Patadas y Gambetas

Fase ruim faz Messi pensar em deixar o Barcelona
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Tales Torraga

O desânimo de Lionel Messi com o Barcelona está explícito. Para um ''animal competitivo'' como ele, como os argentinos sempre gostam de ressaltar, fazer tudo sozinho depois da saída de Neymar virou uma tarefa pesada demais.

Quem diria. O Messi temporada 2017/2018 está repetindo no Barcelona aquilo que sempre fez com a seleção argentina. Eu preciso carregar o time nas costas? Então vamos caminhar despacito em campo.

Um rosto que diz mil coisas – Clarín / Reprodução

O que não está bem encaminhada é a renovação de seu contrato. Ontem, o ''Clarín'', maior jornal da Argentina, publicou que a continuidade de seu vínculo com o Barça ainda não foi assinada. A informação foi confirmada pelo blog nesta madrugada.

(E alguém acredita em coincidência ou casualidade nesta falta de assinatura, especialmente no momento em que o clube vive hoje?)

Tanto o entorno do jogador quanto o Barcelona têm o discurso oficial de que o novo acordo precisa de pequenos acertos, e que a boa vontade mútua seria suficiente para deixar tudo em bons termos. Que tais documentos são sempre trabalhosos, e que o acerto verbal de ambos já seria suficiente para a equipe inclusive divulgar, como divulgou em 5 de julho, que Messi seguiria no Barça até 2021, quando o gênio argentino terá 34 anos.

Na ocasião, o Barcelona fez o anúncio, mas reconheceu que o contrato ''seria assinado nas próximas semanas''. Já se passaram 44 dias, e a assinatura de Messi e o documento azul e grená ainda não se encontraram.

Nem é preciso gastar a memória para colocar esta informação do Barça sob a devida desconfiança. A continuidade de Neymar também estava ''200% certa'', e ele hoje está em Paris.

Por mais que o retraído craque argentino controle sempre as palavras, a frustração com o momento do Barça está escancarado em sua linguagem corporal.

Messi tem 30 anos, e o fim de sua carreira está se aproximando. ''Carregar pedra'' pelo clube, tarefa que foi sua por quase uma década na seleção, não é o que ele pretende daqui para a frente. Por isso o Barcelona insiste tanto na contratação de Mbappé e Philippe Coutinho. Trazê-los é mais do que reforçar o time. É evitar que Messi se encha de uma vez.

O craque argentino tem dois exemplos para se inspirar: Pep Guardiola e Luis Enrique. Quando ambos perceberam que o Barça não teria condições de manter – ou montar times que permitissem – uma briga franca com as demais potências, arrumaram as malas.

O Real Madrid de Zidane percebeu que não poderia viver só de Cristiano Ronaldo e armou uma seleção mundial. O PSG também. Contratou Neymar, sim, mas teve o cuidado de mimá-lo com outros nomes com os quais se sinta cômodo.

Já Messi se sente cada vez mais sozinho.

E não se vê no argentino nenhuma sedução específica pelas cifras geradas na sua renovação com o Barça. Embora o clube não divulgue os valores, a imprensa espanhola publicou que seu salário saltaria para US$ 36 milhões de dólares a cada temporada, além de diversos outros bônus.

Motivação. Baqueá-la é tudo o que Messi e a Argentina não querem às vésperas do maior desafio da sua carreira, a próxima Copa do Mundo. Tal insatisfação fica transparente a cada conversa com as pessoas que tomam as rédeas de sua carreira.

Muitos por aqui enxergam a Copa do Mundo da Rússia como a última de Messi, a derradeira chance de fazer o que Maradona fez e que ele jamais chegou perto de fazer, por mais que a Argentina tenha disputado a última final contra a Alemanha apostando muito mais na retranca do que no seu brilho – e ainda assim quase ganhou, não fosse a má pontaria de Palacio e Higuaín e a escandalosa joelhada de Neuer na cabeça de Pipita sem o árbitro marcar pênalti.

¡Que lío, Lionel!


Apatia de Messi e lesão de Suárez deixam Argentina e Uruguai em pânico
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Tales Torraga

O blog já está em Montevidéu para acompanhar o ''clássico das patadas'' entre Uruguai e Argentina, no Estádio Centenário, no dia 31. O confronto re caliente, claro, é o grande assunto do noticiário e das conversas sobre futebol nos dois países.

