Patadas y gambetas

O que está por trás do suicídio do empresário de Maradona

Tales Torraga

A notícia golpeou forte o domingo em Buenos Aires. Histórico empresário de Diego Maradona, Jorge Cyterszpiler, 58, foi encontrado morto, caído no terraço do hotel Faena, em Puerto Madero, dos bairros mais visitados pelos turistas na capital.

Arquivo pessoal/Cyterszpiler

A polícia informou que ele atirou-se da janela de um quarto do sétimo andar. E seus parentes confirmaram a seguir que Cyterszpiler passava por um quadro de depressão desde que se separara da esposa, no começo deste ano.

Jorge vinha também sofrendo dificuldades para caminhar, problema que apresentava desde a infância, mas que se agravara nos últimos meses.

Cyterszpiler tinha a companhia de um terapeuta no hotel – em mero momento em que esteve sozinho, tomou a trágica decisão.

O empresário foi um dos personagens mais importantes na trajetória de Maradona. Eram amigos desde 1975, e era Jorge quem levava – ou melhor, pagava para – Diego passear e jantar.  Em 1977, virou seu representante, e foi o pioneiro neste ofício na Argentina. El Ruso e El Diez eram inseparáveis, como narra este perfil.

Jorge em imagem atual – Diario Popular/Reprodução

Acompanhou o craque nas contratações de Argentinos Juniors, Boca, Barcelona e Napoli. Em 1985, um ano depois de Maradona começar a consumir cocaína, o laço foi rompido. Como prova da lealdade aos ''bons tempos'', como ambos costumavam dizer, nem Diego e nem Jorge jamais falaram as causas do afastamento.

Cyterszpiler nos últimos anos ainda agenciou jogadores como Luciano Vietto, Martín Demichelis e Federico Mancuello, hoje no Flamengo.

''Gosto dele, sempre gostei e sempre vou gostar. Não falo mal de Diego. É este meu conceito de amizade. Jamais vai sair da minha boca uma palavra contrária a Maradona'', disse certa vez o seu primeiro empresário.

No mesmo domingo em que Jorge tirava sua própria vida, Diego anunciava que seria o novo técnico do Fujairah, dos Emirados Árabes. Maradona até agora não se pronunciou sobre a morte do amigo, algo que ninguém em Buenos Aires entende.