Patadas y gambetas

O maior problema de Verón na volta aos campos? Tirar os colegas do celular

Tales Torraga

Juan Sebastián Verón atendeu a imprensa ontem (13) no CT do Estudiantes em City Bell, lindo espaço onde o clube faz pré-temporada na cidade de La Plata, a 60 km de Buenos Aires. O presidente-jogador não estava necessariamente relaxado.

Entre as inúmeras funções de sua gestão, uma em especial: tratar o estiramento que sofreu na coxa no fim de janeiro. Verón vai voltar a treinar só na próxima semana.

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VERÓN FALA EM CITY BELL/FERNANDO MASSOBRIO

O físico é o maior obstáculo de Verón, 41, em sua volta aos campos? Nem de longe. E ele surpreende na resposta da pergunta sobre o que tem sido mais difícil nesses dois meses de dia-a-dia com os jogadores e com a comissão técnica.

''O que mais me chocou foi estar na mesa e todos com a cara no celular. Ou estar no vestiário, e que todos estejam pendentes das redes sociais. Isso te choca, mas entendi que hoje a vida é assim'', contou Verón, que se valeu do papel de presidente para mudar os hábitos do uso da tecnologia no Estudiantes.

''Sou da ideia de que é preciso manter algumas questões românticas. Agora, por regra, na mesa e no vestiário não tem celular por uma hora. Gosto de dividir o momento, conversar com os jovens, saber como estão, se estão bem, se estão bravos, se eu posso ajudar. Embora esta medida não tenha ajudado muito a mim'', brincou, rindo e revelando que há resistência quanto à nova regra.

Há, claro, uma gigante diferença de gerações. O volante Santiago Ascacibar, hoje o grande nome do Estudiantes, tem 19 anos e nasceu na mesma temporada em que Verón foi vendido do Boca Juniors para a Fiorentina.

''Hoje eles são muito mais fechados em seu mundo, isso é inegável. Eles têm seu mundo dentro do celular e eu gosto de falar cara a cara. No clube, firmamos nossa postura na educação e isso não se negocia, porque sei que os meninos vão levar esses valores para as suas vidas fora do Estudiantes.''

Verón finaliza brincando com a fama de durão que a nova forma de usar o celular lhe ficou: '' A lenda sempre vai me apontar como ogro ou autoritário, mas eu divido a mesa e o vestiário com os meninos, e não vejo esta distância que imaginam desde fora. Falamos das mulheres, das namoradas…do Facebook, do Twitter…'', ri.

Quem esteve em City Bell e hoje traz um excelente papo com o Verón é o ''La Nación'', jornal com os textos mais bem escritos da Argentina. Está aqui.