E há sincronismo também no desespero com os craques.

Começamos com o Uruguai, que virou a noite muy apreensivo com Luis Suárez, mancando e sentindo dores no joelho na derrota de 2×0 do Barça para o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Na manhã desta quinta (17), El Pistolero Luisito foi cortado do clássico pela AUF, a Associação Uruguaia de Futebol.

Foi uma água gelada no mate – e não desceu gostoso como o tererê.

Suárez caído – Reprodução/Olé

Nacional e Peñarol jogaram amistosos na fria noite de ontem (16) às vésperas do início do campeonato local, mas a notícia esportiva mais lida do site do jornal ''El País'' era sobre a contusão de Suárez: ''Oramos por Luis. O Uruguai reza pelo joelho do Pistolero'', era a chamada, e na manhã desta quinta o tom foi igualmente catastrófico: ''A pior notícia. Suárez está descartado para o clássico contra a Argentina''. As rádios locais seguiram o tom de catarse e desespero. ''Estamos complicados, agora só o orgulho pode nos salvar diante da Argentina de Messi e Sampaoli'', falava, fúnebre, o locutor Jorge Salvati, da Rádio El Espectador.

A histeria com a lesão de Suárez comprova como o Uruguai é dependente de seu futebol. Edinson Cavani não desperta tanta simpatia por aqui – respeito sim, dale, mas basta soltar ele e Suárez juntos pela rambla para saber quem é mais adorado.

Suárez é mais aguerrido; Cavani é visto como pecho frío, alguém pouco brigador.

A questão de Messi é tratada com o drama habitual dos argentinos, que ficaram loucos de verdade quando foi anunciada sua punição antes da partida contra a Bolívia. A suspensão foi retirada e Messi está apto para jogar no Centenário, mas por enquanto ele não é o Messi que todos se acostumaram a ver.

Na praia de Pocitos, muitos portenhos que cruzaram o Rio da Prata para participar de uma corrida de rua no último final de semana e que esticaram a estadia para aproveitar a hermosa capital uruguaia, se juntaram para ver o Real Madrid x Barcelona de ontem à noite justamente para analisar o desempenho de Messi às vésperas do Uruguai x Argentina. E Messi, como todos sabem, não jogou nada. Não fez uma única boa jogada em 90 minutos de futebol.

''Ele está um pouco pesado, isso pode ser sinal de desgaste pela pré-temporada. Messi pode virar um alvo fácil das patadas dos zagueiros uruguaios'', analisou o argentino Juan Carlos Cardona, 43, instrutor de educação física, um dos mais inconformados com o Real x Barça de ontem.

A imprensa argentina pensa parecido. O jornal ''Olé'' desta quinta estampa uma foto de Messi frustrado, e uma significativa manchete: ''Perdeu a alegria''.

(Não, muchachos, o ''pânico'' do título do post não é exagero.)

O Uruguai é o terceiro na tabla de classificação das Eliminatórias, com 25 pontos, enquanto a Argentina está com 22, na quinta posição, a que daria vaga na repescagem contra uma rival da Oceania.

Muitos por aqui acham que o empate convém aos dois times – e que só mesmo uma surpresa colocaria três pontos no uniforme de alguém no último dia deste agosto.


Por que Argentina e Uruguai têm mais técnicos estrangeiros que o Brasil?
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Tales Torraga

Terra de vários dos melhores treinadores do mundo, por mais que Vanderlei Luxemburgo pense diferente, a Argentina está sempre de aeroportos abertos para os técnicos dos mais diferentes lugares do planeta. E o nanico Uruguai? Igual.

Não há orgulho charrúa, nem soberba portenha, nem bairrismo, nem discurso de ''somos pequenos, não venha você, grande e rico, invadir nosso mercado''. A troca de conhecimento é livre e incentivada há muitas gerações.

Não há burocracia, licença A ou curso B – só vontade de aprender.

Se o Campeonato Brasileiro tem um único técnico estrangeiro, o colombiano Reinaldo Rueda, agora no Flamengo, e ele antes de estrear já lida com discursos estreitos, o Campeonato Argentino, em sua última edição, contou com três clubes dirigidos por uruguaios – Paolo Monteiro, que comandou o Colón e o Rosário Central – e o já conhecido Diego Aguirre, que continua à frente do San Lorenzo.

