Patadas y gambetas

O maior, disparado: River empolga na estreia e poupa Argentina de vexame

Tales Torraga

Coube ao River Plate, que na Argentina se auto-intitula ''o maior, disparado'', vencer uma complicada estreia por 3×1 e fazer a metade rojo y blanca de Buenos Aires bater no peito garantindo que a mística copeira argentina nesta Libertadores está, sim, bem viva no uniforme de Núñez – um dos mais lindos do mundo, convenhamos.

E este uniforme terminou tricolor na encharcada noite da Colômbia devido ao barro e ao aguaceiro que parou a partida no primeiro tempo. Nada que assustasse o Millo: o River atropelou o Independiente Medellín com uma segurança que não era vista desde meados do ano passado, com uma partida controlada em todas as linhas de campo e sem dar chances ao rival, que bateu e não soube o que fazer.

Os gols do River foram de Alario, de pênalti, de Driussi e do zagueiro Martínez Quarta. Só jovens: 24, 21 e 20 anos. É claro que a estreia é só uma estreia e que o caminho é longo, mas a primeira partida do River nesta Libertadores serviu para apagar algumas más impressões deixadas pelas equipes argentinas nesta Copa.
Em um campo pesadíssimo, onde a decantada falta de ritmo seria uma preocupação no segundo tempo, o River impôs sua perna forte e bancou todas as patadas dos desesperados colombianos que atuaram com uma violência ''modo anos 70'' no segundo tempo até chegar ao gol de honra, e de pênalti, nos instantes finais.

Os três gols marcados acabam camuflando as grandes atuações da noite – o zagueiro Maidana, uma parada duríssima para qualquer atacante, e o retorno do volante Ariel Rojas, que ofereceu a lucidez e as saídas de jogo que Marcelo Gallardo tanto buscava desde o adeus de Sánchez.

Voltou River e voltou a mística, muchachos. Qualquer um que caminhe nesta quinta ali pela Corrientes perto do Obelisco vai cansar de ouvir isso. E de ouvir também que o River não estreia, apenas volta a ocupar seu posto de ''o maior da Argentina, disparado'' na busca da sua quarta Libertadores – os argentinos são assim, nem começam e já pensam no fim, e olhe que o começo tinha cara de vexame, mas vá tentar convencer alguém que esta Libertadores não vai ser da Argentina, a maior campeã da história da Copa, pátria que na Libertadores é capaz de ''ganhar sozinha, só com a camisa'' (sim, se ouve de tudo, buenos aires y buenos oídos, ahí vamos).

Cartaz ao redor do Monumental nesta quinta: ''River voltou. O maior, disparado''