Patadas y gambetas

Bauza (surta e) já projeta o futuro depois de ganhar a Copa com a Argentina

Tales Torraga

Edgardo Bauza sempre foi sensato, mas desde que assumiu a seleção argentina, em agosto, abandonou a lucidez. Patón virou um falastrão totalmente desorientado, e sua mais recente pérola é também uma das piores: ''Depois de ser campeão do mundo, não sei com o que vou trabalhar. Na América do Sul, joguei o que poderia jogar e ganhei. Se ganho a Copa, não teria nenhuma conta pendente. Vamos ser campeões contra uma seleção da Europa'', afirmou ao jornal ''La Nación'' em uma entrevista que merece ir para o divã. O Bauza 2017 jogou o bom senso no lixo.

Que qualquer um faça tal projeção já soa como uma esquizofrenia – e que isso parta do técnico de uma seleção que não conquista nada há 24 anos é uma falácia e um delírio que já entram em choque com a timidez e o comedimento adotados há muitos anos por Messi e Mascherano, os capitães. O mais incrível no discurso de Bauza é que ele ocorre justamente nos dias que antecedem o perigosíssimo confronto contra o Chile pelas Eliminatórias, na próxima quinta, no Monumental de Núñez lotado.

Falar do que vai fazer depois de ganhar uma Copa do Mundo da qual sequer classificado está. Pior: que corre risco sério de nem disputá-la.

Dá para ser mais lunático?

A Argentina já é tricampeã e Messi já é campeão, segundo a cabeça de Bauza (e só ela). Se isso é dito pela criançada no colégio a gente entende e releva. Mas quem repete isso sem parar é o técnico que briga para fugir da Repescagem. Não há ninguém para orientá-lo? Por que Bauza, aos 59 anos, virou uma mistura de Caruso Lombardi, Renato Gaúcho e Vampeta? Que mania de grandeza é esta?

''Você sabe como um argentino se suicida? Ele sobe em cima de seu ego e se joga lá de cima'', brincou certa vez o papa Francisco. Ele brinca, Patón.

O Monumental não. Cuídate.