Apesar da diferença de território e nacionalidade e da imensa rivalidade no futebol, argentinos e uruguaios são ''irmãos de diferentes placentas'', como costuma definir o ex-presidente Pepe Mujica. O centenário intercâmbio entre técnicos e jogadores é visto com ótimos olhos inclusive hoje – algo que o Brasil, com as fronteiras tão próximas, tem igual condição de fazer. Basta querer.

Não é preciso gastar a memória para lembrar do Kaiser argentino Daniel Passarella à frente da seleção uruguaia, ou do Maestro Óscar Tabarez, atual treinador do selecionado celeste, dirigindo o Boca Juniors em duas ocasiões.

O River Plate contou com diversos técnicos de Hungria e Itália nos anos 30 e 40. Brasileiros como Didi e Delém mais que tiveram espaço em Núnez – são reverenciados até hoje. Chilenos (Manuel Pellegrini) e uruguaios (Luis Cubilla) também encontraram portas abertas nas décadas passadas. Nenhum deles esbarrou em nenhuma reserva de mercado.

Melhor treinador hoje em atividade na Argentina, El Muñeco Marcelo Gallardo, do River, começou sua carreira no Nacional de Montevidéu, onde pendurou as chuteiras para imediatamente virar treinador – e logo campeão, em 2011.

O Campeonato Uruguaio também tem dois técnicos vindos da Argentina: José Enrique Basualdo, à frente do Cerro, e Damián Timpiani, no Sud América.


Messi x Maradona: os gênios analisados pelo único homem que treinou os dois
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Tales Torraga

Uma única pessoa na história pode dizer que treinou tanto Diego Maradona quanto Lionel Messi. E este técnico (hoje ex) é o argentino Alfio Coco Basile, de 73 anos, comandante del Diez Diego em 1993 e 1994 e da Pulga Messi entre 2006 e 2008.

Maradona e Messi – Montagem

Basile foi testemunha privilegiada do fim de Maradona e do surgimento de Messi, 12 anos depois. E não consegue estabelecer um ponto de contato entre os dois.

''Maradona foi criado em uma época como a minha. Messi é de uma geração mais nova, viveu metade da vida na Europa'', analisou Coco ao jornal ''Clarín''.

''Não podemos compará-los, mas conto como eles são. Primeiro: eles não jogam no mesmo lugar do campo. Maradona geralmente decidia bem. Ninguém precisava falar nada para ele, Diego sabia exatamente o que precisava fazer. Era um estrategista, superinteligente. Colocava o time no ombro e fazia todo mundo jogar.''

''Já Messi é um individualista que atua no último quarto do campo e descansa quando está sem a bola. Diego era lento. Já Messi é um avião. Só vi Caniggia com uma velocidade parecida, mas Messi é veloz com a bola, a leva com um barbante. Ele faz o gol ou entrega o gol ao outro.''

E o temperamento?

''Um é a antítese do outro. Salvo que tenha mudado, Messi é um craque calado, quer passar despercebido inclusive no vestiário. E de Maradona…''

''Bem, de Maradona nem é preciso falar.''

Alfio Colo Basile – Clarín / Reprodução

Personagem pouco famoso no Brasil, Coco Basile está, seguro, na lista dos treinadores mais excêntricos da Argentina – e olhe que a concorrência é dura.

Seus detratores ressaltavam sempre que ele fumava e bebia com os jogadores, e que o doping de Maradona em 1994 poderia ser evitado com um pulso mais firme.

Basile, aliás, teve seu ''tapete puxado'' como técnico da seleção em 2008 justamente por Maradona. Ao menos é esta a versão que circula em seu entorno.

E esta é também mais uma maneira de separar Messi e Maradona.

Diego foi técnico da Argentina na Copa de 2010. E quantos conseguem imaginar Messi em papel parecido?


Como Higuaín caiu em desgraça na seleção argentina
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Tales Torraga

A Argentina vai encarar Uruguai (31 de agosto) e Venezuela (5 de setembro) na próxima rodada dupla das Eliminatórias sem um velho conhecido: o atacante El Pipita Gonzalo Higuaín, de 29 anos. Há dois meses, antecipamos seu fim de linha com Jorge Sampaoli. Mas desde então surgiram novidades que ajudam a compreender como a camisa azul e branca ficou inviável para seu número 9 desde outubro de 2009, quando o técnico ainda era El Diez Diego Armando Maradona.

