Patadas y Gambetas

Como Martín Palermo mudou a vida dos atacantes do São Paulo

Tales Torraga

Martín Palermo cruzou uma linha entre Brasil e Argentina. Muito amado pelos seus, ele até hoje é achincalhado pela maioria dos brasileiros, que não se desapegam do Argentina 0x3 Colômbia da Copa América de 1999, quando perdeu três pênaltis.

Aquele é um mero fotograma. Pois o filme da vida de Palermo é gigante. Maior goleador da história do Boca (280 gols), Martín conquistou um Mundial, duas Libertadores, três Recopas, duas Sul-Americanas e seis Argentinos pelo clube.

Seria de bom tom o torcedor são-paulino fazer as pazes com El Titán, como Palermo é conhecido na Argentina. Ele é – e provavelmente sempre vai ser – a grande referência de vida e carreira dos argentinos que vão formar a dianteira do Tricolor.

O recém-contratado Lucas Pratto, 28, deve muito de sua carreira a Palermo. Contamos esta história em maio, e ela está aqui. Os dois são da mesma cidade, La Plata, e foi Palermo o responsável pela sua ida ao Boca. Os Palermos, na verdade. O irmão de Martín, Gabriel, era preparador físico e logo detectou potencial em Pratto. Mas foram os contatos do Palermo famoso que abriram as portas da Bombonera para Lucas ter uma breve (e pouco positiva) passagem pelo clube em 2007.

Lucas Pratto e Martín Palermo

Com Chávez, a questão é mais motivacional.

Fanático pelo Boca, o pequeno Andrés tinha um quadro de Palermo em seu quarto. Até hoje, quando fala do histórico atacante, como fez conosco no fim do ano passado, se emociona e diz que ficaria feliz com 15% dos gols que Palermo fez.

Era tão fanático que gritava os gols do ídolo duas vezes – uma quando o gol saía de verdade, a outra no replay, como conta, quase chorando, aqui.

Palermo é também uma referência técnica e psicológica para Chávez. Andrés já declarou que estudou minuciosamente os vídeos e os movimentos de Martín para colocar em prática em suas atuações. E sempre que é criticado pela torcida ou pela imprensa, lembra da fortaleza mental de Palermo, que deu muitas voltas por cima em sua vida, e até por isso é admirado além das fronteiras de La Boca.

É muito comum hoje em Buenos Aires ouvir até torcedores do River, quase chorando, lamentar que esta sequência de títulos perdidos pela Argentina só ocorre porque a seleção tinha Higuaín e Palacios. E não Palermo, que jamais perdoaria as chances desperdiçadas pelos dois no Maracanã, em Santiago e em Nova Jersey.

Acima do Urso (Pratto) e do Comandante (Chávez) sempre vai haver um grande para eles: El Titán, Martín Palermo. É bom a torcida do São Paulo se acostumar.

(E torcer para não cruzar com o Unión Española, que tem Palermo como técnico.)

Vale a última lembrança: El Titán Martín foi o autor do gol do título do Boca sobre o São Paulo na Recopa de 2006. Foi 2×1 em Buenos Aires (dois de Rodrigo Palacios) e 2×2 no Morumbi (Palermo e Palacios).

Palermo balançou as redes do São Paulo também no ano seguinte. Em 2007, marcou dois na vitória de 2×1 sobre o Tricolor na Bombonera pela Sul-Americana.

Desse dia, entraram para a história os tapas na cara que ele levou do zagueiro Breno, de então 17 anos. O São Paulo eliminou o Boca com um 1×0 no Morumbi na partida de volta, gol de Aloísio Chulapa.

Em homenagem ao novo contratado, El Oso (O Urso) Lucas Pratto, aí vão nossos votos de lindo sábado ao som de uma linda música e um grande sucesso – Un osito de peluche de Taiwán, Um ursinho de pelúcia de Taiwan, com um convidado especial, Fernando Ruiz, espetacular vocalista do Catupecu Machu.

Suerte, Oso!