Patadas y gambetas

Reviravolta: Simeone dribla Sampaoli e pode assumir a seleção argentina já

Tales Torraga

Patón Bauza tropeçou na língua e caiu. Desde ontem à noite, não é mais o técnico da seleção argentina, e a escolha certa por Jorge Sampaoli ganhou uma novidade comemorada em Buenos Aires: Chiqui Tapia e Marcelo Tinelli, presidente e secretário da AFA encarregados da escolha do novo treinador, vão aproveitar a gira pela Espanha no fim desta semana para ouvir El Cholo Diego Simeone sobre suas pretensões de assumir a Argentina. E o blog apurou que as chances de Simeone dizer ''sim'' são muito maiores que semanas atrás.


Tudo porque o cunhado de Diego, o preparador físico Carlos Dibos, que trabalhou na seleção de 2006 a 2008, escancarou na TV há dez dias as razões da recusa de Simeone em assumir a equipe. Segundo seu cunhado, havia uma forte influência especialmente de Mascherano na lista de convocados, algo que El Cholo não concordava e preferia passar longe. Dibos surgiu depois de anos de anonimato, e suas intenções ao revelar tais bastidores foram bastante questionadas – quase duas semanas depois, as razões estão bem claras. Sua entrevista serviu para preparar o terreno para Simeone e alertar a opinião pública sobre tais condutas na seleção.

A Argentina está obviamente enfraquecida pela falta de resultados, e as condições para Simeone assumir como técnico agora são muito mais favoráveis e aprovadas pelo torcedor: será sobre uma folha em branco, algo que a nova AFA terá de bancar frente aos líderes entre os jogadores – simplesmente Messi e Mascherano.

Pois são Messi e Mascherano os maiores aliados de Sampaoli na chegada à equipe pós-Patón, o que deixa a associação em uma estrada de mão-dupla e sem saber muito bem o que fazer. Com Sampaoli está tudo entre o encaminhado e o acertado, mas há o dissabor de arcar com uma multa rescisória de 1,5 milhão de euros – algo que com Simeone, segundo o que o blog soube, não seria tão complicado.

El Cholo tem contrato com o Atlético até junho de 2018, mas sua saída exclusivamente para a seleção custaria só um terço deste valor de Sampaoli. Simeone é, óbvio, um técnico de maior renome que El Pelado Sampa, mas sua cifra seria menor por uma dívida de gratidão do clube com o seu magnífico trabalho.

Soa estranho – mas se não fosse assim, a AFA nem chegaria perto dele.

A atual Liga dos Campeões também não seria um entrave para Simeone. Se o ''Aleti'' for à final, como no ano passado, o técnico ficaria amarrado ao clube até 3 de junho, assumindo a Argentina logo na semana seguinte, frente ao Brasil do 100% Tite, no amistoso do dia 9, em Melbourne (Austrália).

Sampaoli, enquanto isso, espera.

A nova AFA, sob o trabalho de Tapia e Tinelli, vai buscar Simeone também como uma resposta para a imprensa e para a torcida. Se El Cholo recusar, a escolha por Sampaoli, hoje inegavelmente o segundo treinador argentino mais importante na Europa, estaria plenamente justificada. Se Simeone aceitar, haverá uma suavização das finanças e o começo de um novo ciclo – que seria realmente histórico e com o selo de vanguarda, algo que a associação está desesperada para agarrar.

Esta sanha dos dirigentes por mudanças é também um enorme trunfo caso Simeone tome as rédeas da Argentina para si e resolva antecipar o desafio que define como ''o sonho de sua vida'': comandar seu país em uma Copa do Mundo.

E o Mundial da Rússia no ano que vem teria um quê ainda mais épico.

A Copa de 2018 é enxergada por toda a Argentina como a última da carreira de Lionel Messi, que terá 31 anos durante a competição.''Faça um penteado para a foto'': é esta a brincadeira da capa do jornal ''Olé'' desta terça em Buenos Aires reforçando as chances de Simeone no lugar do careca Sampaoli, que jamais comandou clubes na Argentina – este é o principal argumento daqueles que são contrários à sua contratação.

Simeone treinou River, Racing, Estudiantes e San Lorenzo – onde trabalhou com o excêntrico Tinelli, daí a porta escancarada para o encontro dos próximos dias.