El Pipita Higuaín – Diario Popular / Reprodução

É claro que a versão oficial mútua – seleção e jogador – vai apontar motivos táticos, pois Higuaín não consegue ''ocupar os espaços vazios do campo''. Mas a verdade da saída de Pipita da seleção é o escárnio que a torcida argentina externa a cada vez que ouve seu nome. Em Buenos Aires, quando se quer referir a um incompetente que deu sorte na vida, é comum chamar esse alguém de ''Higuaín, un boludo con suerte e guita'', um tonto com sorte e dinheiro. É assim. É pesado.

É claro também que os erros de Higuaín ajudaram a pintar este cenário. Mas colocar só nas suas costas as derrotas para Alemanha e Chile pelos gols desperdiçados nas finais das Copas é ignorar a dinâmica do esporte coletivo.

O ''fantasma psicológico'', como os portenhos chamam este verdadeiro assédio moral contra o jogador, tirou a alegria de Higuaín em atuar pela seleção. Em vez de apoiá-lo, como a torcida argentina já fez com atletas que também falharam, como Crespo e Batistuta, há simplesmente uma condenação social, motivada também pelo fato de Higuaín ser o jogador mais caro da história do futebol argentino, com a Juventus pagando irracionais R$ 325 milhões para tirá-lo do Napoli há um ano.

Sampaoli detectou este fastídio em uma conversa de coração aberto que teve com Higuaín em Londres há exatamente uma semana. El Pelado Sampa, así de una, reconheceu que El Pipita segue excelente na Juventus, mas não tem ânimo nem respaldo para sua seleção. O melhor hoje é mesmo separar os caminhos.

Capa do ''Olé'' deste sábado (12) – Reprodução

O clássico do dia 31 contra o Uruguai é vital, e Sampaoli vai precisar mexer em um posto que tradicionalmente não tem muitas alterações. Basta ver que os titulares são os mesmos há quase dez anos: Messi, Agüero, Higuaín e Di María. Mas desta vez o ''quarteto mágico'' argentino terá os dois primeiros sim – Messi e Agüero -, mas vai abrir espaço também para as chegadas de Paulo Dybala e Mauro Icardi.

A seus ouvintes mais próximos, Sampaoli admite um verdadeiro encanto com o futebol de Icardi, e que o vê com especial utilidade para a partida contra o Uruguai. Considera que ele será o mais capaz de machucar os zagueiros adversários em um clássico que promete ser uma verdadeira guerra nos 90 minutos, e que Icardi seria o mais oportunista para aproveitar qualquer deslize rival. É fato. Seu ótimo jogo aéreo vai ser importante nas duas áreas, e olhe que Maurito tem só 1,81 metro.

Eis o risco: em um jogo tão importante, Icardi, que jamais atuou como titular com os seus companheiros Messi, Dybala e Di María, vai precisar se bancar logo de cara.

Outros dois atacantes em atividade na Argentina têm boas chances de convocação. O habitué Lucas Alario (River) pode ter a companhia de Darío Benedetto (Boca).

E Higuaín? Pois é, Pipita, ser famoso e milionário não garante felicidade – garante só estar ao alcance de gente que abre mão da própria vida para desopilar rancor contra quem quer que seja. Hoje é contra você, amanhã é contra qualquer outro.

Nada personal, já cantava o Gustavo Cerati no Soda Stereo.

Higuaín aos 18 anos, ajudando o River a vencer o Corinthians na Libertadores – Olé/Reprodução

Que aqueles golaços e aquele enorme sorriso de 2006 no Pacaembu logo apareçam por aí. Tome um mate, curta Turim e Piemonte, todo va a estar bien.


Libertadores repete maior domínio Brasil-Argentina da história
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Tales Torraga

River Plate, Lanús e San Lorenzo de um lado. Santos, Grêmio e Botafogo do outro.

A fase de quartas de final da atual Libertadores tem imponentes seis de oito vagas ocupadas por times de Brasil e Argentina. Pode parecer estranho, mas a presença de 75% já foi vista em outras três edições – 2012, 2005 e 2001.

