Argentina que está sufocada com esta apreensão. Parece que a ''vida comum'' vai ser arrancada da rotina. As TVs, os jornais, as rádios, os portais e as redes sociais não têm outro assunto.

Ora é a opinião de um psicólogo, ora é um político, ora é um professor. Ora é o documentário mostrando como Boca e River explicam o país, ora são as crianças palpitando o superclássico no colégio. Ora são os detalhes infinitos de dois jogos que prometem marcas profundas em vencedores e vencidos.

O diário ''Olé'' que circula hoje (1º) em Buenos Aires é preciso em sua síntese: ''O que vamos ver é uma dessas coisas que não temos dimensão. Às vezes, somos testemunhas eleitas pelo destino para fatos que vão ser falados por anos e anos, e que talvez não se repitam nunca''.


Boca disputou 21 jogos a menos que o Palmeiras em 2018
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Tales Torraga

O diário ''Olé'' que circula nesta quarta (31) em Buenos Aires traz um cálculo interessante e que vale a pena contextualizar. Palmeiras e Boca Juniors medem forças às 21h45 (de Brasília) de hoje em São Paulo com números bastante diferentes em jogos disputados neste 2018. Enquanto o Palmeiras fará o seu confronto de número 70 neste ano, o Boca chega com as pernas mais frescas, disputando apenas a sua 49ª partida no período. São nada menos que 21 jogos a mais pelo lado Alviverde.

A grande diferença de quilometragem está nos 18 jogos que o Palmeiras disputou no Paulistão até chegar à final, perdida para o Corinthians nos pênaltis. Além desta quantidade, o Palmeiras soma 31 confrontos pelo Brasileiro, 11 pela Libertadores, 6 pela Copa do Brasil e 3 amistosos.

Não há Estaduais na Argentina, então a conta do Boca neste 2018 é bem mais enxuta. São 25 jogos pelo Argentino (somando as temporadas 2017/2018 e 2018/2019), 11 pela Libertadores, 3 pela Copa Argentina e 1 pela Supercopa Argentina. E o Boca realizou também 8 amistosos, incluindo o Troféu Joan Gamper, diante do Barcelona.

Embora a comissão técnica do Boca despiste e afirme publicamente que ''em 90 minutos pode passar de tudo'', os auxiliares de Guillermo e Gustavo Barros Schelotto reconhecem que a estafa mental, mais do que a física, pode ser um obstáculo na hora de reverter o placar que o Palmeiras precisa atingir.

O Boca terá uma mudança em sua equipe titular com relação ao time que bateu o Alviverde na Bombonera na semana passada.

O gol continua sob responsabilidade de Agustín Rossi, que ganhou uma trégua da torcida, que não o critica tanto quanto antes. Os laterais serão Jara pela direita e Olaza pela esquerda. Jogam simples e são eficientes, a exemplo de Izquierdoz (mais) e Magallán (menos), os dois zagueiros.

O tridente brigador com Nández, Barrios e Pablo Pérez no meio-campo está mantido, e o ataque virá com a presença do rápido colombiano Sebastián Villa no lugar de Mauro Zárate, ex-Fiorentina e Inter de Milão, que vive a pior seca técnica desde que chegou ao clube, há quatro meses.

Os companheiros de Villa serão os mesmos da quarta-feira passada: Wanchope Ábila e Cristian Pavón. Herói na Bombonera e autor dos dois gols, Pipa Benedetto, de baixa atividade nos últimos meses por conta da grave lesão sofrida no joelho direito, estará no banco, assim como Carlitos Tevez.


River conquistou Libertadores sem Gallardo no banco
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Tales Torraga

Tremenda, a punição imposta a Marcelo Gallardo na noite desta segunda-feira (29). O argumento da Conmebol foi o atraso de 50 segundos (!) no retorno para o segundo tempo da partida contra o Grêmio, uma reincidência ao que havia acontecido na partida contra o Racing, nas oitavas de final. Além da punição, o River Plate deve desembolsar US$ 21.500 aos cofres da entidade.

Mais do que um golpe no ânimo dos jogadores e de todo o elenco do River, a incrível sanção que vai tirar o Napoleón do banco de reservas desta terça-feira (30) pode detonar aquilo que é tão comum nos times argentinos, que é transformar qualquer sensação de injustiça em uma motivação que beira a rebeldia em campo.

É evidente, porém, que a ausência de Gallardo será um considerável complicador à equipe, até por ele estar impedido, por regulamento, de se comunicar por rádio com o seu assistente, que será Matías Biscay.

Vale relembrar que o River também não contava com Gallardo no banco em sua conquista recente mais importante, a Libertadores de 2015, com o 3 a 0 sobre o Tigres, do México, na decisão no Monumental de Núñez. O Muñeco havia sido expulso na ida, por isso quem assumiu a responsabilidade foi Biscay, seu velho conhecido e companheiro de trabalho. A relação entre ambos é tema até de um trecho da biografia do treinador, ''Gallardo Monumental'', lançada em 2015 pelo jornalista Diego Borisnky. Eis:

O início da amizade entre Gallardo e Biscay – Reprodução

Os antecedentes a favor de Biscay são positivos: o River jamais perdeu com ele no comando. Além desta decisão de Libertadores, houve também o 3 a 0 sobre o Racing nas oitavas da atual edição. Esta será a sexta vez que ele vai precisar desempenhar o papel de Gallardo, e o auxiliar até aqui soma três vitórias e dois empates.

Embora a Conmebol fale em ''falta de disciplina esportiva'', e a informação com a qual o River trabalha seja a do atraso no segundo tempo, o clube sente que, na verdade, o órgão quis mesmo foi passar um recado ao técnico pela sua discussão com o árbitro peruano Víctor Carillo depois da partida.

O River não confirmou o time que joga nesta terça, embora as saídas de Quintero e Scocco, para as entradas de Nacho Fernández e Pratto, já tenham sido devidamente assinaladas pela comissão técnica. Assim, a equipe formaria com: Armani; Montiel, Maidana, Pinola e Casco; Ponzio, Palacios e Fernández; Pity Martínez; Borré e Pratto.