Patadas y gambetas

Argentina chora com Messi e destroça Di María por novo fracasso em decisão

Tales Torraga

A Argentina segue falando mais do Barcelona 6×1 Paris Saint-Germain que do próprio recomeço do campeonato nacional. Os barés e cafés de Buenos Aires escolheram dois personagens para destinar todo o amor e ódio que caracterizam (e cansam) o país. O amor da vez vai para Lionel Messi; o ódio, para Ángel Di María.

Messi tem conquistado o respeito dos portenhos por algo que não tem muito a ver com o futebol, e sim com o sentimentalismo barato que era a marca registrada de Diego Maradona. Os argentinos não questionam a capacidade de Lionel, e sim sua timidez, daí os inexplicáveis argumentos de que ''Messi é catalão, não argentino''.

Nesta quarta não foi assim.

Todos se encantaram com a comemoração de Messi subindo no alambrado para festejar o sexto gol com a torcida no Camp Nou, e uma foto de Lio chorando abraçado com Luis Enrique foi a mais circulada pelas redes sociais argentinas.

Quem também aplaudiu bastante esta versão caliente de Messi foi César Luis Menotti, técnico campeão mundial com a Argentina em 1978. ''Ele está no auge. Joga tanto para a equipe quanto para si mesmo. Messi hoje quer ajudar o time, não apenas brilhar sozinho'', declarou o Flaco Menotti à TV.

Se há elogios a Messi – algo que, convenhamos, não são tão comuns nesta relação conflituosa do povo argentino com o jogador -, o contrário é destinado a Ángel Di María, caracterizado por jamais ajudar a seleção em momentos decisivos, e tido como um enorme responsável pela derrota clamorosa do PSG.

A opinião pública a respeito do Fideo, ''O Macarrãozinho'', como é chamado o jogador pela sua magreza, é que ele não tem força emocional para jogar decisões. Por isso se machucou tanto na Copa do Mundo do Brasil quanto nas duas Copas Américas perdidas pela Argentina.  Há até um verbo para definir o que faz Di María: pechear, da gíria ''pecho frío'', destinada àqueles que não esquentam o coração e agem com indiferença ou medo na hora decisiva.

Seu gesto mandando a torcida do Barcelona calar a boca também foi viralizado no país – um claro sinal de não saber o que fazer em finais, segundo a torcida argenta.

Menotti defendeu Di María: ''Ele é o maior contra-atacador do mundo e começou a partida no banco. O PSG teve muito medo. Não foi o Barcelona que ganhou, e sim o Paris que perdeu'', concluiu.

Atualizado às 10h07: Essa dicotomia ''sucesso x fracasso'' é a tônica também de como o Uruguai vive esta semana pós-Barça x PSG. Os uruguaios aplaudiram Suárez por mais um feito em sua carreira, mas destinaram alguns olhares de reprovação para Cavani, tido no país como um jogador limitado e dependente de Suárez na seleção.

Cavani não é exatamente um ''pecho frío'' como a Argentina trata Di María, são poucos em Montevidéu que o consideram assim, mas há uma unanimidade de que ele está longe da bravura demonstrada por tantos emblemas uruguaios.

Ou seja, brasileiros: no Uruguai e na Argentina não basta ganhar. É preciso ser bravo e emotivo, tener huevos y corazón.

* Com Juan Andrés Pollio, de Montevidéu. Gracias, Juan!