As quartas de final da Libertadores – Reprodução / Olé

Em outras seis Libertadores houve um brasileiro/argentino a menos que na edição atual, somando cinco times dos dois países entre os oito sobreviventes na Copa.

Embora as equipes brasileiras tenham derrapado no começo (como o Flamengo) e agora (Palmeiras e Atlético-MG), o domínio já era esperado porque a Conmebol inflou a quantidade de participantes no total – 47 – e de times brasileiros – 8 -, que pelo poderio econômico teriam chances evidentes de avançar na competição.

A trupe argentina na Libertadores 2017 foi de seis equipes, a mesma quantidade, por exemplo, do ano passado, quando só Boca e Central chegaram às quartas.

A atual soberania comprovou a capacidade Brasil/Argentina mesmo no primeiro ano de utilização de sorteio para definir o chaveamento das oitavas de final.

Até o ano passado, a equipe de melhor campanha (quase sempre brasileira ou argentina) encarava o pior segundo colocado de grupo na classificação geral, garantindo na teoria um caminho mais fácil.

Nas três vezes em que Brasil e Argentina dominaram a Libertadores com seis dos oito melhores times, jamais a Copa saiu de um dos dois países.

Quando a soma Brasil + Argentina nas quartas de final foi de cinco equipes, em duas delas a taça desembarcou em outro ponto da América, como o Equador (com a LDU) e a Colômbia, com o surpreendente Once Caldas que quase foi campeão mundial em cima do Porto em 2004.

As Libertadores do século passado não registravam tamanha presença das grandes potências do continente nas fases decisivas da competição porque as vagas de cada país eram geralmente duas ou três.

Os maiores domínios Brasil-Argentina nas quartas de final da Libertadores:

2017 – 6 times (Santos, Grêmio, Botafogo, River Plate, Lanús e San Lorenzo)
Campeão: ?

2012 – 6 (Santos, Corinthians, Fluminense, Vasco, Boca e Vélez Sarsfield)
Campeão: Corinthians

2005 – 6 (Santos, São Paulo, Atlético-PR, Boca, River e Banfield)
Campeão: São Paulo

2001 – 6 (Vasco, Palmeiras, Cruzeiro, Boca, River e Central)
Campeão: Boca Juniors

2010 – 5 (Flamengo, São Paulo, Cruzeiro, Internacional e Estudiantes)
Campeão: Internacional

2009 – 5 (Grêmio, São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Estudiantes)
Campeão: Estudiantes

2008 – 5 (Fluminense, São Paulo, Santos, Boca e San Lorenzo)
Campeão: LDU (!)

2006 – 5 (Inter, São Paulo, Vélez, River e Estudiantes)
Campeão: Inter

2004 – 5 (Santos, São Paulo, São Caetano, Boca e River)
Campeão: Once Caldas (!!)

2000 – 5 (Corinthians, Palmeiras, Atlético-MG, Boca e River)
Campeão: Boca Juniors


Opinião: Argentina dá lição ao Brasil na Libertadores
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Tales Torraga

A Argentina tanto está rindo à toa que o sol brilha radiante por toda a fria Buenos Aires nesta quarta (9). O país começou a Libertadores em greve e sem futebol. E ainda assim foi a primeira nação a garantir a ida às quartas, com River e Lanús.

Pipa Alario, Enzo Pérez e Chino Rojas / Reprodução ''Olé''

Os dois clubes deram a sensação de filme repetido – um ''Rocky'', apanhando, apanhando, não caindo, resistindo e…vencendo, pois ¡Monzón es argentino, loco!

Começamos com o River, que jogou para mais de 70.000 pessoas no superlotado e enlouquecido Monumental em mais uma noite portenha de descontrole de massas.

O empate por 1×1 com o Guaraní do Paraguai exibiu muitas falhas na equipe do técnico Muñeco Gallardo, que mexeu no goleiro, na defesa, no meio-campo e no ataque do time que havia vencido por 2×0 na ida, no Defensores del Chaco.

E este 2×0 em Buenos Aires quase esteve ao alcance dos paraguaios, que perderam um gol incrível quando venciam por 1×0. E o que o River fez? Não se desesperou. Controlou os nervos e passou a se matar de correr em campo. Não se afobou com a histeria e comprovou que Libertadores se ganha com futebol sim – mas especialmente com brio, atitude, estratégia e caráter.

R de River, R de ''re-si-liente'', diria Tite.

Em casa, o Lanús igualmente não jogou bem, mas fez o básico para despachar o Strongest por 1×0 – mais que suficiente depois do 1×1 na ida na altitude da Bolívia.

Foi um xadrez com os pés. O Lanús pressionava, mas falhava na finalização. O Strongest apostava nos contragolpes e nas maldosas patadas dos seus volantes, e em dado momento o time argentino ficou seriamente nas cordas.

Mas a Argentina gosta das cordas. Vive, afinal, em uma – e das mais bambas.

Seus times sabem sofrer e sabem ganhar – e eis uma lição valiosa que tanto Galo quanto Palmeiras precisam colocar em prática nesta quarta-feira de alta tensão.

O que ficou também muito claro no desempenho argentino nesta terça foi o poder de fazer mais com menos.

River e Lanús vinham inativos e em pré-temporada, e não caíram no conto da facilidade, muito menos na festa da torcida. Em certo momento, deu até para lembrar do Brasil x Argentina da Copa de 1990 – tamanha a adversidade copeira.

Para quem não lembra, a Argentina levou três bolas na trave antes de o gordo, manco e machucado Maradona driblar e humilhar o Brasil e colocar Caniggia na cara de um gol que rendeu a vaga – e que rende festa e música até hoje.

''Bambeou, mas não caiu'', já ensinava Osmar Santos. Assim é o futebol argentino.

Desprezar as vagas de River e Lanús obtidas contra escolas menores do continente é brigar com a realidade. O Palmeiras sofre com os equatorianos do Barcelona; o Atlético-MG, com os bolivianos do Jorge Wilstermann.

Convém que os jogos brasileiros sejam um dia depois de River e Lanús. O manual de ''sofro, logo classifico'' está aí, em VT e HD. Basta humildade para aprender.

***

Nobleza obliga: Quem lê o blog sabe desde 8 de março que a crise que paralisava o Campeonato Argentino não afetaria os times do país da Libertadores. Muito pelo contrário. E qual o primeiro país garantido nas quartas? Justamente a Argentina.

Que o Lanús iria longe nesta Copa estava na cara desde 6 de fevereiro. As boas possibilidades do impressionante River foram esmiuçadas em abril.

Pois vamos então redoblar la apuesta: a lógica aponta um River x Lanús na semifinal. Atlético-MG e San Lorenzo, favoritos para também alcançar as quartas, hoje estão dois degraus abaixo da muy fuerte y re copada dupla argentina.


“Neymar sair do Barça? Uma idiotice. Me deprime”, dispara lenda argentina
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Tales Torraga

Sempre aplaudido na Argentina como um dos maiores intelectuais do futebol no país, o ex-técnico Ángel Cappa, 74 anos, destroçou a ida de Neymar para o PSG.

Ángel Cappa – Reprodução / La Gaceta

''Deplorável e lamentável. Ele largou o compromisso com o jogo para buscar fama e dinheiro'', disse Ángel à Rádio Belgrano, de Buenos Aires, neste domingo. ''Neymar era uma grande figura no Barcelona. Ele saiu para ser mais que Messi? Se foi por isso, é uma idiotice. Realmente me deprime.''

Cappa tem capa – je – para bancar o que diz. Seus antecedentes o colocam como uma verdadeira lenda viva do esporte e do pensamento na Argentina.

Histórico braço-direito de César Luis Menotti na seleção, Ángel se formou em filosofia e pedagogia ainda nos tempos de jogador. Pendurou as chuteiras em 1978 – era volante do Olimpo, onde atuou a vida toda. Perseguido pela ditadura, viveu exilado na Europa, onde espalhava faixas escritas ''Videla assassino'', abrindo os olhos do mundo para a carnificina que sangrava a Argentina naqueles tempos.

Cappa foi técnico de River, Racing e Peñarol, mas encontrou sempre um adversário ainda maior que seu intelecto: um temperamento visceral e de convívio impossível.

Sua carreira de treinador foi aquém da capacidade, e Ángel virou então um fantástico escritor sobre futebol, dono de frases geniais como ''não se pode reduzir o futebol ao resultado, assim como é impossível limitar o amor a um orgasmo''.

Cappa coloca Messi hoje acima de qual um – inclusive Cristiano Ronaldo. ''Cristiano é um dos maiores goleadores que vi, mas Messi joga em outras funções e faz os mesmos gols. É o melhor de todos, na minha maneira de enxergar o futebol.''

No mês passado, Ángel lançou em Buenos Aires seu aplaudidíssimo último livro, ''Nos roubaram o futebol''. A obra é uma bolada na cara – un pelotazo en la cara: ''Venderam tudo, até os sentimentos. Por isso converteram o futebol em um covil de corruptos e corruptores sem escrúpulos. Para aumentar fortunas, tudo vale''.

Está, claro, em espanhol. Tem 272 páginas e custa R$ 61 aqui.


Quanto custaria Maradona hoje? R$ 455 milhões a mais que Neymar, diz site
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Tales Torraga

Se Neymar custou R$ 821 milhões ao Paris Saint-Germain, quanto se gastaria na contratação de gênios do passado, como o argentino Diego Armando Maradona? Quem se debruçou no assunto para encontrar uma resposta foi o site ''Playratings'', especializado nas transações financeiras do futebol.

Maradona abraça Neymar (14 anos) em jogo de showbol em São Bernardo do Campo – Acervo pessoal

Calculando inflações e aumento de volume dos negócios dos clubes, a página chegou ao valor que o Napoli precisaria gastar para ter Maradona hoje em dia: R$ 1,27 bilhão, R$ 455 milhões a mais que o desembolsado pelo PSG por Neymar.

Outros cálculos interessantes do ''Playratings'': contratado pelo Milan em 1987, o holandês Marco Van Basten custaria atualmente R$ 1,21 bilhão. A transação mais cara da história – pegando os valores do passado e transportando para o presente – seria a de Ronaldo do Barcelona para a Inter de Milão em 1997:  R$ 1,60 bilhão.


Centurión já é passado. A 10 do Boca agora é de Cardona, o “Crackdona”
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Tales Torraga

Quem atacava a conduta e o futebol de Ricardo Centurión ganhou um prato cheio com a contratação de Edwin Cardona. Colombiano de 24 anos, ele até aqui fez só dois amistosos com a 10 xeneize, mas já passou a ser chamado pela maior torcida da Argentina de um jeito muito especial. Cardona virou o ''Crackdona''.

Edwin Cardona na Bombonera – Reprodução/Olé

(Em castelhano não se ouve este K, então é como chamar Cardona de 'Crádona'.)

Caradona – ou melhor, Crádona – está emprestado por um ano, vindo do Monterrey, do México. Seu estilo de jogo é comparado, e sem tanto exagero, com o de Juan Román Riquelme, o maior ídolo da história do Boca.

O colombiano realmente tem técnica admirável. Dá canetas, esbanja boa visão de jogo e cobra faltas com a maestria característica de Román. Só precisa controlar seu temperamento um pouco louco. No México, ficaram famosas suas brigas com os técnicos e com a balança, além de uma propensão a cortes de cabelos chamativos demais, para não dizer agressivos.

Cardona é convocado para a seleção colombiana desde 2014, mas a grande ilusão da torcida do Boca foi a bênção de Riquelme: ''Ele pode jogar melhor que eu. Tomara que jogue''.

Por enquanto, nos dois amistosos – 1×1 e vitória nos pênaltis sobre o Nacional do Uruguai e um 1×0 ontem (2) no Villarreal, na Bombonera – , Cardona fez um golaço no Bolso e deu uma caneta espetacular ante o time espanhol.

Não são poucos os que falam que Cardona vai fazer a torcida esquecer rápido de Centurión. São igualmente muitos os que exageram e dizem que até Carlitos Tevez vai cair no esquecimento ante a maestria de Crádona.

Não é mero papo de fanático. Até a imprensa portenha já bate nesta tecla.

Os brasileiros, porém, vão precisar esperar 2018 para vê-lo em ação contra suas equipes. Este Boca só volta às competições internacionais no ano que vem. Atual campeão argentino, o clube já tem vaga garantida na Libertadores do próximo ano ao lado de – ¡Mamita querida! – River, Racing, Estudiantes e Banfield.